ProrrogaçãoFui prorrogado há exactos quarenta anos menos umas horas.
Porque a esta hora despedia-me do mundo, entre os gritos mudos das luzes das ambulâncias que cortavam a noite, enquadrada naquela janela de hospital.
É pois
ao miúdo à janela que me dirijo – nunca pensaste estar cá quarenta anos depois:
E que tal, pá?
por MCV às 20:36 de 04 novembro 2011 
ApuramentoDizem que o Sporting está apurado desde a 3ª jornada do grupo da Liga Europa.
Ora o grupo tem 4 equipas e 6 jornadas.
A única forma de uma equipa ficar apurada a meio do percurso, final da primeira volta, é gozar de um factor de desempate extraordinário que a ponha sempre acima das outras.
Será isso?
Ou será mais uma asneirada grossa?
adenda ainda a tempo: com um certo critério de desempate (prioridade aos pontos obtidos nos jogos entre equipas empatadas), é possível. Deu-me uma branca.
por MCV às 19:04 de 03 novembro 2011 
Inflexão*
Se as previsões estão, como eu pretendo que estão, a cada dia mais desacreditadas, isso deve-se a:
Uma maior massa de capacidade crítica absoluta – mais gente mais capaz de dar por isso a cada dia.
Um maior número de previsões e de fontes emissoras de previsões, que, ainda que não fazendo aumentar o número relativo de previsões falhadas, faz aumentar o seu número absoluto e a sua percepção.
Uma maior densidade de pontos de inflexão nas curvas estudadas e a predizer, que malogra os algortimos simples, baseados na derivada constante ou com pequenas oscilações.
Nenhum dos acima ditos.
*Homenagem a uma mente brilhante
por MCV às 18:05 de 02 novembro 2011 
LivrosEste era um livro que eu julgava ter nas estantes. Melhor dizendo, quando o comprei não pensava que já o tivesse lido e que me havia sido surripiado das estantes entretanto.
Não ligava a história ao título nem à capa. Sabia apenas que, na altura da compra, ele não constava das fichas.
A ideia que tinha da história centrava-se em dois pormenores: o das moedas iguais lançadas na máquina do tempo, uma para trás outra para diante, simbolizando a necessidade de massas iguais numa espécie de acção-reacção temporal e o do homem que poderia se ter encontrado consigo próprio – o que enfermava, na minha opinião nessa época já remota, de uma incompatibilidade conceptual decisiva.
Quando agora peguei no livro, só reconheci a história quando cheguei ao ponto das moedas viajarem no tempo.
Antes disso, uma coisa tinha-me impressionado: a expressão assinalada neste parágrafo:
E-book extraído daquiO livro data de 1957. Devo tê-lo lido na década de 70. Nessa altura esta expressão era apenas uma entre muitas que compõem visões artísticas do futuro.
Como se vê, às vezes acertam na
mouche.
Pesquisei e não encontrei nenhuma referência na net a este acerto.
Mais ninguém terá dado por ele?
por MCV às 22:17 de 30 outubro 2011 