Tempo & resultadoAinda há quem faça relatos da bola. E ainda há quem introduza o colega de reportagem com um sonoro e pausado “
tempo e resultado?”
Soou-me bem.
Soou-me bem. A mim, que nunca fui de futebóis mas cheguei a ser de relatos. Nas épicas quartas-feiras europeias de depois de almoço à noite cerrada. Em que os sons roufenhos da bola em rádios ocasionais exerciam uma atracção a ponto do “
quantos há?"
Soou-me bem, que foi golo do Sporting.
Soou-me bem, que algumas inflexões de voz do relator me fizeram lembrar o logro que eu não perdoava àqueles vizinhos de toldo que levavam o tijolo para ouvir o Benfica ou outro idêntico.
Era tiro e queda. Eles a ouvir um ramerrento relato e de repente, no rádio do lado, que era apenas um jornal megafonicamente enrolado, ouvia-se um vibrante golo, somando logo aquela pausa engasgável entre o
golo –
gooolo e o inevitável
gooooooooooolo. Era vê-los a mexer no botanito, naquilo que hoje se celebraria como zapping. Na primeira jornada era fatal.
Vejo agora que indo por aqui vou dar a uma dupla de atacantes que dava pelos nomes de Carapau e Peixeiro.
É melhor deixar a parte d’”A Bola” para outro dia.
por MCV às 23:14 
A Volta
imagem do site respectivoEra por aqui que se me dava ver passar a caravana:
1ª etapa – Ponte sobre a ribeira do Vascão (ver
percurso)
2ª etapa – Cruzamento de Alpalhão (ver
percurso)
3ª etapa – Entroncamento do Terreiro das Bruxas (ver
percurso)
4ª etapa – Curva da Ponte do Abade (ver
percurso)
5ª etapa – Ponte dita da Caniçada - a que é sobre o rio Cávado (ver
percurso)
6ª etapa – Ponte de Cavez (ver
percurso)
7ª etapa – Ponte sobre o rio Sardoura (ver
percurso)
8ª etapa – Ponte sobre o rio Águeda (ver
percurso)
9ª etapa – Ponte das Três Entradas (ver
percurso)
Mas é certo que não estarei por lá.
por MCV às 21:28 de 03 agosto 2007 
A ZambujeiraNunca fui um adepto da Zambujeira.
Ou melhor, nunca fui adepto da praia da Zambujeira.
A minha família materna passou lá férias
antes da minha chegada mas já se tinham mudado há muito para Vila Nova.
Havia os amigos que por lá se detinham nos anos 60. E era lá e ao Porto Covo que íamos mais pelo marisco do que por outra coisa qualquer.
Suponho que, por junto e atacado, terei molhado os pés ao pé do Palheirão uma ou duas vezes. Não mais. Dizia-se que era um mar muito perigoso em comparação com os outros da zona.
Por falar em perigos, também me recordo de um acidente grave que por lá se deu com um autocarro de gente que
ia ao 29. Na rampa da praia, nesse tempo um caminho de terra e areia. Terá perdido os travões, diziam. E lá foi parar ao fundo.
Depois houve a época do Clube da Praia. Anos 80. E as carradas que se traziam de volta.
Mas era só de noite que lá ia.
E resume-se a isso e a mais uns quantos episódios dignos de Rocambole a minha ligação a tal praça.
Assisti pois de longe à transformação do lugarejo que o meu Avô fotografou em 1932, podendo na foto contar-se, uma a uma, todas as casas, na actual estância de férias e em pólo de atracção festivaleiro.
Certo ano, ainda lá fui levar e buscar quem se atrevesse ao pó das canções. Vi de perto a grandiosidade da coisa. Com paragem no
Encalho.
Estou a ficar velho. E gosto dos James, que me deixaram de um outro ano belas recordações.
(pormenor de foto publicada aqui)Que Oeste será este? O do Alentejo, é certo que é!
por MCV às 22:58 de 01 agosto 2007 
Circulação arterial
Por via d’
O Céu sobre Lisboa, deparei com esta actualização da
página de história da JAE / IEP / EP.
Dois vídeos, um de
13 minutos, comentado e outro de
25 minutos, só com música de fundo.
A história da circulação arterial em Portugal continental desde 1927.
Valem bem a pena para quem gosta do tema. Pontes e estradas.
imagem da JAEPela parte que me toca, também lá revi parte da minha própria história.
por MCV às 21:06 
Valorizações morais e ciênciaSe a moral é qualquer coisa que varia com as sociedades e que emana valores que são mais ou menos partilhados, a ciência é, em todas as sociedades sem excepção, a busca do conhecimento. Ponto.
É com base nisto que não aceito que um cientista, qualquer que ele seja, introduza valores morais na argumentação científica.
por MCV às 22:16 de 31 julho 2007 
Alfa pendularDiz um responsável da CP que não é possível regular o ar condicionado dos Fiat do serviço Alfa para valores de conforto quando a temperatura exterior é muito elevada, acima dos 35º.
Digo eu que estas afirmações e o ar natural com que são feitas me faz lembrar a velha anedota dos armários para esquis em projectos importados de escolas para o meridião.
por MCV às 20:22 de 30 julho 2007 
As sandalinhas de plásticoNum dia de calma idêntico ao de hoje – que a temperatura neste escritório citadino não desce dos
30º e a Lua lá fora (quanto lá fora? muito ou pouco?) está cheia e parece ajudar, reflectindo as ondas, à festa – num dia de calma idêntico ao de hoje, um insuspeito comprador de cortiça sentenciou para quem o quis ouvir que já ninguém se lembrava da revolução do plástico.
Ao ouvi-lo dizer tal, passaram-me pela memória os vendedores de alguidares, de jarros, de vasos, montados nas suas Austin A 40, Ford Anglia ou Thames.
Ao escrever agora isto, também me vem à cabeça que quase nada resta da indústria automóvel britânica, um pouco à medida da
British Ever Ready Export Co..
Adiante.
Atrás. Ao plástico. Ao plástico e à calma. A noite vai de altas pressões.
E nenhumas altas pressões, calor algum me fazia andar na rua de sandálias. Impossível.
Inadequável. Jogar à bola de sandálias?
Mesmo aquelas coisas mais ou menos fechadas à frente mas que se afivelavam e deixavam os lombos dos pés à mostra, mesmo essas, a custo aceitava calçar.
Quantos pares de sapatos terei desgraçado com o futebol-pedra? E com a travagem dos carros de rolamentos, rua abaixo? E biqueirando o chão para fazer piras e matas? Isso lá era possível de sandalinhas?
Ao plástico? Pois era do plástico que falava.
Às sandálias de plástico, seja (as voltas que este tipo dá para chegar a uma coisa tão óbvia como umas sandálias de plástico).
Não sei bem em que ano quase me converti a tal coisa. Uma coisa deve ser certa, devia estar longe da minha trupe e perto das minhas primas. Com elas, seria pouco provável que se desenrolasse um muda aos cinco, acaba aos dez a qualquer altura.
Nessa óptica, talvez me tenha rendido a experimentar as coisas. Afinal era só para chegar à praia. Lá, poderia de novo chutar a bola sózinho mas de pés nus.
Mas a rendição não terá sido incondicional, creio. Parecia-me aquilo coisa de mulheres.
E depois fazia-me roeduras nos dedos, ali onde encaixava nos ditos.
Era razão mais do que suficiente para preferir calçado mais másculo. Sapatos, pois.
E assim foi, até um dia.
Um dia qualquer, em que a minha masculinidade já não seria posta em causa por um calçado duvidoso, ainda que cor-de-rosa ou assim, deixei que ela me comprasse uns.
E a coisa estranha foi que não me fizeram mal aos dedos.
Devo ter ganhado calo.
Já era pois mais do que altura para me esquecer da bola e da dificuldade que era correr à frente da polícia com tais coisas nos pés.
Dispensei-me de lhe contar das minhas reticências a tal tipo de solas auxiliares e comecei a olhar com um certo carinho para as sandálias de plástico.
No verão seguinte, dado não as ter transportado na bagagem, comprei outras. De cor diferente.
E no outro, idem.
Para aí ao terceiro ou quarto verão - se fosse no terceiro tinha sido na linha de cima, não façam caso, mas terceiro a contar do quê? - fazendo a habitual paragem de meio do caminho na casa da vila, vi no meu quarto um par a olhar-me assim que suplicantemente. Leva-nos lá para a praia. Não fomos feitas para o sequeiro. E, dando-lhes razão, carreguei-as comigo.
Mas não resisti a mudar de cor, uma vez mais. E lá juntei um novo par.
Desde então, juntei umas quantas cores diferentes. Depois deixei de ver tal calçado à venda. Falo daquelas mesmo oficiais. Que imitações e apegreides é o que não falta para aí.
Deixei de ir à praia. Ou quase. Penso se terá o caso a ver com a falta de sandálias de uma cor nova. Talvez.
As penúltimas que comprei eram dessas já especiais de corrida. Pretas e com o arco-íris nas fitas. Arco-íris? Pois! Nesse tempo longínquo era apenas um arco-íris, a luz visível.
As últimas, foram há dias atrás. São amarelas, de fita cor-de-laranja.
E têm um saúrio, unzinho só, assim à maneira do Escher.
Tem que estar muito calor aqui (fui ver – estão 29º) para eu escrever tanto disparate.
E publicá-lo. Coisa que vou fazer a seguir, mesmo que não faça sentido dizê-lo assim, depois de já terem lido (corajosos!).
É do calor, acreditem.
por MCV às 04:41 
БериевO que é que estes Beriev têm de novo, para os dos costume dizerem que é a primeira vez que combatem os fogos em Portugal?
O ano passado não contou? Estavam à experiência, isso soubemos por insuspeitas vozes. Mas estavam.
Beriev na ria de Aveiro - imagem da SIC N em 13 de Agosto de 2006
por MCV às 00:45 
Coisas assimAquilo que ouvi hoje em dois canais distintos de televisão, em línguas distintas, ilustra bem o estado a que chegámos no que respeita a informação, a jornalismo.
Para quem não sabe, houve
na sexta-feira em Phoenix uma colisão entre dois helicópteros ao serviço de televisões, que se dedicavam a seguir um tipo que fugia, de carro, à polícia. Morreram quatro pessoas.
Já todos vimos essas perseguições filmadas do ar. Se bem que sem acidentes de helicóptero.
O que me deixou de ouvido à banda foi a informação de que o caçado – que o foi mesmo – pode ser acusado por responsabilidade na morte destas quatro pessoas.
Haja ou não um fundo de verdade nesta afirmação, o resultado é igualmente absurdo e muito ilustrativo. E já agora, exemplar. Não sei é de quê, mais uma vez.
por MCV às 05:30 