As datas e os medosReferi-me
aqui há três meses e tal à questão para muitos melindrosa da marcação das eleições.
Continuo ainda hoje sem saber qual a razão para se ter mudado em 2005 a data da eleição das autarquias locais, passando-a do 50º domingo (ou 51º num caso) para o 41º. Há-de ter havido uma e a ignorância é minha.
Ora, se como então referi, a eleição legislativa ocorreu sempre, salvo as datas simbólicas iniciais e as intercalares e antecipadas, no 40º domingo (ou 41º num caso), tal medida destinava-se a fazer incidir, salvo se viesse a haver novo desencontro de anos eleitorais, as duas eleições – legislativas e autárquicas – no espaço de uma semana ou até a fazê-las coincidir.
Não vejo que fosse de outra forma.
É por isso que acho agora absurda toda esta querela. Afinal qual terá sido a razão para se ter mudado a data em 2005?
por MCV às 05:55 de 27 junho 2009 
O xadrez protestante
Não sei há quantos anos foi.
Mas tenho a ideia de que já me interessava por xadrez. E precisamente por isso me encantei com o xadrez de cartão amarelo e verde que algum jornal ou revista do estrangeiro tinha oferecido aos leitores nesse dia e alguém deixou abandonado na praia, semi-enterrado e ainda com as peças todas por destacar da matriz.
A praia já não existe e nesse tempo era a favorita dos meus pais. Talvez por ser deserta. Raramente se via por lá gente e quando aparecia eram esses a quem chamavam protestantes. Quase sempre estrangeiros. E vinham de um acampamento ali perto.
Eu não gostava da praia por ser rochosa mas nesse dia o presente que alguém ali me deixou reconciliou-me em parte com ela.
Lembrei-me disto hoje nem sei por quê.
Gostava de saber se ainda o tenho algures.
por MCV às 23:26 de 25 junho 2009 
A lógica jornalística
Passou na RTP
uma reportagem sobre aquilo que muita gente previa que viesse a acontecer – a desorganização dos cadernos eleitorais, possibilitando, com as novas regras do Cartão de Cidadão, que alguém votasse “legalmente” duas vezes. No sítio onde já votava, não residindo, e no local de residência constante do dito cartão.
O que foi notável foi absorver a lógica da jornalista.
Perguntou a certa altura ao eleitor duplicado se alguém lhe tinha pedido o bilhete de identidade para acompanhar o cartão de eleitor.
E qual seria a relevância disso? Seria o facto do homem ostentar o bilhete de identidade (caso ainda dele fosse portador – disse que não) impedimento ou livre trânsito para votar
1, ou para votar em duplicado, posto que estava oficialmente registado em duas mesas de voto?!!!
Não seria a cor da camisa também relevante no caso? O penteado? A altura dos tacões?
Está, infelizmente, cheio destas premissas absurdas o jornalismo que hoje se pratica.
A cor da camisa seria demasiado absurda para se perguntar – o senhor votou com uma camisa verde? – mas qualquer coisa que pareça fazer sentido, embora não faça sentido algum, é usada para mostrar serviço.
Mostra muito mais do que isso, infelizmente.
1Atente-se apenas, a título de exercício inútil, na irrelevância da coisa:
Suponhamos que o cidadão em causa ainda detinha e usou o BI. Num dos locais ou nos dois.
Se o usou no local primitivo, tal não geraria qualquer tipo de estranheza, pois seria a rotina habitual, a menos que estivesse caducado e alguém reparasse em tal. O mesmo se aplicaria a qualquer outro documento válido de identificação. Se o usou no segundo, aplica-se tudo o que se disse anteriormente, à excepção de ser a rotina habitual, a menos que existisse nas listas uma referência explícita aos detentores do novo Cartão de Cidadão.
Se não o usou em lado algum, tendo usado outro documento válido de identificação (incluindo o Cartão de Cidadão) ou até a própria face, não se vê razão para que tenha isso relevância para o caso.
A única coisa que poderia eventualmente relevar de uma confissão do eleitor seria a ilegalidade por ele cometida de ter utilizado um documento que já tinha sido substituído por outro.
Mas essa ilegalidade seria por sua vez irrelevante face ao caso e ao que se pretendia demonstrar.
por MCV às 23:52 de 23 junho 2009 
Nos sapatos do fotógrafo enquanto jovem (cena 5)

talvez
deva datar a foto de cima do ano da graça de 1992.
por MCV às 02:57 de 22 junho 2009 