Uma brejeira alegoriaUm enviado do professor Mamadu contemplou-me com mais um cartão de visita do dito.
Desta feita parece-me o papel um pouco mais grosso e em vez da caixa do correio foi o vidro do carro que tenho a cargo por estes dias, o sítio do contacto.
Ao ler que ele resolve todos os problemas, incluindo a
sorte ao jogo – estranhamente este currículo não refere que também resolve as
perdas na lavoura, coisa que tenho a certeza de já ter lido em iguais portfolios – lembrou-me um caso em que de facto tive esse problema, e a que já
aqui vagamente aludi.
Tratava-se de uma barraca de feira, onde os prémios correspondentes ao número saído na grande roda eram reclamados com senhas coloridas e carimbadas de livrinhos de rifas.
Do que sucedeu, nada sei a não ser que fui contemplado com uma bateria de cozinha por ter saído o meu número em vários sorteios sucessivos, de forma que arremetei panela a panela, tacho a tacho, um atado que levei orgulhoso para casa.
Suspeito hoje que o número de magalas entusiasmados com as generosas formas da criada que me acompanhava, multiplicado por um pré talvez recente tenha contribuído decisivamente para o sucesso, dado o entusiasmo com que concorriam com a minha sorte (ou vício?). Era Verão e estava muito calor, as roupas eram leves...
Hoje, não sendo Verão, é-o de facto. A feira há muito não existe. E o local onde se erguia não era longe de onde o ajudante de Mamadu deixou o eloquente recado.
A sorte ao jogo continua a ser um problema delicado. É ver as vezes em que todos somos contemplados em sorteios de lotarias ignotas. Não sabemos o que havemos de fazer a tanto prémio.