A peste
Estamos aqui às voltas com os primeiros passos da epidemia.
Na peste e na guerra, sendo que
peste é aqui mais uma vez uma lata palavra, é que se diferencia em absoluto a conversa para as massas e entre os que as dirigem.
É natural que se digam muitos disparates às massas. Não têm faltado todos os dias.
O que preocupa – e me preocupa sempre – é pensar que muitas das pessoas que se dirigem às massas com argumentação irrazoável estão de facto convencidas do que dizem.
Ouço hoje um responsável dizer que o facto de a taxa de incidência da doença ser em Portugal mais baixa do que em outros países é mérito da acção do governo.
Não sei se ainda hoje há pessoas no aeroporto à espera dos voos de Cancun, convertendo-se elas próprias em veículos de propagação. Não sei se há mas já houve.
Não sei se há alguma noção de como lidar com situações deste tipo que sejam realmente graves e não como esta, que até agora tem correspondido às minhas expectativas de benignidade. Nada nos garante que não piorará e nada me garante que há um mínimo de noção de como atenuar os efeitos de tal. Que impedir uma peste de se propagar todos sabemos que ainda não conseguimos fazer.
Apercebo-me é de que o discurso político parece corresponder aos meus temores – eles estão de facto convencidos do que dizem.
Afinal, talvez seja isso que faz deles políticos.
gráfico feito a partir dos dados da OMS.