SportingÉ claro que sou do Sporting.
Há-de haver qualquer coisa que está mal por ali.
Talvez não fosse má ideia descobrir o quê.
por MCV às 21:45 de 25 fevereiro 2009 
O carnaval de Torres“Em casa de ferreiro, espeto de pau!” – dizia eu ao meu velho J.J. ao virar de mais uma esquina da terra que deve a fama aos fornos e aos bichos que lá se assam.
Espeto, a bem dizer, não. Que se assam os bichos sem recurso a tal, ao que consta.
O caso é que andávamos à procura de quem nos servisse uma sandes e nada.
Até que alguém nos indicou um sítio, talvez o único, disseram-nos.
A velhota que estava à porta ainda nos quis despachar para a concorrência. Desistiu quando percebeu que eram sandes. E sandes estava visto que...
Guardiã que era do estabelecimento comercial, não nos franqueou as portas senão quando anteviu o proprietário na curva.
Teve, nesse entretempo, oportunidade para, a diversos propósitos, dizer que “é a vida!”. Até a propósito do facto, por ela inquirido, de Fevereiro ter este ano vinte e oito dias a teve.
O homem, novo, chegou de Mercedes coupé com uma vistosa acompanhante.
Atendeu os nossos pedidos, explicou mal o facto de uma garrafa de 0,75 custar mais do que duas de 0,375 – as que exactamente trouxe para a nossa mesa – e ouviu o primeiro protesto vindo do Mercedes: “Mas onde é que está a tua mãe?” Reagiu com uma encolhidela de ombros e lá nos fez as sandes.
Enquanto procurava um frasco de molho para a sandes do J.J., ouviu uma buzinadela e um grito ainda com ar calmo. Nessa altura já o meu velho amigo se fazia entendido na matéria – Mulheres! São mulheres, a gente sabe.
O rapaz então confessou-nos que lhe tinha prometido uma escapadela ao Carnaval de Torres.
Ah, o Carnaval de Torres, disse eu que nunca lá pus os pés. Já o J.J. se mostrou ciente da coisa, dizendo que não fazia tenção de alguma vez lá voltar.
Entrementes, um rugido de motor e um chiar de pneus. O Mercedes ali à porta gritava a plenos pulmões: “Mas tu estás a gozar comigo ou quê?”
O homem saiu desarvorado, pegou no Mercedes, estacionou-o à porta do restaurante em frente e viu-a sair de queixo levantado e logo entrar pela porta do comércio antagonista.
Aí disse eu - casou com a concorrência este.
E disse-o já com os olhos fitos na vistosa balzaquiana que pilotava modelo da mesma marca ainda que mais familiar.
Deve ser a mãe dele – disse o J.J. – chegou afinal.
Um quarto de hora depois conseguiu convencê-la a tomar lugar no Mercedes e a seguir os caminhos de Torres. E nós, dispensada que fora a senhora que sabia o que era a vida quase no início deste episódio, comentávamos que ainda bem que tínhamos pedido logo tudo de uma vez, já que estávamos fregueses sem taberneiro a contemplar pela montra as formas abundantes da presuntiva sogra da carnavalesca moça, pois esta, saindo do seu veículo optara por uma conversa de circunstância com uma oportuna vizinha, a uma boa vintena de metros da porta do estabelecimento.
Quando achámos bem, o J.J. foi à porta com ar de quem quer pagar a conta.
Posto isto, baloiçaram-se os volumes a caminho da porta e do balcão, com um sorriso amplo que dizia “mas eu não sabia que os senhores estavam aqui!”
A isto retorqui eu que éramos – deveríamos ser - eu e o meu velho amigo, os arquétipos dos fregueses confiáveis, uma vez que estávamos ali de guardiões ia para uma boa meia hora.
A senhora exibiu ainda mais a volumetria, sorriu, e disse que ainda havia gente em quem se podia confiar.
Depois, o J.J. gabou-lhe o negócio e ela deu nota de uma noite em que fizera... milhares de sandes!
Chegada a coisa a tal ponto e rentabilizado o peixe, pedimos quitação exibindo o numerário.
Foi já na rua que o J.J. me confidenciou que não se importava de ter ido ao Carnaval de Torres. De Mercedes, acrescentou.
por MCV às 21:40 de 24 fevereiro 2009 