Leitura para estes dias
Tirei das estantes este livro. Era um dos que p’ra ali estava.
É uma espécie de relato jornalístico dos sucessos imediatamente anteriores a 22 de Novembro de 1963; desse dia e, calculo, dos dias seguintes. Uma leitura apropriada para o cinquentenário dos acontecimentos de Dallas.
Em Agosto desse ano, o Diário de Lisboa publicava este “
recorte” sobre o automóvel que na altura havia sofrido algumas modificações depois de dois anos ao serviço do presidente dos E.U.A.:
(clicar para ampliar)
Lembro-
me de que nessa noite a emissão da RTP foi interrompida pelo fatídico relógio da “Última Hora”. Calculo que tal tenha acontecido entre as oito e as nove.
por MCV às 20:48 de 16 novembro 2013 
Cinzenta e nórdica
Como se percebe, a tarde passou para cinzenta e nórdica.
Curiosamente, o radar de Coruche do IPMA detectou de madrugada, em várias ocasiões, com destaque para as 5:00, a invasão apontada como um raio invertido sobre Lisboa.
Já o radar do Caldeirão detectou um feixe também invertido apontado a Tavira cerca das 7:40.
Atacam pelas alas.

imagens da página de radares atmosféricos do IPMA (clicar para ampliar)
por MCV às 15:49 de 15 novembro 2013 
O móvel e o imóvel versão ano agrícola
composição de duas imagens uma daqui, outra d'acolá
Ou como há
fidelidades. Sonhos fáceis e difíceis.
por MCV às 17:58 de 14 novembro 2013 
Corrigenda
Em qualquer notícia dada por televisões, rádios ou jornais que inclua a expressão “
o pior – de sempre”, esta deverá ser substituída pela expressão “
o pior – desde que eu me lembro*” e em nota de rodapé o seguinte: *
como a minha memória é curta, deve ser desde ontem à noite, para aí.
Há pouco no telejornal da RTP o naufrágio do Prestige foi considerado o pior desastre ambiental de sempre nas costas da Galiza.
A título de curiosidade, indico
esta lista. Só com acidentes ocorridos de 1970 para cá. Qual será a escala para o grau de gravidade de um desastre ambiental?
por MCV às 13:38 de 13 novembro 2013 
Stop this madness*
Não é possível. Não é possível parar com esta loucura.
Não é, porque o mundo está irracionalizado pela massificação da informação e é crente.
Acredita que é possível acabar com esta loucura. A dos elementos. A que sempre devastou a ecúmena e a anecúmena. Acredita que há uma culpa. Uma culpa.
E depois há os que querem ser compensados. Pela culpa que os outros têm nos males que os afligem.
*
precatória feita pelo delegado das Filipinas na conferência COP19 em Varsóvia.
por MCV às 19:49 de 11 novembro 2013 
Designações
Uma coisa que não existe não carece de ser designada.
Isto para cá da ficção, das coisas inexistentes com nomes famosos.
Isto no diário dos povos, das terras.
Uma subida rápida do nível do mar em virtude de uma combinação de fortes e intensos ventos de fora (do mar) para dentro (para terra) e uma baixa abrupta de pressão atmosférica é coisa que não acontece por cá. Não há por isso uma designação para tal ocorrência.
Por não haver cá nem a coisa nem a designação é que para o comum dos jornalistas se tornou muito difícil entender o que se passou nas Filipinas. Ouvi alguns falar em onda outros em algo parecido com um maremoto (diziam tsunami). Mas sem acertarem no conceito.
Um fenómeno destes com estas proporções não é vulgar. Mas acontece. O mais famoso do último meio século ocorreu no antigo Paquistão Oriental, em 1970. E aparentemente foi bastante mais mortífero do que este.
adenda feita cerca das 14:45 de 12 Nov: quanto ao que cá existe de estudo da matéria, este documento serve de referência
por MCV às 19:22 
Jornalismo, clima e campanhas higiénicas (II)
O fito desta campanha – que tem como desígnio assinalado pôr fim às alterações climáticas, o que só por si é uma espécie de desidério milagroso – poderia ser o mesmo de sempre: manter confortável o habitat para os homens e demais seres vivos. Mas não é. Ou não é só isso.
E não é só isso nem pode ser só isso porque o Homem foi um caso de sucesso entre as espécies animais. Sucesso que se nota patente neste gráfico, ainda que mostre apenas uma ínfima parte da História:
E porque esse sucesso está a conduzir a passos largos a uma exaustão de recursos que será, ela sim, se vier a ocorrer, catastrófica, ou conseguiremos obter novos recursos ou formas de multiplicar os existentes, ou saíremos da Terra para colonizar planetas habitáveis ou chegaremos a um ponto em que, muito provavelmente, ocorrerá a catástrofe e o número de humanos baixará consideravelmente.
O facto de esta campanha já se desenhar sobre um pano de fundo de rejeição da obra humana pode significar que, inconscientemente, a espécie resigna.
Esse é o ponto.
Quanto ao resto, se andarmos a medir temperaturas à face do globo, que é onde andam as criaturas, sete, oito ou nove mil milhões de humanos vão de certeza influenciar mais a temperatura do que os três mil milhões estimados em 1960. Humanos e outros seres vivos, se a proporção do cômputo geral indicar um disparo semelhante.
Sobre se essa influência é muita, pouca ou insignificante que venha gente com hipóteses com cabeça, tronco e membros e as apresente.
Sobre se a influência acrescida das actividades humanas no aumento da temperatura média à superfície é muita, pouca ou insignificante, o mesmo. Que venha gente com hipóteses com cabeça, tronco e membros e as apresente.
O que é estultícia e da boa, é a construção de cenários – catastrofistas ou paradisíacos. Os mais empedernidos continuam e continuarão convencidos de que sabem exactamente o que se vai passar nos próximos anos com o clima.
Todo este diagnóstico e prognóstico se apresenta na imprensa como uma série de afirmações absolutamente verdadeiras (divinas) – o clima está a mudar, a culpa é dos homens e há uns iluminados que sabem exactamente o que vai acontecer se nada fôr feito e o que é preciso fazer para evitar que tal aconteça. É um dogma. E contra os dogmas... papas de linhaça!
Entretanto, tempestades como o tufão Yolanda que agora mesmo devastou as Filipinas serão tomadas à conta das tais alterações, embora sem o impacto noticioso que teriam se ocorressem na costa atlântica da América do Norte, ainda que venham a custar mais de uma dezena de milhar de mortos. O facto de este ano ter mais uma vez contrariado as previsões de grande actividade tempestuosa na costa leste dos Estados Unidos é pura e simplesmente ignorado. Naturalmente. Uns pontos adaptam-se à curva que o mentor tem na cabeça, entram para os cálculos; outros não se adaptam, são desprezados. É isto ciência?
A ver se não me esqueço de voltar à carga
sobre as previsões que ditavam ser este ano um ano sem Verão aqui por estas bandas.
por MCV às 09:54 de 10 novembro 2013 