DesabafoQuando não existe cidadania, é forçoso que haja medo.
Sem uma coisa ou outra, a dissolução é inevitável.
O que se repete, repete, repete, sem que se vislumbrem melhorias, é o facto de, sempre que existem algum tipo de ondas a atravessar a sociedade, se verificar que em cargos de responsabilidade se encontram muitas pessoas intelectualmente incapazes.
Parece-me não haver nada mais vulgar do que o que acabei de dizer, mas é mesmo um desabafo.
por MCV às 16:28 
O trisseccionista e o bitoqueDiz-se, sem que se saiba quem o diz, isto é, há uns quantos que o dizem mas não o subscrevem, que em certos locais onde se chegou pela primeira vez de forma insólita, se acaba por voltar por uma razão igualmente insólita mas diversa e muito mais consequente.
Dito isto de outra forma, não é inusual, segundo os tais que não se sabe quem são, que se arranje uma namorada num local onde, anos antes, se foi atropelado. Sem que nesse interim se tenha sequer passado perto.
Ora convencido disto talvez estivesse o homem.
Lembrava-se de ter entrado naquela casa e de ter estendido uma nota de 500 para pagar o café. Não tinha trocos. A dona da casa tinha levado (muito) a mal a coisa. E, para se vingar, fizera o irrazoável, livrara-se dos trocos todos da gaveta, numa espécie de autoflagelação punitiva de terceiros. E deu-lhe assim o troco em miúdos, enganando-se na conta várias vezes.
Passara àquela porta algumas vezes depois disso. Mas nunca mais entrara.
Naquela noite, com o frio da rua a desconvidar passeios, fora ao bitoque, entre duas aulas. Tudo fechado ali na volta. Teve que ser.
Sentou-se a um canto, quase a esconder-se dela. Que servia às mesas. Mesmo assim, foi atendido.
Julgou que ela o reconhecera quando lhe perguntou quase com maus modos: "E para beber?"
Quando ia a sair, julgou ouvi-la resmungar qualquer coisa a respeito dos riscos na toalha.
Mas a trissecção, falsa claro, mas simples, estava no bolso. Com molho de bife.
por MCV às 00:54 
A cara de cavaloVai para uns bons tempos que
aqui discorri sobre a minha qualidade de anspeçada.
De membro da primeira geração apeada em muitas.
Hoje, por mero acaso, ao atentar nas feições de certa mulher plasmadas no écran da televisão, dei-me finalmente conta, de forma consciente, de que sou um apreciador inveterado de fêmeas humanas com cara de cavalo.
Nunca soube o que quer que fosse sobre os mistérios da facies faunomórfica. Mas é claro que, como muitos outros, identifiquei caras de pássaro, de peixe, de rã, de cão, de rato e até de animais mais remotos. Só nunca me apercebi, até hoje, da minha queda para as cavalos.
Será isto uma espécie de atavismo, cerceada de montada?
No lo creo.
por MCV às 15:54 