Petite BeurreEstavas sentado ao meu lado nessa tarde, por isso te viste envolvido nos sucessos.
O homem entrou esbaforido. Tinha tido conhecimento de algo pouco antes.
Explicou sucintamente o que tinha que ser feito.
E o que tinha que ser feito era ir rapidamente a Leiria. E lá resolver a questão, custasse o que custasse.
Acedeste a ir connosco, sabendo que o risco era algum.
Pelo caminho, combinámos a táctica de amedrontamento que iríamos aplicar.
Escolheste um nome de guerra e um passado tenebroso. O meu seria Petite Beurre, dada a minha bizarra predilecção por tais bolachas, lá na Córsega.
Ainda hoje me custa acreditar que o homem tivesse acedido a ir connosco no carro, para o meio do pinhal. Não sabia ele o que o esperava.
Apenas nos apercebemos da tensão entre ele e o nosso comandante quando, da máquina de flippers, depois de impressionantemente teres batido sucessivos recordes de "play again", divisámos um esgar mais atormentado na cara do homem.
A seguir, deram-se as explosões. Ainda hoje, não sei se representámos bem ou mal a reacção.
Pagámos as cervejas, entrámos no carro ao sinal do chefe e seguimos de volta, enquanto ouvíamos uma balbuciada referência a um cunhado que dobrava varas de ferro.
A missão terminou quando ele voltou com um envelope e o entregou pela janela do carro. Já estava eu ao volante.
O chefe conferiu o material e arranquei. Pelo caminho, alguém confundiu as luzes de um prostíbulo com um incêndio, em plena E.N.1. Tu foste o que se sentou em cima dos pastéis de Tentúgal.
Quando chegámos ao km zero, ficaste a saber o que estava no envelope. Suponho que te terás rido por muitos anos, ao recordar esse dia.
Nunca mais lembraremos essas aventuras. Nunca mais musicarás umas instruções da revista "Crochetar" em tom de Samaritana.
Sequer assarás uma bola de borracha depois de a cortares aos gomos.
Vai em paz, amigo.
por MCV às 15:59 de 15 setembro 2005 
Um mistério
Foto de Henri Cartier-Bresson - Magnum PhotosHá anos que embico com esta foto que Cartier-Bresson tirou algures no Alentejo em 1955.
Nunca vi em lado algum identificado este local, esta estrada.
Estrada que não deveria ser difícil identificar.
O ângulo visível é o suficiente para se dizer que não há (não havia) muitas estradas no Alentejo com tão plana implantação e horizonte tão inóspito.
É sabido que tirou fotos nos locais assinalados abaixo no mapa da JAE.
Hei-de descobrir.
Mapa da JAE, desenhado por C.Teixeira
por MCV às 18:43 de 14 setembro 2005 
Vota jáOs meus conselheiros de imagem aconselharam-me a "rever" a barriguinha.
E a embeber-me mais no mundo real.
Acrescentei o cajado, tá claro. Torto.

O povo do Poço da Lebre não tem mesmo escolha.
por MCV às 01:13 de 13 setembro 2005 
Depósito de volumesNão sei de nenhuma afirmação absoluta quando se fala nas chamadas ciências humanas.
Tenho a impressão que nessas, como noutras, são os números, depois de tratados, que dão mapas.
Desses mapas se retira depois ou não alguma coisa. Algo que pareça que assim é.
A escola parece-me hoje um depósito de volumes.
Em nome de uma qualquer teoria de que se não conhece a base nem os contornos mas tendo muito provavelmente em conta a disponibilidade dos pais, a julgar pelo que se ouve, pelo que se lê.
As massas continuarão a ser massas, provavelmente cada vez mais massas.
Das nove às cinco ou em qualquer outro horário conveniente
por MCV às 18:17 de 12 setembro 2005 
Vota jáAlguém anda a dizer aos políticos, já há algum tempo, que o que eles têm é que dar a cara nos cartazes.
Eles
acreditam.

O povo do Poço da Lebre
não tem escolha.
por MCV às 17:11 