Sem descansoAquilo a que chamam a justiça não nos dá descanso. Arranja dia sim dia não um pretexto para mostrar a qualidade dos seus protagonistas.
por MCV às 21:09 de 03 fevereiro 2007 
Espólio (24)
espólio Campos Vilhena, foto de MSSPonte sobre a ribeira da Corona na E.N. 262 - construção
por MCV às 20:26 de 02 fevereiro 2007 
A palmeira que morreu ou um sinal dos temposEle há destes sinais. Com um ano ou catorze de atraso.
Não havendo fotos da palmeira que outros mataram, não havendo o som da ave nocturna que dela sentenciava pios muitos anos mais tarde, não havendo nada disso, haverá talvez ondas na Barragem do Caia, perspectivas da fronteira do Retiro, trilhos das minas de São Domingos, dias de Manta Rota, esplanadas da Espanha suada, praias vazias de andaluzes manhã cedo.
Haverá Bragança e a torre de menagem. Haverá o postal ilustrado que desenhámos na manhã das Caldas, nas curvas da Estrela, nas madrugadas de Arganil.
Haverá pratos de presunto em Monchique, de muxama em Ayamonte, de estupeta em Santa Luzia.
Haverá Miranda do Douro pelas calçadas desertas, Lisboa em manhãs de domingo. Haverá trilhos nos nossos montes entre sobreiras antigas.
Haverá noites longas no Algarve das luzes e dos sons e noites perpétuas no nosso outro Algarve.
No da Feiteira, da Benémola, de Alte, de Marmelete, de Alferce, de Alcoutim ou Aljezur. No da Fernanda e no dos caminhos que fazíamos pela nossa serra.
Do Mu.
Dormia uma palmeira
Sobre as nossas vozes
Quando no escuro
Estimávamos direcções
No infinito.
Que se curvavam.
Em sorvedouros
Como as esferas
Na quadrícula
De Vasareli.
E no regresso
Pousávamos
Na nossa ignorância.
Tínhamos o peso
De não conhecer.
E o medo
Da sabedoria.
Esmagados
Sob o mundo
Levantado
Por uma alavanca.
Afogados
Em água espacial
E mortos
Num cantinho do tempo.
SG, trecho de
Falávamos, inéditos, 1994
por MCV às 19:24 de 01 fevereiro 2007 
Insondáveis mistérios da mente humanaConfesso que me intrigam algumas pesquisas com que deparo no contador.
Não as que são óbvias e erraram o alvo, mas as que me suscitam aquela curiosidade pelo entendimento da forma como funciona a mente humana. Como se não fosse também estranhíssima essa pretensão.
Esta é apenas a mais recente:
percentagem de pessoas em coja
por MCV às 17:04 de 31 janeiro 2007 
Bosch e os cenáriosQuando ouço, leio, os profetas da desgraça a traçar cenários, a partir de modelos construídos disparatadamente, ocorrem-me várias ideias.
A primeira é a da criação de uma base de dados de cenários traçados. Onde se possam ir buscar as previsões antigas e compará-las com a realidade já conhecida.
Não faço a menor ideia se existe tal coisa.
A segunda é confrontar os "especialistas" que constroem tais modelos com a singularidade de um tabuleiro de xadrez. Da
última vez que andei por lá, ainda não havia máquina absoluta. Máquina capaz de, em tempo razoável, identificar e ordenar todas as situações no universo de uma partida de xadrez, por forma a prever todos os desenvolvimentos possíveis a partir de um determinado lance.
A terceira é a forma como se levam a sério estas coisas. Como se discutem sem espírito crítico.
Qualquer criança é capaz de pegar numa folha de Excel e fazer um algoritmo simples para calcular o valor de uma função f(x) para x=t.
E não passa disso mesmo. Do valor de f(x) quando x=t.
Bosch deu-nos a maravilha das suas "visões". Cabe-nos não as tomar como reais.
Jerónimo Bosch, "A criação do Mundo", aqui
por MCV às 21:15 de 28 janeiro 2007 