09/10/2010

Náufragos na terra

Há um livro de Arthur C. Clarke - Náufragos da Lua - que trata do resgate dos ocupantes de uma nave que se atolou numa finíssima poeira lunar.
Lá aparece a figura do escrutinador. Aquele que tem como função ouvir tudo e todos com o intuito de captar uma ideia brilhante para solucionar um problema.
Em tempos, ouvi um conhecido contar-me de certa vez em que adoptou esse método para resolver um problema básico de engenharia.
Pareceu-me então que uma das ideias que ele considerara disparatada era afinal uma boa hipótese de solução.

Não faço a menor ideia de como se desenrolou a preparação do resgate em curso dos mineiros encurralados no fundo da mina chilena, que sempre me lembrou tal livro.
No muito que esta história ainda tem para dar, conhecer esses meandros seria muito interessante.

Quanto à parte humana, veremos também o sumo que se extrai de um azar tal. Haveria de ser muito.

08/10/2010

No país do atraso mental

Há uns quantos, sentados em cadeirões públicos, que descobriram agora que o país é rico.
Que gasta à tripa-forra em apitos e flautas, música e fardamentos novos, putas e linguiça.
Não se esperava outra coisa, de resto.

07/10/2010

Dos sonhos

Sempre me causaram espanto as afirmações demasiado assertivas para a explicação dos sonhos.
Mas aqui tenho a certeza: os normalíssimos gatos que me povoaram os sonhos esta noite andavam na certa à caça dos pássaros-rolha da noite anterior.

06/10/2010

Enigma (resolvido)

Voltando a um caso que deixei em suspenso:


© Google Street View

Se não fossem as sombras e a hora da foto, não chegava lá.

05/10/2010

Viva a República!



Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó patria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os Bretões
Marchar, marchar!

Desfralda a invicta bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira
Portugal não pereceu!
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir de amor,
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os Bretões
Marchar, marchar!

Saudai o sol que desponta
Sobre um ridente porvir,
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os Bretões
Marchar, marchar!

04/10/2010

Mau projecto ou o quê?

Partindo do princípio de que as afirmações do responsável pelo Hospital Fernando da Fonseca, vulgo Amadora-Sintra, são correctas, a água acumulou-se em zonas críticas do hospital em virtude do deficiente isolamento de uma junta de dilatação.
Em primeiro lugar, não passa pela cabeça de ninguém instalar um serviço crítico numa zona atravessada por uma junta de dilatação.
Em segundo lugar, desenhar uma junta de dilatação e sua protecção de uma forma a que a água entre em abundância num edifício, ainda que este não seja hospitalar, também não devia passar pela cabeça de ninguém.
Mas passa, passou, a serem correctas as palavras do entrevistado pela RTP. Coisa de que não tenho razão para duvidar.
Há também quem tenha riscado do seu dicionário construtivo a expressão junta de dilatação.
Mas isso...

03/10/2010

Da crença

De cada vez que me ponho a assistir a debates entre maometanos e cristãos a propósito da construção do centro muçulmano em Manhattan ou a propósito de qualquer outra coisa que os separe, verifico a minha enorme distância à crença.
À crença na razão.