Jornalismo de “qualidade”
Um rapaz sem noção da História nem da Geografia explica, com recurso a mapas, por que é que a Rússia não quer a Ucrânia na NATO.
Um outro diz que algures havia "um cheiro químico".
Ainda um outro leu uma notícia que soou como a estafada expressão "Quarteto Três Irmãos, Pedro e Paulo". O número que pronunciou ao início e o número que pronunciou a meio, não havendo um no fim, mas respeitantes à mesma grandeza, eram diferentes. Não se deu conta.
Uns apenas papagueiam o que lhes é escrito por pares igualmente qualificados, outros opinam com a clarividência que lhes é própria.
Não raro somos confrontados com o deslumbramento juvenil dos ditos, face à História do Mundo. Epifanias.
Nessas alturas, tendem a explicar-nos com alarde aquilo que acabaram de entender.
Nada disto é novo. Já há quarenta anos, um dos meus tios se divertia a registar num caderninho as calinadas das caras da televisão. Mas hoje está muito pior, há muito mais gente infantil e sem capacidade de raciocínio a ler notícias.
por MCV às 16:40 de 16 abril 2022 
Путин
Um certo dia, passou aqui a tiro. Por detrás das barreiras da auto-estrada.
Minutos ou horas depois, os ares de Mafra deram nisto:
por MCV às 16:05 de 15 abril 2022 
Pronúncia e palavras
Custa-me ouvir pretensos especialistas portugueses residentes no estrangeiro que falam com pronúncia e palavras estrangeiras.
Conheço gente capaz que reside há décadas fora de Portugal e fala com um sotaque nitidamente original e usa as palavras correctas do Português sem encalhes.
Se esta gente é especialista, a sua qualidade intelectual é basto duvidosa.
por MCV às 14:22 de 14 abril 2022 
Rendo-me
Há uma senhora no Ministério que, de há uns tempos para cá, talvez por afinidade visual, me deixa algo intrigável.
Ela tem mesmo aquele subido e já longínquo encanto?
Intrigável - o m.q. intrigado, no vocabulário de meu defunto amigo P.
por MCV às 13:52 de 13 abril 2022 
J. B.
O homem, que tinha notoriamente um perímetro cefálico abaixo da média e me fazia lembrar um velho conhecido igualmente irrequieto, espreitava com desmesurada insistência, a espaços como sezões, os televisores desligados.
Parecia esperar que deles brotasse a informação de que era a sua vez.
Quando o altifalante debitava outros nomes fazia esgares de indignação.
Durou isto tempo infindo. Até que fiquei a saber o seu nome.
A minha vez ainda não tinha chegado.
por MCV às 15:47 de 12 abril 2022 
Tira e põe
O conjunto de contribuintes e o conjunto de consumidores finais não serão exactamente sobreponíveis mas têm uma larga mancha comum.
Quando a política é feita de malabarismos, opera-se um
tira e põe entre impostos directos e indirectos.
Paga sempre o mesmo. Mas os responsáveis apregoam as medidas de
tira e põe como sendo lanças em África.
É a pobreza que temos.
por MCV às 20:09 de 11 abril 2022 