01/03/2014

Falar do que não se sabe

Uma avassaladora parte dos comentários que a rede proporciona aos simples é uma imagem da ignorância pura e dura. E da inevitável falta de racionalidade. Mas não é desses, que muitos serão, que me ocupo agora a respeito do jogo do Sporting com o Braga e do golo do Braga.
Aqui a atentar nos comentários à bola na televisão, ouço que Rui Patrício se redime do auto-golo ao efectuar uma defesa aparatosa.
O auto-golo resultou, para quem não sabe, de um ressalto da bola no poste e em seguida no pé do guarda-redes do Sporting.
Não é preciso ter jogado à baliza e ter sofrido um golo semelhante (no meu caso a bola veio do poste para a barriga da perna e voltou para trás, para dentro da baliza) para se perceber que evitar um golo tal é uma tarefa impossível. Pode sempre dizer-se que o problema não está em evitar o ressalto na perna ou no pé, está em evitar que a bola chegue a embater no poste. Aceito que sim.
Mas tratar um golo sofrido em tais circunstâncias como um frango não é só falar do que não se sabe é a mostra da tal falta de racionalidade.

28/02/2014

E já lá vão 45 anos

Desde o grande abanão.


do arquivo online do Diário de Lisboa do acervo da Fundação Mário Soares
A propósito


John Leech, 1856
Juízo de intenções

Na próxima semana dar-se-á início a um badalado juízo de intenções no tribunal em que será réu Oscar Pistorius. Coisa que sendo parcialmente transmitida pelas cadeias de televisão fornecerá uma bela oportunidade de nos aprazermos com os paroxismos da irracionalidade. É certinho.


fotografia de Siphiwe Sibeko para a Reuters via NY Daily News

27/02/2014

Outra vez apanhado de surpresa

Por um Entrudo ainda por cima serôdio.

26/02/2014

Lembranças de casos esquecidos

Um dos últimos naufrágios de navios cargueiros junto à costa portuguesa ocorreu há um quarto de século, a 26 de Fevereiro de 1989.
O cargueiro nigeriano River Gurara, em rota de Lagos para Dublin, ficou sem máquinas e esmagou-se contra os rochedos da orla sul do Cabo Espichel, no meio de intenso temporal.
Consultando a rede, percebe-se que é um acontecimento apenas assinalado pela comunidade de mergulhadores desportivos, que até colocou no local uma placa comemorativa dos vinte anos do desastre.
A rede tem uma representação da História distorcida pelo seu próprio aparecimento – os factos posteriores à sua vulgarização estão sobre-representados face aos que ocorreram antes.
Deste desastre, recordo particularmente a polémica à volta da inexistência de um rebocador capaz de operar em alto mar. De facto, nesse dia havia um rebocador desses, holandês, no porto de Lisboa mas não saiu a tempo e horas ou porque tinha problemas ou em consequência de um bizarro episódio burocrático.
A fragata Hermenegildo Capelo, operando em condições muito adversas, conseguiu resgatar 27 dos 46(?) ocupantes.
O que resta do navio é hoje, assim, um ponto de interesse para os praticantes de mergulho.


ilustração de ... ? (assinatura ilegível) encontrada no sítio da Nautilus-sub