ContagensAs primeiras notícias sobre o acidente de hoje em Madrid – pouco depois das duas da tarde - levavam a acreditar que se tratava de um acidente de menos gravidade, havendo apenas um número reduzido de feridos.
Um alvitre algures de que haveria mortos acabou por ser desmentido também algures, retirando gravidade ao sucedido.
Tudo isto a crer nos jornalistas que assim o noticiaram.
Há um quadro habitual – que suponho seja uma espécie de cartilha que se ensina às criaturas – em que se confunde normalmente a ideia da gravidade de uma catástrofe, por via da não distinção entre o número de mortos oficial ou oficiosamente confirmado e o número de mortos esperado, face aos dados disponíveis.
Daí, que o número de mortos vá sendo adicionado à medida que o tempo passa, numa macabra contabilidade, em tudo aparentemente destinada a fixar o espectador e que se assemelha a um jogo em que o resultado se vai avolumando.
Isto é uma pecha de toda a imprensa imediatista que conheço. Nacional e estrangeira.
Por vezes, dão uma ideia muito errada das coisas. Hoje foi uma dessas vezes.
A mais significativa, porém, foi no dia do maremoto no sueste asiático.
A forma ligeira como se anunciaram meia-dúzia de mortos em pontos tão distantes da Terra associados ao mesmo fenómeno fazia naturalmente suspeitar o pior. De imediato.
Mas nenhum dos que então ouvi se apercebeu da anunciada dimensão da coisa, até muito mais tarde...