O lixo electrónico ou um retrato de Tutancamonimagem da RTPComeço por mim. O facto de ter dedicado umas quantas horas da minha vida, repartidas por mais de vinte anos, a engendrar um programa que me facilitasse a vida nas apostas, primeiro do totobola, depois do totoloto, é suficientemente revelador da inutilidade a que consagrei parte do meu tempo.
Outras há, alhures, que merecem muito maior destaque. Hoje foi o "retrato" de Tutancamon (já agora, prefiro o c ao k, com ou sem h). Já passámos pelo de Jesus Cristo e talvez por outros de que não me dei conta.
É certo que em se tratando de "retratos", os há para os mais variados gostos desde sempre. Ainda hoje andamos à volta com as figuras do tríptico de Nuno Gonçalves, tentando saber quem é quem.
O que não significa que não tenham brotado as certezas um pouco por todo o lado.
E certezas é o que não falta quando aparecem estas novidades, embora aqui penetremos não no reino da adivinhação mas no da fantasia. Está visto que o faraó que morreu jovem era assim (não estão a ver?) e que o nazareno era assado (ora vejam!). Nem Melquíades faria melhor, suspeito.
Para além destas, há um mundo de novidades surpreendente. Dir-se-á que sem praticar não se chega a lado algum. Tenho as minhas dúvidas que assim seja. Mas há quem se farte de praticar.
O que acontece é que esse mundo de novidades está repleto de insignificâncias. De linhas de código que só têm utilidade para quem as escreve, como mero exercício ou como justificação de ganha-pão.
Entretanto, continuo a interrogar-me se a cultura da ignorância contamina de facto ou se, confirmada a imunidade, todos os fenómenos são olhados de cima.
A julgar pelo que leio em alguns locais, contamina mesmo.
Terminando como comecei, se não me houvesse contaminado, não falaria do assunto.