23/06/2006

O Verão psicológico

À medida que nos afastamos da terra e dos seus ciclos produtivos, à medida até que os transformamos e adaptamos, a divisão do ano em estações tal como existe faz cada vez menos sentido.
Basta atentar nas vezes em que se disse e escreveu, desde que o calor apertou em finais do mês passado, que já estávamos no Verão. É frequente haver esse tipo de confusões tanto nesta época como com as chuvadas ditas de Inverno em Outubro e Novembro.
Seja lá qual tenha sido a razão que levou a simplificar as coisas, atribuindo nomes aos intervalos de tempo entre equinócios e solstícios e tendo com isso estendido implicitamente a essas fracções as características fundamentais da Natureza agrícola: sementeira, germinação, crescimento aéreo e colheita, essa razão é hoje insuficiente para explicar as características meteorológicas comuns de cada um desses períodos. Que na realidade não existem.
Ora o Verão é, para a maioria de nós, o tempo em que andamos com menos roupa. O tempo em que nos sentamos nas esplanadas. O tempo em que nos apetece com mais frequência bebidas frescas. O tempo em que procuramos as praias, que nos estendemos nas piscinas. Resumindo, o tempo quente.
Este Verão começou em finais de Maio. Toda a gente sabe disso. Quando acabará, não se sabe.
Os meus verões na praia Vasco da Gama acabavam sempre nas tardes de 30 de Setembro. Melhor dizendo, prolongavam-se ainda, para além desse tempo balnear, até à abertura da caça. E das aulas.
O Verão de facto.

22/06/2006

Talvez

Hoje mais tarde fale sobre o Verão psicológico.
Por enquanto, a única coisa que me ocorre é que os dias vão começar a minguar.
É aquela absurda perspectiva de futuros negros, aqui e agora.

Mudando de assunto, lá vai a praia Vasco da Gama, tal como a vi num mês de Setembro. Depois dos Setembros d'outrora. Muito depois. Em Sines.

21/06/2006

Emoções

Na minha juventude, julgo que como muitos outros, elegia no Verão uma música. Deixava que ela se entranhasse, da mesma forma que deixava entranhar as paixões.
Dei-me conta de que este ano devo à França as minhas paixões quarentãs.

Um rosto e uma canção(audio - ficheiro ram).

Uma entrevista por grande acaso, outra escutada bastantes vezes num anúncio. Na janela de televisão. Aqui no PC.
É Verão.

20/06/2006

Espólio (17)


Espólio Campos Vilhena - Foto de MSG

Baixo Alentejo, 1949

19/06/2006

Ericeira, 2006

Avaria

A avaria que não me deixava postar mais do que duas ou três linhas, alterar os templates, enviar correio, saber se recebia ou não todas as mensagens e aceder a alguns sítios, foi-se como veio.
Pelo pouco que percebi, foi coisa na Netcabo.

Aqui em baixo fica o post que consegui postar na Globo.
Jerónimo a 60° de latitude norte

Ou talvez na foz do Tejo.

Cá em casa, nunca foi hábito encadernar ou forrar os livros. Ficam como estão. E assim se vão gastando.
Àquele exemplar andava há algum tempo a tomá-lo por um livro emprestado em tempos a uma pessoa que o devolveu forrado.
Foi pois com alguma surpresa que vi que me enganara.
Tratava-se da obra premiada em 1927 com o prémio Goncourt e não do que eu pensava.
Quando resolvi desforrá-lo, a surpresa foi outra. Na tela - pois era em tela o forro - do lado de dentro, havia um mapa pintado.
Julgo tratar-se de uma margem do rio Tejo, pois as letras T E J vêem-se bem. Como bem se vê a legenda "Nacional", que eu talvez por deformação tomo como estrada. E como se identifica uma linha de caminho de ferro de duas vias.
Tudo isto não dá para grandes alternativas, dado o desenho e apesar das alterações que possa ter havido.
Mas o certo é que ainda não descobri onde isto é.
Nem por que carga d'água é que alguém desenhou este mapa em tela.
Muito menos por que é que forrou com ela um livro.
As últimas duas nunca saberei, claro.


(clique para ampliar)

E Jerónimo já está a 60º de latitude norte. Foi de barco.

(post publicado no Blogger da Globo em 16.06.06)