A quem cabe a culpa?
A história remonta ao dia em que os homens criaram a culpa. Causa-efeito. Acção-dano. Culpa. Culpado.
Desse dia em diante nunca mais deixou de ser procurado o culpado. Foi identificado, nomeado, incensado e adorado, temido e excomungado, louvado e decapitado.
E continuou a ser procurado. Até hoje.
Ao ouvir a história do julgamento dos peritos que não previram o sismo de Áquila coada pelo jornalismo, pode em primeiro lugar parecer absurdo que tal julgamento tenha tido lugar, muito mais que tenha havido condenações.
É um episódio no limiar da loucura. Da loucura que se tornou normal. É que tanto pode ser um fruto dessa loucura como um acto são que visou condenar determinado tipo de actuação. Digo actuação e não omissão.
Só navegando boas braças no meio do caudal noticioso, evitando o lixo que ele transporta a grande velocidade, se pode ter uma pálida ideia do que é que esteve em causa.
Lendo duas ou três
notícias, ouvindo vinte ou trinta noticiários, não se percebe nada.
Apenas que o culpado continuará a ser procurado. Encontrado alguém a quem sirva a opa, será amado e odiado, premiado e queimado.
E a demanda continuará.
a propósito: Voltou a haver aumento de actividade no banco de Josephine, à semelhança do que ocorreu em Junho. Era disso que se tratava ontem.