O controle emocional dos fogos
Passo sempre ao lado dos comentários dos jornalistas e das suas apreciações.
Nos directos ou nos gravados atento ao que diz o povo. E o povo, mais desconto menos desconto, mais interesse menos interesse, lá vai desenhando por palavras o que sucede, o que sucedeu.
Nestas coisas do fogo,
esclarecida que está por mim a ausência de um comando conhecedor e capaz na maior parte das circunstâncias em que o fogo excede a dezena de hectares, começo a suspeitar que há, na utilização de aeronaves, um comando e controle demasiado emocional a pôr e a dispôr.
E a suspeita resume-se a isto:
Havendo sete ou oito frentes a que acudir, não se trata de uma de cada vez até a extinguir.
Vai-se rodando entre elas, de forma a calar os insatisfeitos, e fazendo um arremedo de combate ao fogo que será naturalmente pouco mais do que ineficaz, a partir do momento em que se retorna a uma frente num ponto em que ela está com a mesma força que tinha quando da passagem anterior.
Não posso afirmar que assim é. Mas lá que parece, parece.
por MCV às 18:07 de 21 julho 2012 
Um euro e seiscentos e dezoito cêntimos
É este o preço médio da gasolina segundo a RTP.
Não há mesmo nas redacções quem reveja e impeça estas grossas asneiradas, próprias de uma primeira classe mal tirada.
por MCV às 00:46 
Do 1 ao 563
Não parece mas são 566 livros*. Custou (recuperar o extraviado e comprar o que faltava) mas foi.
Mais
uma nota para os tipos que sabem exactamente quantos parafusos tem a torre Eiffel.
com a devida vénia aos autores das capas e a quem as publicou em sites de leilões, alfarrabistas, etc.
* falta na composição o 200 da Vampiro que também se inclui nas contas.
por MCV às 12:42 de 20 julho 2012 
E contudo ela move-se
Faz um ano que se iniciou a crise sísmica em El Hierro.
Pode ver-se aqui, atendendo aos últimos dois anos aproximadamente, a diferença entre a frequência de sismos no ano que decorreu e no ano anterior e ainda o acumulado da energia libertada nos mesmos intervalos, segundo os dados do IGN de Espanha.
por MCV às 23:05 de 19 julho 2012 
Não sabem o que dizem
Há um aviso nas televisões que passa há anos e que fala de um fogo em Beja em 26 Julho de 2004, no qual arderam uma remessa de hectares e que o culpado disso tudo foi um cigarro. A incúria.
Ora em 26 de Julho de 2004 e dias seguintes arderam de facto uma remessa de hectares. Eu próprio fui testemunha de
uma das noites longas de inferno.
O fogo não foi em Beja nem esteve lá perto. Qualquer um que conheça Beja e arredores sabe que mesmo em tempo de restolho e pasto seco é muito pouco provável que um fogo atinja grandes dimensões nas cercanias da cidade. A razão é simples – não há combustível.
Foi lá para a extrema do distrito e a maior parte da área ardida pertencia ao distrito de Faro (ver figura), como há uns tempos se passou a designar o Algarve.
Se o culpado foi a incúria ou não, nunca se saberá. Mas o que corria na época é que tinha sido intencional e bem intencional o seu começo. Se é que a palavra intenção faz algum sentido, significa alguma coisa.
Depois de alastrar, pode sempre dizer-se que houve incúria.
Estes exemplos de tiros ao lado, de erros grosseiros em campanhas de prevenção são péssimos.
Dão de facto uma imagem de incúria ou de inépcia mental que não nos sossega nada.
O Algarve está outra vez debaixo de fogo.
Depois de 2004, chegámos a ter um ministro da Administração Interna que se gabou às câmaras de televisão de ter percebido que as aeronaves de combate ao fogo tinham uma eficácia directamente proporcional à sua capacidade de armazenamento e inversamente proporcional ao tempo de reabastecimento (retorno ao local em condições de combate).
Continuamos com gente da mesma bitola.
Veremos se desta vez será pior.
imagem in
DIRECÇÃO GERAL DOS RECURSOS FLORESTAIS
D S D F - Divisão de Defesa da Floresta contra Incêndios
Relatório provisório Incêndios Florestais – 2004
(01 Janeiro a 01 Agosto)
03 Agosto 2004
p. 8
TUDO ISTO ESTÁ ERRADO - VER AQUI
por MCV às 22:04 
O cordel
O meu velho J.d’ sentou-se e disse:
Não sei como é que ela não lhe disse já que cada vez que sentisse um puxão no casaco deveria ficar calado ou mudar de assunto. Há muita gente que faz isso.
(
Quem diz um puxão no casaco diz um puxão num cordelinho atado a um passador do cinto – contrariei eu cá para comigo.)
Isto evitaria deslizes nos momentos em que a senhora está presente e atenta.
por MCV às 16:44 de 18 julho 2012 
Avaria
Devo ter o
sismómetro embebível avariado.
Então isto não está tudo aos arrancos?
por MCV às 17:18 
O livro de autógrafos
Decidir qual é o ponto em que se pode recuperar para a nossa auto-estima o livro de autógrafos das meninas dos anos 60, carece de uma ponderação.
É o ponto de inflexão de uma função que representa o somatório da consagração da importância absoluta dos signatários na nossa vida em função do tempo de que ainda dispomos para a honrar.
Fazê-lo antes desse momento pode implicar o rasgar de páginas e acarreta, em contrapartida as inevitáveis ausências dos que nos puseram de pé.
Os abaixo assinados que fazem a prova de uma vida estão alinhados do lado da consequência e do nosso mérito (se se acredita que tal coisa existe) enquanto aqueles que nos ensinaram a andar são coproprietários do livro ou se vêem nele representados. Contaditório e confuso, claro está. Um rasgo de desculpa pelas assinaturas em falta.
Ando a pensar no assunto.
Talvez com folhas como aquelas que os carteiros trazem para se assinarem os registos. Com o nome do requerido em tipo Aparajita tamanho 10 e a inevitável cruz, digo alfa a lápis – assine aqui.
por MCV às 19:54 de 15 julho 2012 