EsbanjamentoEle há ene parábolas sobre o investimento interno e impulsos à economia.
Colou-se-me esta por me ter sido transmitida em muito tenra idade:
Dois amigos, produtores de vinho, resolveram ir à feira com uma barrica cheia meio por meio com o vinho de cada um, vender a copo a mistura. A dez tostões o copo de três.
Estando a feira sem grande movimento, um deles disse ao outro: visto que o vinho é dos dois, e que metade portanto me pertence, toma lá cinco tostões que eu vou beber um copo, que estou cheio de sede.
Não tardou muito que o sócio pronunciasse iguais palavras, devolvesse os cinco tostões à procedência e refrescasse as goelas.
Não tendo o negócio corrido nada bem, acabaram por dar por eles (ou não dar de todo) de barrica vazia e sem mais uma cheta do que tinham à partida.
Como disse, esta parábola nunca me esqueceu. A prova aqui está.
Do muito que se supõe ser esbanjamento, despesa estúpida, gordura despesista, o que lhe quiserem chamar e já chamam, retenho aqui hoje três exemplos menores que todavia espelham bem a atitude do Estado:
Aqui no prédio onde resido, há cerca de cinco anos que um dos meus vizinhos recebe quase com frequência quinzenal na sua caixa de correio, tendo o cuidado de a colocar em local bem visível para devolução, uma carta das Finanças destinada a um certo Fulano que aqui não reside e cujo nome se pode confundir com dez mil outros. Ainda nos serviços ninguém se apercebeu da inutilidade e da burrice que é mandarem para a caixa de correio do meu vizinho tal coisa recorrentemente. Isto não custa dinheiro.
A Câmara Municipal de Sintra, para a qual contribuo como munícipe, resolveu através dos seus SMAS enviar
duas vezes para cada contador de água um boletim A3 em papel acetinado onde, para além do tarifário em vigor, constam uma série de informações de preços praticados pelos laboratórios de análises à dita água, bem como de outros serviços que em nada relevam para o consumidor comum. Fê-lo com fotografias a cores e tabelas igualmente coloridas. Isto não custa dinheiro.
O serviço público denominado “Saúde 24” ofereceu uma quantidade indeterminada de bonés vermelhos com a inscrição “Saúde 24 – 808 24 24 24 – O número que o liga à saúde” na última Volta a Portugal em Bicicleta.
Poder-se-á dizer que é de toda a utilidade divulgar este número, de cujo acesso podem depender decisões de vida ou de morte. Não sei se assim é, mas dou esse desconto.
Só me pergunto se não há formas mais eficazes e difusoras de mostrar este número. E se não custam muito menos dinheiro.
Adenda ainda a tempo - A senhora Ministra da Saúde
disse em tempos que a Linha Saúde 24 era uma parceria público-privado, como agora é moda dizer-se.
No
site da dita linha, a custo se percebe que há por ali uma sociedade anónima. Presumo assim que a parte da despesa é toda suportada pelo sector privado. E que os bonés nada custaram ao contribuinte.