H Gasolim Ultramarino UM BLOGUE COM SOTAQUE ALENTEJANO
escrito por Manuel Campos Vilhena |
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Ano VII Pargos e pontes, que sei eu?
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É o clima ![]() imagem adaptada do Google Maps Andava com o Sporting atravessado na garganta das teclas há demasiado tempo. Nem sequer a sondagem caça-moedas de há dias me fez rir. Se há um problema com o relvado de Alvalade, e é claro que há; se há um problema com a desorientação da equipa, e é claro que há; se há, ou havia um problema que se revelava na expressão facial de Paulo Bento na maioria das vezes em que o focavam no banco, e era claro que havia. Se há tudo isso, sendo claro que era (e será, para mal dos pecados dos sportinguistas) tudo isso verificável, alvitro que a questão é climática. O centro de altas pressões que se instalou sobre o estádio, matou o relvado à míngua de água, actuou sobre as amígdalas cerebrais dos jogadores, comprimiu os pontos na respectiva tabela e, mais do que tudo, provocou a confusão lexical entre banco e banco. Entre reservas e reservas. E, pelos vistos, dilatou o tempo. Ouvi falar em quatro meses. Na minha opinião nada disto é novo. Infelizmente. São exigidas alterações climáticas. Sem mais delongas. Quem é que irá entregar os presentes? ![]() (com a devida vénia ao escultor Aureliano Aguiar) A serem verdade os rumores que correm já há dias sobre a prisão preventiva do Pai Natal, quem irá distribuir os presentes nessa noite? No corredor de Juliette E eis que o homem esperava. Não que pudesse dizer que à sua frente tinha um corredor vazio. E uma porta para outro mundo lá no fim. Havia um Eurico mais abatido, menos dono do lugar, acompanhado de sombras. Como que inversamente proporcional à preocupação do homem, em função de Eurico. E eis que ela surge, lá do fundo, macilenta e terrivelmente bela, de olhar quase cego. O homem continuou a esperar. Eurico II e as suas sombras internaram-se no corredor. O homem continuou a esperar. Deu-se conta de que ela estava ao balcão da secretaria. Nas suas costas. Quis saber-lhe o nome, rever-lhe a face, saber que mal a trazia ali. Tudo isso soube, enquanto esperava. Uma voz off encarregou-se de tal. E viu, alarmado*, ela visá-lo numa entrevolta. Afinal encontrou Juliette no dia aprazado. Longe de festivais de cinema. Talvez à beira do fim. *Compreendo o homem. Na minha bitola, Juliette é uma das mais sublimes fêmeas da espécie. Nota acrescentada em 6 de Novembro, cerca das 10:15: Confrontado com a leitura do post, o homem fez notar duas coisas: Apesar de ter ouvido a publicidade ao Festival, ignorava que Juliette fizesse a sua aparição no dia 5. Durante o tempo em que a cena se desenrolou conservava nas mãos um exemplar de "Viagem para além da morte" (The Fabulous Riverboat, de Philip José Farmer) e logo depois Sam Clemens - ele disse Mark Twain - avistava numa das margens a sua morta-viva-morta querida Livy. Fez ainda saber que tinha lido aqui o parágrafo em que eu dizia há uns tempos que cada um constrói as coincidências que quer. As minhas palavras foram outras mas o sentido é esse, de facto. Atraso Diz o Director-Geral da Saúde, pessoa pela qual tenho respeito intelectual, que se conseguiu atrasar a propagação da epidemia e com isso ganhar o tempo suficiente para se ter uma vacina em tempo útil. Estou ciente de que o papel dele está num plano acima do científico, que é político e de controle da situação. O mesmo reconheceu o Prof. Alexandre Quintanilha num programa da RTP N para o qual convidou aquele. Passemos adiante a questão da vacina vir ou não em tempo útil para o comum dos cidadãos, cujo risco de saúde não esteja identificado e que não seja considerado imprescindível lá por um certo critério (contrário ao dos cemitérios cheios de insubstituíveis). Atentemos portanto apenas na afirmação de que se conseguiu atrasar a propagação. Para termos um atraso, seja no que fôr, temos que ter antes de tudo um tempo-padrão. Uma referência. Um comboio atrasa-se face ao horário de todos os dias. Uma pessoa atrasa-se face ao combinado. Um relógio atrasa-se face à hora legal. Ora referência é justamente coisa que não temos. Como em muitos aspectos da vida, há uma tendência para se pensar que há mais do que uma opção no caminho da vida, como se se pudesse percorrer um em opção, medir as consequências, voltar atrás, percorrer o outro, medir as consequências e comparar (pode ser um mero atraso). E essa tendência nada tem de científico embora se possa usar em determinados papéis políticos porque de facto funciona como argumento. É o caso aqui. Faz algum sentido que se digam coisas que confortem o público. Ainda que essas coisas não façam sentido nenhum. Mas isso é coisa de que o público raramente se apercebe. Não havendo referência, não se sabendo de que forma e com que rapidez se propaga um vírus numa variante só identificada agora, apenas se pode pensar que algumas medidas tomadas, aqui e ali, poderiam em abstracto ter constituído obstáculo à propagação. Mas quais? E tomadas onde? E o que se finou foi... ![]() O dito. E com ele o acesso a quase todo o software. Estou assim com serviços mínimos, graças à opção dois discos, dois sistemas. Sendo que o disco de reserva tem muito pouca capacidade. Naturalmente que o blogue vai sofrer algumas consequências do facto até haver novo disco. Um dia destes. Críticas: Críticas: Críticas: Críticas: Moço da minha idade ![]() desenho de Uderzo encontrado aqui. Em tempos, dizia-se por aqui, vou ver se o Astérix está no sítio. Era uma maneira de se dizer que se ia dar uma volta ao bilhar grande. Nesse tempo isto era a Gália. E nenhum de nós, nem mesmo ele, tinha 50 anos. As saboneteiras de ilusão ![]() Intriga-me a frequência com que os Gato Fedorento andam a contar piadas nos meus sonhos. E aborrece-me. Desta vez, vi-me livre deles numa espécie de sessão de autógrafos numa ampla livraria, livros novos e usados, ali para o jardim da Amadora. Aproveitei para me raspar a seguir à passagem, por entre a porta e as ilhargas da primeira fila de estantes, de um Opel Rekord modelo de 53, numa repintura em RAL 6019 e antes da disputa entre um Fiat 1800, de 1959, RAL 5024 e uma das minhas aspirações adolescentes, a Peugeot 204 dos meados de 70, no inevitável RAL 7038, disputa travada no encalço do Opel. Devo dizer, em abono da verdade, que a ser marcada falta, seria à 204 que pretendeu varrer, em carrinha, o 1800. Pode sempre dizer-se que isto sou eu a querer mostrar imparcialidade. Ou que considero a 204 uma fera capaz de todas as proezas. Qualquer das duas pode ser verdadeira. Mas isso é tudo de somenos face ao que se seguiu. Dei pela falta dos meus amigos J.d’ e P.P.. Procurei, procurei, procurei e nada. Os outros dois inidentificáveis que comigo estavam repetiram o diagnóstico – esvaecimento total e completo de ambos. Foi bastante mais tarde que soube, da boca dos próprios, a verdade. Ao fundo da livraria havia uma porta dissimulada atrás de uma estante. Por essa porta acedia-se a uma cave, onde decorreu o bródio comemorativo. Estando eles integrados na comitiva... Esclarecidas as coisas, regressado o P.P. aos seus chaparros, eu e o J.d’ fomos parar a uma camarata onde pernoitávamos, à cautela. Foi então que ao abrir o armário comum a uma fiada de camas, que não passava de um ficheiro desses de escritório pré-computação, encontrei a minha gaveta cheia do que pareciam ser embalagens de fusíveis de automóvel. Pensei estar com a gaveta trocada e abri a de cima. Nela entrevi um saco de plástico transparente com três saboneteiras em kit, para montar. Uma preta, uma verde e uma assim cor de areia. De areia amarela, como se diz nas obras. Para não dar parte de ser parte, ou talvez para não escolher a verde face ao meu velho amigo que já diria cansado de ser benfiquista, escolhi a preta. Ele foi pela amarelenta. Não sei qual dos dois montou primeiro a respectiva saboneteira. Saboneteira? Aquilo era uma bota de borracha, tamanho infantil. E ainda por cima azul. Ultramarino. Ou para aí. Ocorreu-me muito depois – já acordado - uma relação com o Tahiti duche. Por causa da cor e das rodelas tipo Lego. O desenho acima ilustra um corte do esquema de montagem das ditas, mostrando o encaixe de um dos pinos, nas três cores disponíveis e a incrível bota de criança que se obtinha no fim. Morte natural Não faço a menor ideia de quais foram as declarações do responsável do INML que deram origem às notícias que diziam ter morrido de morte natural o rapaz que jogava basquetebol na Ovarense. Nelas, notícias, se diz que são resultados preliminares da autópsia. Ponho-me aqui a conjecturar sobre o que significa natural ou por causas naturais neste contexto. Significará normal, esperável, estatisticamente dentro da curva? Aparentemente, não. É aquela morte que resulta de doença e não de intervenção externa. Sabemos assim, pelas ditas notícias, que o rapaz não foi vítima de um acidente, sentado que estava ao que parece no banco do balneário. Nem foi assassinado. É esta a notícia. |