A minha aranha de estimação afinal vinha de fábrica
Voltou.
Fui ver ao Manual de Instruções.
por MCV às 19:32 de 26 outubro 2013 
Não é loucura
Não
é loucura, é mesmo debilidade mental.
Os loucos, por vezes, vêem longe. Estes desgraçados não divisam para além do nariz.
por MCV às 22:04 de 25 outubro 2013 
Taxa
Pagamos nós a taxa para que um conjunto de analfabetos confunda tromba d’água com tornado. E carga d’água com tromba d’água.
Quando vêem uma tromba d’água chamam-lhe tornado.
Quando cai uma imensa
carga d’água algures, dizem que foi uma tromba d’água.
Qualquer que seja o valor da taxa, é alto demais.
Nota: esta coisa do YouTube é igual a internet. Não tem autoria. Se eu disser RTP não digo televisão em geral, digo que é alguém que trabalha para tal casa.
A imagem acima parece ter saído de um filme de José Luis Leal.
por MCV às 21:21 
A minha aranha de estimação
Uma aranha é uma aranha. É a própria teia. É uma espécie de enredo em que nos metemos e do qual muito dificilmente saímos incólumes.
Que gand’aranha! – exclamaria o meu velho M.O. para os seus botões ao passar por mim sem me cumprimentar e vice-versa. Incógnitos. Era disso que se tratava. De uma gand’aranha onde entrávamos todos ou cada um e da qual saíamos, ou nem sequer isso, chamuscados e mais vividos.
Uma aranha é repulsão. Insecto desprezível e exterminável nos sonhos mais duros.
Uma aranha diz que é dinheiro. Que quem mata tal bicharoco imita os chineses que apontam para fora, para a perdição.
Há alguns meses, dei-me conta de que existia uma teia de aranha no espelho retrovisor da porta do condutor do meu carro.
Como o carro é utilizado, achei estranha a coisa e limpei-a sem grandes detenças.
Surpreendeu-me, sim, que no dia seguinte lá estivesse outra teia.
E no outro. E no outro.
No dia em que me resolvi – o carro estava razoavelmente limpo – a passá-lo pelas mangueiras de alta pressão e fazer incidir o jacto nos arredores do espelho, julguei ter a coisa resolvida. Ledo engano. Não no dia seguinte mas na semana seguinte, teia. Aranha. Enredo. Todavia nunca havia visto o bicho. Só a irrevogável teia.
Foi mais ou menos por essa altura que decidi deixar de importunar a aranha e considerá-la, à revelia, animal de estimação*.
Quando começaram estes dias de chuva pensei que a minha companheira de viagens me abandonaria por outro lugar mais recatado.
Ora, ontem, tendo o carro coberto de folhas secas, mas molhadas, que a chuva projectou sobre ele, vislumbrei-a finalmente. Deslocava-se do lado esquerdo do vidro para o direito, mais ou menos a meio da tabela, entre a folhagem. Deixei-a passar antes de fazer rodar as escovas.
Hoje não mexi no carro. Sempre quero ver se, removendo a teia, ela voltará, irrevogável.
*
hei-de contar a história do gato. Dos gatos.
por MCV às 19:52 
Portugal fotografável
Na sua parte continental.
Cerca de 20% dos pontos estão colocados.
Só valem as fotografias posteriores à
numbaro um.
por MCV às 03:41 
What?
When and where can you read the full: fool looming to steps the women who will win the lottery I’m lying low line below year so the year we cannot lot will await the league and singling rolls around around the mall coastal. – alguém que adivinhe o que
ditei eu ao reconhecedor de voz do Word para sair tal período.
por MCV às 18:03 de 23 outubro 2013 
Entrevistas
A entrevista a José Sócrates que o Expresso publicou só contém elementos que reforçam a minha apreciação do homem: intelectualmente muito fraco, com tendência para declinar autores e propenso a epifanias.
A entrevista de Maria Luís Albuquerque à SIC revela dela uma inconsciência social grave ao referir-se aos seus rendimentos e padrão de vida. Não tenho dado atenção à senhora ao ponto de dela ter uma imagem da sua capacidade. Apenas noto que ou não percebeu como vive a maioria dos portugueses ou acha que se pode comparar com essa maioria.
Sócrates passou, deixou estragos e espera-se que não volte.
Maria Luís Albuquerque faz parte de um governo cujos membros têm que perceber que têm que ter uma imagem de quase santidade para que o país acolha de boa mente a necessária revolução que é necessário fazer.
Não há dúvidas quanto ao caminho pedregoso que teremos pela frente. Só os simples, muito simples, clamarão por relva macia.
Não há dúvidas que guiar um povo por tal caminho pouco viável é tarefa para gente sem queixumes. Nem rabos de palha.
por MCV às 21:38 de 21 outubro 2013 
Um outro tempo
Os homens já escreveram sobre quase tudo o que importa. E o quase refere-se, em negativo, à insignificância que resta – os fenómenos que nunca antes se apresentaram como desafio, como prova. A história que contarei está pois farta de ser contada.
Os urbanos, a partir do momento em que as cidades proliferaram, não tiveram dificuldade em esquecer as regras que é necessário seguir para não lutar contra a corrente dos caprichos da Natureza.
No campo, não esquecendo tal, procurava-se domesticar o ambiente. Tendo talvez a ideia que tal domesticação era incerta.
Vem isto como introdução de uma pequena história que ouvi as vezes suficientes para a saber contar sem lhe acrescentar ou retirar muitos pontos:
O homem passava amiúde à porta do rapaz que se fazia encontrado a fim de que aquele lhe atirasse do cimo da montada uma ou mais moedas.
Tornaram-se com o tempo cúmplices daquele jogo. E de certo modo próximos.
Quando o rapaz, já regressado das sortes, caminhava com dois taipais, cada um em seu braço, a fim de dar início à empreita do adobe para a casa, foi surpreendido pelo velho que o desaconselhou – não comeces já que o tempo ainda não está seguro e ainda te leva as paredes numa chuvada.
O rapaz, determinado mas afinal atento ao que o velho lhe dizia, matutou e esperou. Dias depois veio uma carga d’água que provavelmente lhe teria atirado por terra parte do trabalho.
O valor desta história, igual a tantas outras, está no facto de o velhinho quase nonagenário ter bem presente a lição que aprendeu quando dava os primeiros passos da maturidade – ouvir os que mais devem saber e desconfiar da Natureza.
Os urbanos actuais, a que podemos chamar burgueses, e que herdaram de sucessivas gerações a ignorância das regras da Natureza, quando confrontados com um período longo de paz e de prosperidade, como é o caso agora, já não só ignoram tais regras como as negam.
Acham-se no direito de querer sempre mais e melhor. Um retrocesso é para eles coisa inconcebível e atentatória de um direito que se pretende divino a não andar para trás.
Há muito que se alhearam do jogo em que se perde e se ganha. Foi-lhes assegurada uma condição de vida em derivada monótona e positiva por aqueles, e são muitos, que perdem e que ganham consoante a monção.
Não conseguem já ver para lá da cortina que têm à frente dos olhos.
por MCV às 18:34 de 20 outubro 2013 