Leitura
Já terminei a leitura do estudo “
Por um Portugal amigo das crianças, das famílias e da natalidade (2015-2035)” e devo dizer que confirmou em quase tudo
as minhas expectativas.
O título é “migucho”, como manda a moda. O conteúdo tem no meio de muita palha, lirismo, achismo e outros inertes, alguma coisa que se aproveita – uma pirâmide etária apontada a 2060 que só por grande acaso corresponderá à realidade da altura mas que mostra o aspecto em árvore de copa redonda que, sucessivamente emagrecida, simbolizaria o andamento da nossa demografia fossem as taxas arbitradas constantes.
Tem ainda uma colecção de medidas adoptadas em países europeus que recuperaram de quedas na natalidade.
Não tem qualquer menção ao facto de, a nível global, existir uma razão inversa entre desenvolvimento e riqueza de um lado e natalidade do outro.
Na página 72 surge este parágrafo:
“De seguida podemos ver, para os países com maior ISF1 e para os países com mais baixo ISF, a relação com o PIB, a taxa de emprego e o IDH-Índice de Desenvolvimento Humano. São valores que deixam bem claro o nível de disparidades existentes no seio da UE e uma relação nem sempre linear entre os níveis de desenvolvimento económico e social e os indicadores de fecundidade.”
Não se ficando a perceber se uma relação nem sempre linear é uma relação nem sempre inversa ou nem sempre directa.
1Índice Sintético de Fecundidade (ISF): número médio de nados vivos por mulher em período fértil.
Grato à Rádio Renascença por ter disponibilizado o estudo.
A comissão que tal relatório fez era oficial ou partidária?