21/03/2008

A brincar

Anda há alguns dias a passar na RTP um anúncio das Estradas de Portugal, E.P..
Se algum benemérito o pagou, aqui termina a minha argumentação.
Se foi o erário público – há uma mania de considerar as empresas públicas alheias aos bens nacionais – então alguém anda a brincar com o nosso dinheiro.
A ser assim, e é claro que este não é caso único porque há milhentos exemplos de filmezinhos publicitários com igual desplante feitos por outras entidades públicas, a única coisa que ainda posso acrescentar é:
A publicidade às estradas é, de facto, uma ideia genial!


imagem da RTP

20/03/2008

Mais uma biblioteca de Alexandria que se vai

A primeira vez

Há uma coisa que faço sempre por não confundir, tanto mais que a critico amiúde. É a prestidigitação que pretende mostrar interesses particulares como sendo de toda a gente.
Aquela coisa de um tipo a quem estão a ir ao bolso e quer que achem, quando não acha ele mesmo, que o prejuízo é nacional.

Sou um produtor de cortiça de pequena escala.
Isso faz de mim interessado neste caso e um potencial prejudicado.

E o caso é o seguinte:
Ouvi agora na televisão e presumo que tenha uma base verídica, a julgar pela conversa de um dos entrevistados, que se irá promover uma campanha de reciclagem de rolhas, através da moagem das ditas e com os lucros resultantes dessa operação – matéria-prima a custo zero – a financiar não sei o quê ambiental. O costume.
Esta parece que tem ou pretende ter maior envergadura, visto estar a ela associado o maior grupo industrial do sector.
Pelo meio, reconhece-se que para a actual campanha propagandística contra o aumento da produção de CO2, os montados são um óptimo elemento, dada a utilização e transformação que dele fazem.
Suponhamos, por absurdo, que esta campanha faz algum sentido e que, nesse caso, os montados são um elemento inestimável para regular os níveis de CO2.
Suponhamos que uma grande parte da quantidade das rolhas produzidas pela indústria é do tipo rolha natural – 100% cortiça. Não conheço estes números. Baseio-me numa amostra representativa apenas do meu consumo de vinho.
Suponhamos ainda que os resíduos de cortiça em forma de rolha natural são de fácil degradação no meio, o que vai de encontro às ideias genéricas dos tipos que aparecem nestas campanhas.
A ser tudo isto verdade, o facto de se desperdiçarem rolhas não é ambientalmente grave, de acordo com os cânones em vigor.

Ora, por cada rolha a reciclar que entra como matéria-prima na indústria, há uma “rolha” vinda directamente do montado que fica à porta, que fica na pilha, que fica na árvore, que faz baixar a renda do produtor, desincentivando a conservação dos povoamentos de sobreiro.
Se os meus pressupostos estão certos e se de facto os montados são uma riqueza a proteger em termos ambientais, então esta é uma medida que tem o exacto efeito contrário.
Ou será que me enganei nalgum passo?

É a primeira vez que faço aqui uma defesa dos meus interesses particulares.

18/03/2008

Lisboa, 2007

Lisboa, 2007

Fazendo jus

José Sócrates apareceu a anunciar uma reforma comarcã.
Assim à primeira vista, parece que aquilo a que é costume chamar-se justiça precisaria de tudo menos de uma tal reforma.
Precisaria de gente mais capaz, antes de tudo.
Gente mais capaz a legislar, gente mais capaz a aplicar as leis, gente mais capaz ao longo de todo o processo.
Aceitando ainda assim que é válido o projecto ora apresentado, estranha-se é a forma ligeira como se fala em experimentá-lo.
Não que as experiências-piloto sejam algo a evitar. Fiquei foi com a ideia de que tal como as reformas da saúde e da educação a coisa é para navegar à vista, sem grande estudo prévio e por isso sem grande capacidade de antecipar o que acontece quando se move uma alavanca, quando se alteram estas ou aquelas condições.
Mostra tudo isto muito pouca inteligência. E isso sim, não é nada que não se previsse.
Os apelos à calma e o dinheirinho

Ouço que a União Europeia apelou à calma no Tibete.
Não me consigo lembrar de muita coisa mais patética e imbecil do que um apelo à calma.

Ouço que as instâncias que têm interesses nas Olimpíadas afastam a hipótese de boicote. Claro, o dinherinho.
Sabemos todos qual é a “mola real”. Eu sei que é utópico que, ainda que de vez em quando, se pudesse admitir qual é ela.

A velha mulher há-de morrer sábia.

17/03/2008

Causas e efeitos

Se tivéssemos a omnisciência, haveria de haver quem escalpelizasse os mecanismos que mantêm erecto o castelo de cartas do capitalismo.
Assim, há uns tipos que se entretêm a dizer umas baboseiras com ar grave e engravatado, barris de petróleo, crise do crédito fácil, conflitos armados, recentramento da economia global, advento do oriente, etc.
E se um destes dias o castelo cai?
O nível intelectual da coisa

Começa a ser assustadora a quantidade de relatórios, de estudos, de pareceres que tem erros de palmatória em quadros, em gráficos, em cálculos, em valores.
É quase impossível ler um que não esteja pejado deles.
Isto dá uma imagem do nível a que estamos a chegar.
Governos

Pertenço ao grupo dos que consideram Alberto João Jardim muito mais inteligente do que a caricatura que tão bem compõe, ao mesmo tempo que consideram José Sócrates muito menos inteligente do que a imagem que dele se reflecte na imprensa.