Gota d'água
Não me parece que tenha sido. Não foi. Não foi a gota d'água final.
Mas foi decerto uma gota d'água inesquecível.
Metáfora de lavagens d'alma, de travessias, de alvores.
Gota d'água, verão e inverno.
Princesa.
por MCV às 09:41 de 11 setembro 2004 
Um imenso .jpg
Fazendo fé nas
palavras azuis do mago profeta, chegará o dia em que os aromas acompanharão os sons e as imagens nas suas peripécias viajantes.
Se esse dia fosse o de hoje, haveria decerto uns ficheiros com extensão .pfm (os americanos iam lá deixar de usar o galicismo...) que se poderiam combinar com sons, texto e imagem, de forma a melhorar o conteúdo da informação aqui exposta.
Não o sendo, resta-nos a combinação de imagem e texto, já que quanto aos sons é outra história e fica para o fim.
A batalha entre imagens e palavras ia em <1/1000 da última vez que ouvi falar nela. Não deve esta proporção ser actualmente majorante, a julgar pelo tamanho dos ficheiros de texto e de imagem que aqui tenho. Mas adiante.
Supondo que haveria que escolher entre texto e imagem para traçar a minha autobiografia, o que é que faria? Um texto longo e entediante ou uma imagem que tudo resumisse? Que a sequência de imagens também não me agrada.
Decido-me então por um imenso .jpg.
Voltando aos sons, meti-me em boa.
Sendo uma reconhecida e notória nulidade no que à música toca, não é que me deu para reconstruir a banda sonora do meu filme (do meu .jpg)? Só a parte musical, claro. Os outros sons do mundo ficaram de fora.
A coisa não está fácil.
Descobrir a que canção e a que artista corresponde um certo som é uma tarefa hoje para mim possível graças a São Google. Um extracto da letra e a coisa acha-se. Mas em outros tempos, seria condenada ao fracasso. Trauteasse eu qualquer coisinha a ouvidos de entendedor e decerto assistiria a uma fuga desesperada. Nada menos do que isso.
Mas assim, já vai em mais de um 1GB e segue por bom caminho como o Grandella.
Ninguém me manda ser parvo.
É mesmo melhor dedicar-me à parte gráfica.
por MCV às 08:07 de 10 setembro 2004 
Notas
Santuário da Senhora da Cola - imagem do IPPAR
Várias, enquanto me deixam.
O material tem sempre razão - é a máxima que tomada à letra demonstra o desfasamento entre o que as coisas são e o que pensamos que elas são.
Se é que as coisas são alguma coisa.
Neste caso concreto, é de um problemazinho chato aqui na maquineta que se trata. A que se junta a falta de paciência para grandes averiguações.
Nem a Senhora da Cola me vale. Mais uma noite de copos e de romaria em que me marcaram falta.
Quando finalmente (...) o Sol desce à terra! Do alto da minha pouca informação, parece-me que é um feito pouco significativo. Não faltaram oportunidades anteriores para se fazer tal recolha. E será que não se recolheram já amostras, em outras condições? Não faço ideia.
Perdidas.
Perdidas por vós todas as coisas e todas as mulheres.
O estranho não é que alguém tenha aqui vindo, através do Google, à procura de
"Encontrei-a mais tarde". É que apenas aqui neste blogue isso aconteceu. Isso de encontrá-la mais tarde. Porventura, vós não tereis perdido coisa nem mulher nenhuma.
Por último, um desejo. Um desejo, não. Um pedido ao Deus de todos os ateus:
Deus me livre de o Mundo ser feito à medida dos meus desejos.
Decerto que muitos outros o terão formulado antes de mim. Não espero ser original nessa prece.
Mas em altura em que tanta gente tem e apregoa ideias para o Mundo, é o que de melhor me ocorre.
E não é grande coisa. Mas é com convicção.
Logo eu, que tanta graça acho aos homens com convicções...
por MCV às 13:01 de 08 setembro 2004 
Quanto mais leio
Mais sono tenho.
"Andas a ler as coisas erradas." - disse-me ela, com os olhos postos no cinzeiro.
"Só conheço os erros nas convenções." - foi a minha resposta pouco calculada.
"Questão de palavras, meu caro. Digamos desadequadas." - já levantava os olhos da mesa e do cinzeiro, que entretanto se enchera.
"Também tu tiras os olhos da cinza."
A conversa ficou por ali. Ou talvez não.
imagem adaptada daqui
por MCV às 22:57 de 05 setembro 2004 