19/02/2005
18/02/2005
Bacalhau a debate
O comandante do posto cedia de bom grado, talvez à revelia da hierarquia, uma sala para o efeito.
O resto era com o corpo social. Vinho, pão, linguiças, presunto, queijos e uns doces para as senhoras. Tudo em boa quantidade e de boa qualidade.
A sala não ficava à vista da assembleia de voto, era mais retirada.
Não havia qualquer tipo de discriminação política. O predominante PCP partilhava o segredo com as outras forças políticas, menos expressivas. Mas havia uma selecção do eleitorado, ah isso havia. Não era qualquer um que tinha direito ao convite, depois de deixar o voto na urna.
Claro que o pretexto era alimentar os membros da mesa que ficavam por ali o dia todo. E também a guarnição do posto que nesse dia dispensava a cozinha. Mas isso era o pretexto. E qualquer pretexto serve a um bom alentejano para fazer um petisco.
Fechadas as urnas, contados os votos, dado conhecimento dos resultados, seguia o debate.
Comunistas, socialistas, pê-pê-dês e cê-dê-esses batiam-se com a tradicional açorda de bacalhau em certa casa. Só os que conseguiam partilhar uma noite eleitoral com copos de vinho, apostas e as picardias naturais da divergência política. Gente com bom vinho, que era felizmente muita para uma terra tão pequena.
O comandante do posto cedia de bom grado, talvez à revelia da hierarquia, uma sala para o efeito.
O resto era com o corpo social. Vinho, pão, linguiças, presunto, queijos e uns doces para as senhoras. Tudo em boa quantidade e de boa qualidade.
A sala não ficava à vista da assembleia de voto, era mais retirada.
Não havia qualquer tipo de discriminação política. O predominante PCP partilhava o segredo com as outras forças políticas, menos expressivas. Mas havia uma selecção do eleitorado, ah isso havia. Não era qualquer um que tinha direito ao convite, depois de deixar o voto na urna.
Claro que o pretexto era alimentar os membros da mesa que ficavam por ali o dia todo. E também a guarnição do posto que nesse dia dispensava a cozinha. Mas isso era o pretexto. E qualquer pretexto serve a um bom alentejano para fazer um petisco.
Fechadas as urnas, contados os votos, dado conhecimento dos resultados, seguia o debate.
Comunistas, socialistas, pê-pê-dês e cê-dê-esses batiam-se com a tradicional açorda de bacalhau em certa casa. Só os que conseguiam partilhar uma noite eleitoral com copos de vinho, apostas e as picardias naturais da divergência política. Gente com bom vinho, que era felizmente muita para uma terra tão pequena.
17/02/2005
16/02/2005
Eleições
Descobri ontem que o Sapo dá, no âmbito desta campanha, destaque a um blogue por dia.
Ontem calhou a este, na versão Sapo. Agradeço a distinção, embora reconheça que jamais me ocorreu que algum dos meus leitores pudesse mudar o seu voto em função do que aqui lê. Tenho a certeza de que não é assim por duas razões. A primeira é que, modéstia muito à parte no que respeita aos meus leitores, quem aqui vem espreitar não se deixa influenciar. A segunda é que, tendo lá a minha visão das coisas, também não me sinto no papel de evangelizador.
Sobre as eleições, já deixei lá para trás o meu palpite. No domingo, veremos quantos falho.
Ah, e hoje o destaque do Sapo vai para o João Tunes, do Água Lisa.
Descobri ontem que o Sapo dá, no âmbito desta campanha, destaque a um blogue por dia.
Ontem calhou a este, na versão Sapo. Agradeço a distinção, embora reconheça que jamais me ocorreu que algum dos meus leitores pudesse mudar o seu voto em função do que aqui lê. Tenho a certeza de que não é assim por duas razões. A primeira é que, modéstia muito à parte no que respeita aos meus leitores, quem aqui vem espreitar não se deixa influenciar. A segunda é que, tendo lá a minha visão das coisas, também não me sinto no papel de evangelizador.
Sobre as eleições, já deixei lá para trás o meu palpite. No domingo, veremos quantos falho.
Ah, e hoje o destaque do Sapo vai para o João Tunes, do Água Lisa.
15/02/2005
14/02/2005
A visão particular
Sendo que a individualidade é um mistério, algumas questões se me levantam ao atentar sobre a visão que cada um terá das coisas.
Muita coisa escrita há sobre o assunto. Mas não é da visão dos outros sobre a visão de cada um que se trata. É da minha.
Haverá uma altura da vida em que se completa e se fecha a visão que temos das coisas?
Em que tudo o que aprendemos posteriormente apenas entra como um tomada de conhecimento, que nada modifica o plano geral?
Ou, pelo contrário, existirão verdadeiras conversões?
Ora este ponto é sempre controverso. Uma conversão, a existir, pode ser sempre entendida como uma evolução anterior à fixação do olhar.
Admito que a maioria das pessoas congele uma visão do mundo a partir de determinada altura, enquadrando nela todos os conhecimentos posteriores.
Admito que isso acontece independentemente da amplitude dos conhecimentos adquiridos.
Admito entretanto que haja também uma constante interpelação, seja nos crentes seja nos agnósticos e ateus, entre o discurso racional que é o único onde nos fazemos entender e as certezas ou incertezas da fé, no caso dos primeiros, e a imperfeição da razão, no caso dos últimos.
Mas mesmo com essa interpelação, suponho que há um apelo do hábito que nos leva sempre a observar e a julgar as coisas da mesma forma, a partir de certa altura da vida. Mesmo que nos lancemos nas profundezas do abismo em busca da verdade. Verdade da qual julgamos conhecer os contornos mas não o cerne.
Sendo que a individualidade é um mistério, algumas questões se me levantam ao atentar sobre a visão que cada um terá das coisas.
Muita coisa escrita há sobre o assunto. Mas não é da visão dos outros sobre a visão de cada um que se trata. É da minha.
Haverá uma altura da vida em que se completa e se fecha a visão que temos das coisas?
Em que tudo o que aprendemos posteriormente apenas entra como um tomada de conhecimento, que nada modifica o plano geral?
Ou, pelo contrário, existirão verdadeiras conversões?
Ora este ponto é sempre controverso. Uma conversão, a existir, pode ser sempre entendida como uma evolução anterior à fixação do olhar.
Admito que a maioria das pessoas congele uma visão do mundo a partir de determinada altura, enquadrando nela todos os conhecimentos posteriores.
Admito que isso acontece independentemente da amplitude dos conhecimentos adquiridos.
Admito entretanto que haja também uma constante interpelação, seja nos crentes seja nos agnósticos e ateus, entre o discurso racional que é o único onde nos fazemos entender e as certezas ou incertezas da fé, no caso dos primeiros, e a imperfeição da razão, no caso dos últimos.
Mas mesmo com essa interpelação, suponho que há um apelo do hábito que nos leva sempre a observar e a julgar as coisas da mesma forma, a partir de certa altura da vida. Mesmo que nos lancemos nas profundezas do abismo em busca da verdade. Verdade da qual julgamos conhecer os contornos mas não o cerne.
13/02/2005
Com eles?
Cruz credo! Ser vizinho com Santana Lopes ou José Sócrates? E ainda há quem o queira ser!
Quanto a ir comprar um carro com qualquer deles, não vejo a vantagem. Perceberão alguma coisa de mecânica?

Na primeira página do Expresso de ontem.
Cruz credo! Ser vizinho com Santana Lopes ou José Sócrates? E ainda há quem o queira ser!
Quanto a ir comprar um carro com qualquer deles, não vejo a vantagem. Perceberão alguma coisa de mecânica?

Na primeira página do Expresso de ontem.
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