SenilidadeÉ estar cinco dias a partir pedra com um algoritmo que se resolvia em cinco minutos, um quarto de século atrás.
Uns séculos atrás.
por MCV às 20:07 de 23 abril 2010 
Katla
(clicar para obter o pdf)Há um mês ou dois, lia numa
compilação de comunicações sobre o Terramoto de 1755 que ele foi precedido em quinze dias por uma erupção do Katla.
Essa erupção terá durado cerca de quatro meses e gerou uma torrente glaciar de enormes proporções bem como uma nuvem de cinzas que toldou os céus da Europa.
Foi essa a primeira vez que atentei a tal vulcão.
por MCV às 18:58 de 22 abril 2010 
Rui Pedro SoaresDe Rui Pedro Soares apenas conheço as declarações e a argumentação que apresentou na Comissão de Ética e agora na
Comissão eventual de inquérito à... .
Pareceu-me um tipo intelectualmente capaz. E é esse o único juízo que dele faço. Mais nenhum.
As reacções que a recusa de responder ao inquérito já suscitou, mostram uma carrada de preconceito sobre ele.
É claro que o que está em causa não é a maior ou menor capacidade do homem. É assunto diverso. Ainda assim já ouvi suficientes vezes a sua diminuição também nesse ponto. Pareceu-me sempre ter sido naquele espírito em que os “bons” são sempre muito inteligentes e os “maus” sempre muito estúpidos.
Quem diz os “bons” e os “maus” diz os amigos e os inimigos.
Cabe dizer que a ponderação subjectiva (que não juízo) que dele faço no cômputo geral das coisas é diminuta. Como a de qualquer peão. Em qualquer jogo.
O facto de ter levantado um incidente que tanto escarcéu já fez soar coloca-o na ordem do dia. Só isso.
por MCV às 16:25 
PegosOuvi repetidas vezes que era necessário sinalizar ou esvaziar a lagoa artificial (suponho que o era) onde faleceram dois miúdos. Parece que estão a drená-la.
Pergunto-me se será necessário sinalizar ou esvaziar todos os lagos, lagoas, pegos, rios e ribeiras onde não há pé.
Esvaziar o Tejo parece-me trabalho de Hércules. Mas não é nada que não se possa fazer.
Se a “prevenção” assim o exigir.
adenda: Esqueci-me do verbo vedar.
por MCV às 20:57 de 21 abril 2010 
ComboiosNa fronteira da Tailândia com a Libéria, com dois hambúrgueres dentro de um saco de plástico transparente no bolso esquerdo das calças e um peso de cobre de dois quilos no direito.
Um comboio com umas asas simbólicas que saía como que no ar de um túnel, do ventre da montanha à nossa frente, umas dezenas de metros sobre as nossas cabeças circulando sobre uns carris mal equilibrados sobre bogies que serviam de vigas de apoio, em consola sobre o abismo.
Uma fronteira a que se acedia por um corredor, virando à direita no último instante junto a uma guarita sem guarda.
Um tipo com uma falsificação de scanner, no corredor seguinte, assustava os saintes que trouxessem bens não declarados.
Havia ainda o J.d' que encontrei depois de ter passado de novo sem me aperceber a fronteira, num sítio mal assinalado. Procurava ele a casa de um conhecido.
E depois de tudo isto, na vila.
De mala a tiracolo (chiça!) à procura de transporte para a estação, depois de me ter certificado, como se preciso fosse, de que já em lado nenhum ali teria pousada.
O comboio apitou debaixo da primeira passagem sob a estrada quase quando vi o taxista no veículo de três filas de bancos.
Disse-me que para aquele já não ia a tempo. Só para o outro, que seria o do contrário.
Percebo agora o embuste. O do sentido contrário, se atrasado, atrasaria este na gare para o cruzamento.
Deixei-o ir.
Os velhos alinhavam-se ali como se estivessem a ver passar os comboios que, na realidade, passavam lá longe, umas boas centenas de metros atrás deles, antes de se dirigirem para a estação ou dela saírem.
Não conheci nenhum rosto embora tivesse havido quem me dissesse que sabia bem quem eu era.
Chegou um táxi guiado por uma mulher magra e alta.
Perguntei-lhe se me levava a Lisboa. Ela sorriu e perguntou em que dia. Eu disse-lhe que era agora, naquele preciso momento.
Ela sorriu e disse que precisava de pensar nisso e talvez tivesse que levar o filho e mais alguém para dividir o volante com ela. Não me ofereci para o fazer na ida. Pensei na ilegalidade da coisa.
Quando dava a volta por trás do carro em direcção à fila de velhos, à espera de uma decisão, o que sabia quem eu era disse-me: coitada, faz-lhe falta o dinheiro mas se calhar não chega a Alcácer, está a morrer!
por MCV às 11:23 
ProbabilidadesHá uma óbvia regra d’ouro para quem se dedica a prever acontecimentos – calar a boca quando não se conhece o comportamento de um fenómeno, quer por experiência estatística quer por parcial compreensão do seu funcionamento ainda que não haja histórico do mesmo.
A questão das cinzas volantes inscreve-se neste caso – nem se sabe o que o vulcão vai fazer a seguir (ainda que haja um histórico da actividade vulcânica que permite ainda assim algum cálculo) nem se conhecem as condições mínimas de segurança a partir das quais é possível as aeronaves circularem em determinada rota (ainda que se proceda a testes com intervalos de segurança largos, calculo).
É o escuro completo. Ou quase completo.
Ouvir portanto dizer que abrindo metade do espaço aéreo europeu ou metade dos aeroportos ou o espaço aéreo de metade do número de países – não se ficou a saber o que disse o senhor que falava um inglês arrevesado e que não faço ideia quem seja – equivale a ter no ar metade dos voos previstos é daquelas coisas que, para além da confusa explicação e da não menos obscura utilização do cálculo combinatório mais básico – partindo do princípio ideal que todos os destinos e origens ligam uns aos outros e com igual frequência de voos, a abertura de 50% destes dá um número de voos que tende para 25% do total e não para os 50% do senhor de pronúncia arrevesada, dá uma ideia de que se fala só para não ficar calado.
É claro que a ponderação de frequências e de ligações pode ser (e é) diversa e os 50% do senhor da pronúncia arrevesada até equivalerem de facto aos 50% dos voos esperados.
Eu é que não acredito.
Nem nele nem em quem faz previsões para a abertura desta ou daquela rota.
Ou para o restabelecimento sem restrições do espaço aéreo ora e futuramente afectado.
Situação às 9:00 de hoje, com as ferramentas do
Instituto Meteorológico norueguês e do
FlightRadar24.com
© Meteorologisk institutt (met.no)
© FlightRadar24.com
por MCV às 10:10 de 20 abril 2010 
Informação rigorosaQuem acompanhou as notícias sobre as cinzas, ouviu pérolas como estas nos noticiários nacionais:
a nuvem encontra-se agora entre os 5000 km e os 8000 km
a nuvem já toca o norte de Portugal, na zona de Santa Maria(cito de memória, também nada rigorosamente)
Pergunto-me qual será a percentagem média das notícias que cada jornalista dá e percebe na íntegra.
por MCV às 21:42 de 18 abril 2010 