12/07/2014

Jornalismo

Uma amiga, jornalista, afirma-me por vezes que para trabalhar em certas redacções é preciso ter um défice cognitivo. Ela até o diz com mais veemência.
Afirmação essa a que eu respondo confere.
Hoje, houve um problema com um avião da TAP que foi obrigado a regressar a penates, depois de qualquer coisa ter acontecido supostamente com um dos reactores – toda a gente já ouviu a notícia.
Diz que caíram peças que acertaram em carros no enfiamento a norte da pista.
Ora o trato que lhe é dado é de génio – entre os passageiros não houve feridos, sequer algo a assinalar.
Supunha eu, e talvez a minha amiga, com quem não falei, que seria de esperar que fosse dito que no chão, onde caíram coisas do céu, é que não houve feridos.
O avião, já se sabia, regressou à base apenas com menos umas peças.
Se isto não é atraso mental, é o quê?
Razões

Qual será a razão pela qual se valorizam nas reportagens os depoimentos dos que se indignam com as baixas numa guerra?
Quadros frequentes sempre que a guerra entre israelitas e palestinianos se reacende.

11/07/2014

Jornalismo

Quem se mete a ouvir as notícias do país, no programa Portugal em Directo, tem a oportunidade de confirmar a qualidade da informação.
Citando de memória:
[Na Santa Casa] ... estão expostos objectos da Misericórdia de Lisboa e das outras catorze Misericórdias existentes no país.
Logo na notícia a seguir:
[Em Coimbra] ... a procissão da Rainha Santa pára na antiga Ponte da Portagem.
Esta gente não sabe nem sabe que não sabe?
Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença décima quinta

O paternalismo intelectual propicia a infantilidade dos filiados.

10/07/2014

Das divisões do Mundo (episódio n+11)

O Mundo também se divide entre os que habitaram quartos com nome e os inúmeros outros.
Beja, 2014

09/07/2014

Requiem pelA Palmeira

Calculo que A Palmeira tivesse uns oitenta anos. Pela datação das fotos em que era pequena, pela época em que o meu Avô a mandou plantar.
Já a conheci adulta, dando nome ao Largo.
Primeiro foi o largo e as oliveiras (seriam oliveiras?) que a enquadravam que desapareceu. E com ele o campo da bola e os bancos de betão que eram balizas.
Numa cedência democrática ao alcatrão e ao viarismo de rodas de borracha.
E agora, velhinha, A Palmeira apanhou com o escaravelho feito praga. Não a vi a morrer. Quando fui ver dela já só encontrei o Largo. Com uma placa – as placas são coisas recentes lá na vila – a dizer dA Palmeira.
Talvez o nome se mantenha por mais uns oitenta anos. Por mera inércia.



A praga de escaravelhos que está a dizimar as palmeiras é um assunto tabu?
Não se lê, não se ouve falar dela.

08/07/2014

Se

Se um Filipe de Espanha está na cidade, o homem não está.