Esquerda e Direita
Se perguntarmos aos analistas que pontificam nas televisões quais são para eles as definições de esquerda e de direita, certamente que contaremos com uma grande percentagem de definições emocionais: o lado contrário ao deles, consoante se considerem de direita ou de esquerda, é apenas o lugar das suas abjecções. Não será mais do que isso. A objectividade não tem aqui lugar.
Assim, a definição corrente de uma e de outra é uma manta de retalhos à medida de cada um.
Estamos já muito distantes da velha taxonomia.
A meu ver, temos assim uma direita elitista travestida de esquerda, debitando dos seus salões e das suas torres de marfim umas pérolas retóricas de paz e amor, liberdade, igualdade e fraternidade. Tudo isso desde que o
apartheid se mantenha e não tenha que se misturar com a populaça.
Temos, por outro lado, uma envergonhada esquerda populista que reflecte algumas das preocupações do povo e que, bizarramente, acode por direita, quando não por extrema direita.
É uma espécie de mundo ao avesso.