Do melhor pior que há*
Os tipos do Blogspot conseguiram arranjar maneira de complicar o que era simples.
Acontece sempre que há uma tentativa de adaptar ainda mais às massas o que às massas já está acessível. Uma espécie de paradoxo.
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com preito a um primo que gosta de usar esta expressão.
por MCV às 00:32 de 21 abril 2012 
Números
A única questão que as presidenciais francesas parecem suscitar é saber se a soma dos votos dos candidatos ditos de esquerda ultrapassa ou não à primeira volta os 50% dos votos expressos.
Na V República, apenas sucedeu uma vez – em 1981, quando Mitterand foi eleito para o primeiro septanato.
Parece pouco provável. Mais provável é que ultrapasse os 45% de 2002, quando a habitual corte de imbecis
bradou que a França virara à direita, quando na realidade os votos à esquerda haviam superado em percentagem (45% contra 41%) os obtidos sete anos antes.
Desse brado resultaram os tradicionais desmandos nas ruas.
Observe-se que a esquerda obteve sempre que logrou passar, uma percentagem maior de votos à segunda volta.
por MCV às 00:21 
Do fimHaverá quem tenha a necessidade de deixar para os tempos depois da sua morte um legado de segredos.
Um legado que contenha informação desconcertante, que tire aos outros a imagem que dele tinham, substituindo-a por outra.
Dele constando ou as peripécias acontecidas a monte ou os desejos nunca revelados ou as antipatias superadas a custo ou os sonhos sonhados ou as obras escondidas. Ou tudo em conjunto ou em combinações de subconjuntos.
Na literatura haverá cópia de tais instâncias. Umas mais à vista, outras não.
Ocorre-me fazer uma escolha de tais elementos, codificá-los com esperança num destinatário incógnito e esperar, depois de morto, pela satisfação de os ver decifrados e absorvidos. Não por quem de mim tenha uma imagem formada mas por um longínquo leitor.
Vai-se o impacto da desconcertação observado da tumba, fica a esperança de um interesse qualquer.
por MCV às 23:03 de 19 abril 2012 
Um século e...Há exactamente 100 anos, ocorreu um eclipse do Sol cujo máximo se projectou a cerca de 160 km a WSW do Cabo Raso.
A linha de maior eclipse cortou o país na direcção SW-NE, tendo, ao que rezam as crónicas, Ovar sido considerado o lugar onde a observação seria mais proveitosa, por ser o local em terra sobre a linha de maior eclipse mais perto do seu máximo.
No entanto, a minha fotografia favorita é esta. Aposto que foi tirada antes da ocultação estar no máximo ou, em alternativa, que se trata de uma excelente representação para o fotógrafo, dados a luminosidade e o contraste.
Atribuída a Joshua Benoliel e tirada onde?

Já
A Capital traz este boneco de Silva Monteiro* que nos diz que passado um século, tudo está igual no ex-Reino de Portugal.

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Quem me decifrou a assinatura foram a Teresa e uma colega sua, a quem agradeço.
A fotografia atribuída a Benoliel está depositada no Arquivo da CML sob a cota B093963.
A Capital pode ler-se na Hemeroteca Digital da mesma CML.
por MCV às 21:25 de 17 abril 2012 
A semânticaSofre evoluções ao ritmo da vertigem comunicacional.
Uma palavra recomendada passa com grande facilidade a palavra proibida (e hoje há ene palavras proibidas pelo dictatum do autoritarismo dito politicamente correcto que inda ontem eram canónicas).
O intervalo de tempo que leva a adquirir o tal significado que é classificado como daninho é o de um fósforo a arder.
Ardem hoje palavras soltas como outrora arderam alinhadas em livros.
por MCV às 03:44 de 16 abril 2012 