Feite Dáivares
Foi assim, mais ou menos assim, que o país inteiro se riu de si próprio.
E é assim, mais ou menos assim, que o país se queixa de si próprio.
Nada do que é essencial aparece como preocupação primeira. Não me espanta. Talvez assim tenha sido sempre, salvo no caso das grandes catástrofes.
Dos políticos, diz-se que são maus - também eu o digo, quando a mostarda me chega ao nariz e absurdamente almejo que sejam geniais - do povo, diz-se que é boçal. Creio que todos, sem excepção, podemos ser boçais. É tudo uma questão circunstancial. Talvez uns mais do que outros, ok. Mas a verdade é que dificilmente nos suportamos uns aos outros e que isso leva muitas vezes a esses extremos.
Não acho que este país seja pior do que outros. Será mais difícil viver aqui do que em alguns outros lugares, mas é seguramente mais agradável e menos perigoso do que na maior parte do mundo.
Voltando a encarrilar no que queria dizer de início, não me parece que haja grande novidade para nos fazer sentir mais insatisfeitos hoje do que ontem.
O que parece que há, e parece não só aqui mas um pouco por todo o lado, é uma insatisfação generalizada.
Insatisfação essa que não posso dizer de onde vem. Posso especular, conjecturar, apenas isso.
Há anos que digo aos que têm a paciência de me ouvir, que a Natureza (melhor dizendo, o Tempo) se encarregará de nos pôr no sítio. Seja pela guerra, pela peste ou por outra qualquer forma de que ela se lembre. Como se ela o não fizesse diariamente.
Esta insatisfação pode muito bem vir do excesso de segurança. Da vertigem do risco. Guerras aqui e acolá, em pequena escala, não foram o bastante para aplacar os ânimos.
É preciso mais tensão e mais energia libertada.
Andamos todos assim.
Qualquer zanga de comadres parece (se deseja que seja) uma catástrofe. Mas não é.