O véu das coisas
Para além daquilo a que se chama o politicamente incorrecto, conceito que na verdade me irrita embora julgue perceber o que quer designar, parece haver ainda uma outra categoria de afirmações (já não digo de acções) que está um pouco mais para lá dessa banda proibida.
É aquele conjunto de afirmações que, embora sendo racionais e provavelmente objectivas, entram em contradição com o véu cinzento comummente aceite.
História distorcida, verdades políticas, dados científicos mal apreendidos, subjectividades mascaradas, tudo isso constitui a rede que forma o véu.
E qualquer coisa que forme mancha de cor contra o véu cinzento, ainda que possua contornos bem definidos, é inevitavelmente uma heresia.
Não é essa a história do homem? A Idade Média já acabou?
por MCV às 20:52 de 23 outubro 2004 
Perguntas
As noites têm destas coisas.
Às vezes, fica-se a ver um espectáculo de TV pelo absurdo que representa.
Uma das coisas que uma noite destas ressaltou de forma quase obscena, foi a incapacidade total de algumas pessoas, que se diziam instruídas, fazerem a pergunta adequada à resposta de que necessitavam.
por MCV às 18:00 
Sondagens
imagem daqui
Esta palavra associei-a desde sempre a tubos metálicos, caixas de madeira, amostras cilíndricas.
Era sempre com algum deslumbramento que contemplava as mudanças de côr e de textura nas amostras agrupadas.
Hoje, quando a ouço, já sei que fala de outras coisas.
Espero sinceramente que a questão do túnel não se resolva tendo em conta os resultados de sondagens, no sentido hoje mais frequente da palavra.
por MCV às 19:34 de 22 outubro 2004 
Barómetro
Não faço ideia de quem primeiro aplicou a palavra barómetro à publicação de sondagens.
Ilibo desta os jornalistas.
Há-de ter havido uma boa razão para escolher barómetro em vez de termómetro, higrómetro, udómetro ou outro metro qualquer, incluindo o do Porto.
Mas se foi esse o termo escolhido, na certa que o conceito de pressão há-de ter tido o seu peso, a sua ponderaçãozinha na escolha.
Terá mesmo o lóbi das pressões feito a dita para que esta consagração se fizesse? Não sei.
O que sei é que algo não bate certo.
Sondagens à parte, diz-se tanta vez que as pressões aumentam, daqui e dali, e eu, na esperança de que o anticiclone dos Açores me proporcione finalmente uns belos dias de sol outonais, apenas vejo nuvens e apenas leio valores baixos nos
mapas do IM.
Aumentem lá as pressões, caramba.
por MCV às 20:25 de 20 outubro 2004 
O Código do OrçamentoCabe dizer que não fora o
post de Rafael Reinehr lá no seu
Escrever por Escrever e não me teria ocorrido penetrar no mistério que se segue.
A verdade é que a memória despertada do Código da Bíblia e a concomitância da apresentação da proposta orçamental para 2005, me levou ao exercício de procurar mensagens escondidas na referida proposta.
Assim, peguei logo no primeiro mapa -
RECEITAS CORRENTES.
Desprezei as colunas com índices e valores, atendo-me à das designações.
Lá fiz o que é necessário nestes casos, suprimir espaços, sinais gráficos, tudo o que não fossem letras, com uma única excepção - mantive os asteriscos que surgem quase no final do mapa. Pensei que poderia substutuí-los por letras. Fiquei assim com uma fita de 16912 caracteres.
Escolhi um passo ao acaso - 64.
Podia ser qualquer outro. A verdade é que foi ao acaso que escolhi este e foi o primeiro que escolhi. Não fiz qualquer outra experiência.
Mas para aqueles que gostam de tudo bem justificado, com a primeira coisa que vem à cabeça, pode sempre dizer-se que sendo 2006 o próximo ano eleitoral (parlamentar), 64 = 2
006.
O espanto veio a seguir. Ao analisar as palavras eventualmente formadas pelas letras espaçadas de 64 caracteres, e escolhendo apenas aquelas com cinco ou mais letras, já que muitas havia com uma, duas, três ou quatro letras, reparo que há poucas palavras repetidas.
Neste processo, algumas vezes optei por considerar a palavra com mais letras que era possível formar, quando se podia formar mais do que uma. Noutros casos, em que o número de letras era igual, optei sem justificação alguma.
O estranho é que uma palavra surge 20 vezes: LAURO.
O facto de a palavra PAIO, de apenas 4 letras, aparecer 19 vezes e PAIOS 2 vezes, sempre antecedidas de um S, leva-me a considerar que não se trata de um acaso, assinalando assim SPAIO (S.PAIO) presente 21 vezes.
Todas as outras palavras figuram apenas uma, duas ou três vezes. O que é curioso.
CAFAS, DANEI, SENAS e SILAS figuram 3 vezes.
ALÇADO, ASAIS, CORAI, CÓTIO, DANAI, LUCRE, NICOS, OSAMA e TINIAS, 2 vezes.
Há depois uma série de palavras com cinco ou mais letras que figuram apenas uma vez.
E há um único caso em que palavras de cinco ou mais letras surgem justapostas: LAURO+USAMA.
Não me parece que nada disto seja fruto do acaso. Sem testar outros passos, maiores e menores, e outros documentos desta proposta, atrevo-me desde já a concluir o segunte:
É evidente uma obsessão com S.Paio.
É evidente a constante presença de um misterioso Lauro.
É curioso que quase no canto inferior direito da matriz, surjam seguidas as palavras LAURO e USAMA. São as únicas palavras de cinco ou mais letras que surgem justapostas. Esta coincidência leva-me a afirmar, sem grande margem para dúvidas, que Lauro, Osama ou Usama são uma e a mesma pessoa.
Assim sendo, não restam dúvidas de que Osama Ibn Laden ou é prisioneiro do Estado Português ou tem paradeiro deste conhecido.
E de que a recompensa de 25 milhões de dólares actualmente oferecida pelos EUA é uma das parcelas das receitas extraordinárias previstas, mesmo que tal não possa ser dito e afirmado com todas as letras.
Aos mais descrentes, apresento
aqui a matriz do texto (622 K). Tem assinaladas todas as palavras que me foi possível identificar, com mais de três letras. Figuram ainda algumas siglas consagradas e uma ou outra palavra mal escrita que levanta suspeitas.
Dado o tamanho do gráfico, tive que eliminar as cores. A coisa ficou em tons de cinzento, evidenciando as palavras encontradas e diferenciando as que se encontram justapostas.
Estou certo que ao analisarem o documento, encontrarão ainda mais pistas.
E quem sabe, não substituem os asteriscos e descobrem algo mais...
por MCV às 23:18 de 19 outubro 2004 