Arganil, 1998
Sim. Com cafés, coca-colas, Bulgária e cerejas.
por MCV às 13:39 de 04 junho 2005 
!!!!!!No caso, as cerejas é que soam como palavras.
Ou um grande "Ah, foda-se!" dito a plenos pulmões.
Nunca mais lançarei cartas topográficas às três da manhã.
imagem MultimapÉ claro que não se podem dar mais pormenores sobre as operações.
por MCV às 16:29 de 03 junho 2005 
InvençõesMajor Pimenta, aqui não se inventa nada! - o Coronel começou assim a sua prelecção singular ao recém-chegado sub-comandante.
Depois do eco das suas últimas palavras se ter reflectido como um brilho nos olhos do subordinado, o Coronel abriu a caixa dos charutos com o mesmo gesto com que daria uma voz de à vontade.
Quando o Major fechou a porta atrás de si, o Coronel recostou-se na cadeira.
Pimenta, você não se esqueça de frisar ao Castro que não se inventa nada!
Não se preocupe, meu Coronel, suspeito que ele não seria mesmo capaz de o fazer.
Ok, ok! Olho no Castro! Olho no Castro!
Quando o Coronel Pimenta mandou entrar o Major Castro no seu gabinete e repetiu pela segunda vez em muitos anos ao seu subordinado que não devia inventar nada, passou em revista todos os imprevistos que enfrentara desde que entrara naquele gabinete pela primeira vez como sub-comandante e apreciara a inteligência do então Coronel Seabra.
Nesses anos, inventara-se e muito. Umas vezes ambos, outras um deles, algumas destas em desacordo mas na maior parte em concórdia.
Agora, o Coronel Pimenta tinha a certeza de que o seu sub-comandante jamais arriscaria inventar.
Frisou-lhe que queria ter conhecimento de todos os imprevistos que ocorressem na sua ausência.
A continência do outro assegurou-o pelo menos nesse aspecto.
Quando anos depois, o Coronel Castro se sentou na cadeira e chamou o seu sub-comandante, disse-lhe claramente que ali não se inventava nada. Nada mesmo!
Depois pegou no manual e releu-o mais uma vez.
por MCV às 14:32 
Há quem moreNa rua do Raio X
Na rua de Socorros a Náufragos
Ou na tradicional rua da Amargura.
Gosto de por lá passar e não me demorar.
por MCV às 17:55 de 02 junho 2005 
Sim ou nãoTempos também houve em que o sim ou o não davam prémios.
Não me recordo se já eram frigoríficos.
Ou se saíam de carrinho.
imagem das páginas da RTP
por MCV às 17:06 
Época balnearHouve um tempo em que só no verão havia gelados.
Em que a fruta tinha também época e sabor.
Em que para chegar a certas praias era preciso ter cuidado para não ficar atascado na areia.
Em que se carregava a trouxa para casas junto ao mar.
Em que havia bolas Nivea.
Em que eu chegava preto ao fim do verão.

(foto alterada em 1 Jun. 06)
por MCV às 13:12 de 01 junho 2005 
A escada do economistaÉ sabido que uma das dificuldades dos engenheiros é que, não obstante se ponham a teorizar sobre os seus cálculos, a apresentá-los em lindos embrulhos e até a acariciá-los, estejam eles irremediavelmente mal feitos e a obra cai. Tão simples como isso.
Já esse conjunto de técnicas que dá pelo nome de economia possibilita a alguns profissionais do ramo proferir afirmações que aparentemente influem no resultado final.
Eu que o diga. Que também saí cedo de casa no dia seguinte a Cavaco Silva ter falado em gatos e lebres. E em boa hora o fiz.
A escada da figura abaixo é, com toda a certeza, obra de um economista. Todos os dias lá deve passar e dizer, mas não com a convicção que Afonso tinha sob a abóbada - que esse era mestre d'obras - aguenta-te!
por MCV às 17:18 de 31 maio 2005 
O tempo das galinhas pretasOuvir o que quer que seja, por exemplo hoje da boca dos políticos e comentadores franceses, os mesmos que em 2002 asseguravam que a França virara à direita, ouvir o que quer que seja sobre causas e efeitos de um escrutínio, tal como na Espanha ou nos E.U.A. de 2004, tal como em qualquer lado e em qualquer altura, ouvir e prestar atenção é chegar, mais tarde ou mais cedo, à conclusão que não nos afastámos nada do tempo das galinhas pretas.
Ainda que os fatos sejam outros e que a colocação da voz seja mais educada.
por MCV às 22:25 de 29 maio 2005 
Sopas depois de almoço e carroças à frente dos boisDuas expressões estas que aparentemente designam realidades opostas.
O que vem tarde demais e cedo demais.
Sendo assim pela aparência contraditórias, todavia aplicam-se na perfeição ao tratado constitucional europeu e ao escrutínio a que foi, é hoje e será submetido, de diversas formas, nos vários países.
Como se a História se escrevesse de acordo com um plano ditado pelos homens.
por MCV às 19:58 