Livros
Há livros assim.
Aqui há tempos apeteceu-me aventar pela janela um livro que tinha como intróito uma página cheia de erros factuais grosseiros.
Ora hoje peguei num outro em que o protagonista nasceu quatro anos antes do século XX.
Logo nas primeiras páginas vemo-lo a comer dos cozinhados da avó que sobrevivera ao terramoto de 1755.
Como diria o meu velho conhecido C., fiquei com
benefícios de dúvida. Será que se trata de uma confusão mental do dito protagonista que será deslindada adiante? Ou da sua avó?
Ou trata-se de uma obra de ficção científica travestida de romance histórico?
Raramente ponho de parte um livro iniciado. O que me leva a ter
recordações do piorio.
Este princípio não indicia nada de bom.
Se há autores maus com grande reputação, também há traduções que não lembram ao diabo.
Neste caso, tenho pouca vontade de averiguar a quem se deve tal disparate. Se disparate fôr, como parece.
por MCV às 19:51 de 18 janeiro 2014 
Acaso
Folheei o Público da passada terça-feira.
Incidiu a minha curiosidade nos
anúncios dos tribunais.
Grande parte dos anúncios eram assinados por senhoras.
A totalidade dos que li eram anúncios de interdição.
Foi um acaso ou, no caso da segunda constatação, esta corrobora a ideia de que está tudo doido?
por MCV às 17:47 de 17 janeiro 2014 
Rigor e asneira
Quando recentemente Alan Turing foi, a título póstumo, exonerado dos pecados que lhe tinham sido apontados em vida, surgiu em vários noticiários a frase “
alguns historiadores afirmam que a sua acção encurtou a guerra em dois anos”. Nem sempre dois foi o número de anos, nem sempre a frase dá esta tradução mas
aqui está um exemplo.
Ao ouvir isto pensei que a ser verídica tal afirmação (que tivesse de facto havido um colégio de historiadores a fazê-la) ela espelha bem, e de forma bizarra, o abismo intelectual de rigor e precisão que separa as águas em que Turing navegou para decifrar os códigos alemães e estas outras, de bacalhau basta, onde navegam os ditos (quiçá supostos) historiadores e outros protagonistas de ciências imprecisas. Chutaram dois anos como poderiam ter chutado nove. Não há qualquer diferença entre dois e nove neste tipo de presunções.
Não é preciso dizer que qualquer ciência é imprecisa e que o trabalho de Turing ao incidir sobre obra humana, particularmente sobre ferramentas humanas, esteve confinado a fronteiras que não são da ciência, mas do trato com as ditas ferramentas criadas pelo homem, com a técnica.
Ao ser imprecisa qualquer ciência, a diferença que entre umas e outras existe, é o rigor com que se apresenta essa imprecisão e a noção de
imperfeitude que faz que os avanços das ciências mais rigorosas sejam, maioritariamente, feitos na sequência de avanços anteriores e não na sua negação, o que é comum nas ciências pouco rigorosas, muito dadas a modas e a emoções. E a chutos para o ar.
por MCV às 19:59 de 15 janeiro 2014 
Perguntas que não podem fazer-se (n+5)
Algumas das perguntas que não podem fazer-se aos autores da redacção do artº 14-A do
Código da Estrada alterado pela Lei nº72 / 2013 de 3 de Setembro:
Qual o propósito da introdução do dito artigo?
Com que base se estabeleceram os princípios ali plasmados?
É que depois
de ler, não se
acredita.
por MCV às 18:06 de 13 janeiro 2014 