São MartinhoSó me dei conta da data quando encalhei com um expositor de castanhas e jeropiga ali no supermercado, já noite.
Isto é apenas uma amostra do meu alheamento ao calendário, às tradições, às festas.
Ao mundo, talvez.
De qualquer forma, arrelia-me a coisa da jeropiga (eu devia escrever geropiga pois é mais à minha moda e um dos meus dicionários de recurso aconselha-me a fazê-lo, tal como em 1912 – este dicionário é portanto da época da reforma ortográfica mas usa ainda as grafias anteriores). No meu tempo, era a água-pé, como bem indica a Dona T.
neste post.
Comprei qualquer coisa de castanhas. Este ano, e quebrando um jejum de muito outonos, já havia comprado castanhas na rua. Em Santarém.
No entanto, as
minhas recordações atiraram-me para um certo barracão ferroviário, um lata de conservas e cerveja ao litro.
Diz-se que este tempo é desequilibrante por remover em menos de uma vida os marcos da paisagem. É bem capaz disso.
E eu aqui a falar em memórias. Mais uma vez.
Agua-pé. E geropiga no fim, vá.

Diccionario Etymologico, Prosodico e Orthographico da Lingua Portugueza , J.T. da Silva Bastos, Parceria Antonio Maria Pereira, 1912
Dicionário da Língua Portuguesa, 5ª ed., Porto Editora