Não sou de DiasCom Dê grande, desses que...
Já ontem foi o equinócio e a
luz baterá sobre a minha secretária, tão logo as nuvens a desvelem.
Mas como sou incoerente, vamos à Árvore e à Poesia:
Da Árvore, que aqui se mostra, já disse o que
acolá se pode ler.

E da Poesia, venha o meu caro amigo SG, esse que se julga poeta:
Tempo gasto
Já gastei os últimos cartuchos
Que um sentimento perdurador me permitira guardar
E vi voar alto as aves que gritavam o teu nome inacessível
Sobre pinheiros de beira-praia.
Já não sei do tempo fácil em que a música era feita de estalidos de fogo
E do marulhar das searas e do mar.
Já a estrada que tinha significados de ti
Foi adulterada por tapetes sucessivos que esconderam memórias em traços contínuos
contidas.
Já o teu sorriso envelheceu longe de mim.
Qual de nós pedirá perdão desta distância que mensagens trai?
Qual de nós ouvirá o silêncio que o outro lhe propõe? SG, "Dizeres do Sul", 1993
por MCV às 15:57 de 21 março 2006 
Alguns factos ocorridosEnquanto...
Cristininha surgiu do nada, é claro. Cem por cento compatível.
Os únicos contras eram a idade, talvez dezasseis, segundo rumores nunca esclarecidos e o namorado com cara de...
No meio da festa e da indizível confusão que se espalhava pelas ruas, não mais nos largámos.
Que não soubessem de nós era o que menos nos importava.
A certo ponto e, depois de já ter esquecido a minha passagem anterior pelas ruas de Paris, onde um número absurdo de couves lombardas e repolhos apareciam pendurados de postes de iluminação e de qualquer outro local susceptível, ficando assim à altura das passantes.
E digo as passantes porque só passavam lindíssimas parisienses ora loiras ora morenas e todas sem excepção se referiam às verduras como
chittes. Só havia desacordo quanto às vantagens de as ter assim penduradas em tão grande número em todos os boulevards. Algumas faziam um esgar de incómodo, outras achavam graça e davam-lhes piparotes.
Dizia eu que, já tendo esquecido Paris, me deparei com o meu velho e fiel amigo, agora presuntivo cunhado, todo ele em rigores de matrimónio.
Fiz-lhe um reparo sobre o desalinho das espessas sobrancelhas, como se isso fosse importante. E notei a textura irrepreensível do tecido da sobrecasaca. Disse-me que tinha mais de cem anos, mas que lá em casa tinham um método ímpar de conservar o vestuário de qualidade. Julgo mesmo que mo chegou a descrever.
Para além disso, piscou o olho a mim e à irmã e disse que o passarão andava por aí à nora.
Resolvemos então pedir dispensa da cerimónia.
Depois de toda essa felicidade, chegava o momento da separação. Ela tinha que, impreterivelmente, apanhar o comboio das sete. Eu pedia-lhe por tudo que ficasse. Que amanhã seguiríamos de carro, evitando o trânsito do fim de semana. Que não podia ser. Que não tinha onde dormir.
E, de repente, a estação começou a encher-se. Ou já estaria talvez cheia, nós é que estávamos pouco atentos. Gente e mais gente que fazia filas para a única bilheteira. Filas para um só guichet. Claro que eram os retirantes da festa somados com os mochileiros do sudoeste, estranhamente não bradando pela Elsa.
Então, ao pé de onde ficava antigamente a curva do balcão, e onde se vê no chão a notável obra que algum mestre pedreiro fez com o padrão dos mosaicos de forma a acompanhar a dita curva, ela acedeu.
Corremos para minha casa. Para escolher os carros e dividir as pessoas por eles - era na época em que eu comprava tudo o que andasse e fosse barato, e às vezes não sabia bem onde é que deixava cada um.
Um dos que estava numa das primeiras esquinas era de casa. O impressionante desse tempo é que eu carregava sempre as chaves de todos os carros e talvez também a documentação.
Foi nesse que chegámos à porta. Lá estava mais um, cor de café com leite. E, na garagem, deviam estar ainda mais dois.
Não foi difícil convencer a família a albergar Cristininha por uma noite. O problema era só meu. E dela.
Dito isto, num hotel do Porto, enquanto a Maria entrava e saía do quarto a rir-se e a trazer informações do exterior, o meu Pai insistia em pintar a cabeça da vaca de madeira*, e talvez avivar-lhe os lábios, para assim poder sentá-la num banco do metro. A Maria era de opinião que, se lhe serrássemos os pés, ela cabia num saco grande.
Ninguém queria fazer isso.
*à escala 1:1, também dita escala natural.
por MCV às 12:16 
Cavalaria Mecanizada
A propósito de dois comentários recentes a posts sobre o meu fiel companheiro de jornadas, um do
Bekx,
aqui, e outro do
Bic,
acolá, aproveito para dar mais um acrescento à
imagem aqui postada já vai tempo.
Ainda falta um deles. Dos que mais me levaram por montes e vales. Depois há uma outra lista, que ainda farei aqui e que é a dos diferentes modelos que já me passaram pelas mãos. E são muitos.
por MCV às 18:47 de 19 março 2006 