O culto dos mortos
ossos humanos espetados num muro de um cemitério abandonado - foto do autorPara muitos, o estabelecimento do culto dos mortos é um dos mais importantes marcos na História. Até o primeiro que diferencia a espécie.
Há uns anos, num funeral, um amigo acompanhava o olhar que lançava sobre sepulturas das seguintes palavras: “Isto está no fim. Já reparaste bem no número de crianças e juvenis que se vêem nos enterros?”
Ontem, ouvi na RTP que cinquenta por cento dos mortos da área de Lisboa (do concelho?) são já cremados.
Mesmo dando o devido desconto a este tipo de números e notícias, percebe-se que a cremação cresceu muitíssimo nos últimos anos. E não é decerto por nenhum fenómeno cultural, no sentido
tradicional da palavra, que tal acontece.
É um fenómeno cultural, sim, mas porventura advindo da constatação de que uma sepultura é, independentemente da prole, um local abandonado.
Sabemos todos que os cemitérios estão há muito cheios de sepulcros abandonados, de jazigos sem manutenção.
Conhecem-se até casos de cemitérios completos abandonados e devassados.
Poder-se-ia dizer que isso tinha a ver com a falta de descendência, com a mudança de território, com o desconhecimento dos costados ou o mero distanciamento de gerações.
Não consigo nunca afirmar que os factos na História se devem a isto ou àquilo. Não aceito essas relações de causa-efeito. Mas observo.
E se é verdade que estes fenómenos que aponto não são novos, também é verdade que se observou ao longo das últimas décadas um afastamento das crianças e dos jovens dos tratos com a morte.
Se este fenómeno das cremações é essencialmente urbano – e é aqui, nas grandes aglomerações que essa possibilidade existe – já a ausência de crianças e adolescentes dos enterros é um fenómeno que tenho observado um pouco por todo o lado.
Põe-se a questão que de saber se essas crianças, se esses adolescentes uma vez maduros manterão o culto dos mortos ou não. Nem que seja nas romarias anuais deste dia 2.
Põe-se a questão igualmente académica de saber se a cremação, se disponível em todo o território, seria igualmente praticada na mesma razão que dizem que o é em Lisboa.
Sem a presunção dos que afirmam, parece-me que o meu amigo tinha razão. Que
isto está no fim.
Mais sobre as cremações na imprensa:
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por MCV às 23:05 de 02 novembro 2007 
LapalissadaOnde não há civilidade, se não houver medo, o caos aporta. Não há civilização.
por MCV às 17:55 
John Bull and the outstanding police
imagem da Sky NewsHouve uma sentença no caso Jean Charles de Menezes.
Don’t say!Ora aqui está como, independentemente do que esteja escrito na dita sentença, não retiro uma linha ao que
aqui escrevi.
por MCV às 17:14 
O ignorante lunarO Sol não me apanha desprevenido. Sei onde contar com ele. Estudei-lhe os movimentos, até cartas solares tracei para alguns locais.
Mas a Lua... confesso que me apanha nas curvas.
Nunca sei se é tempo de Lua Cheia ou Lua Nova, se me aparece à esquerda de quem entra ou à direita de quem desce. Um perfeito mistério onde jamais me iniciei.
Talvez me debruce sobre os estudos selenes um destes dias.
imagem daqui
por MCV às 19:24 de 30 outubro 2007 
MarketingO Sr. Alfredo não vendia sardinhas. Passava um novo conceito de peixe assável.
E não ia mudar de banca mais para ao pé da porta da praça. Estava enquadrado num projecto para criar uma nova interacção com os clientes.
Há não sei quantos anos que repetem os mesmos disparates com ar grave. Ainda há pachorra para ouvir estes avejões?
por MCV às 15:40 
As grandes questões universais – episódio q+4O Procurador-Geral da República foi à Assembleia para ser ouvido ou para ouvir?
Estou aqui há quase duas horas a tentar adivinhar esta resposta. Adivinhar.
por MCV às 15:40 
Motivos para deserdar alguém (mais um da série de)Ouvi-lo dizer que acredita na paz.
por MCV às 15:40 
O nível intelectual da coisaTambém se mede pela quantidade de disparates por pixel que se vêem escritos sempre que muda a hora.
Refiro-me àqueles mesmo que não fazem a menor ideia do que estão a falar.
É nestes pequenos pormenores, nestas coisas simples, inteiras e pequenas, que se lê a incapacidade da turba para perceber o que acontece quando se soma ou subtrai qualquer coisa a outra coisa qualquer. O passo seguinte que seja.
Mas a turba dá-se ares. E lê livros.
por MCV às 00:35 
As regionais mensagens do PresidenteNão sei se quero a regionalização para poder deliciar-me com mais umas quantas
mensagens do Presidente nas páginas oficiais.
Não sei se a quero para poder apreciar mais uma bateria de alindadas rotundas. Que sempre se arranja maneira para fazer rotundas regionais.
Não sei se a quero para poder deleitar-me com a retórica política de mais umas quantas figuras de almanaque.
Não sei qual a razão mais instante porque a quero. Mas sei que é, só pode ser, desta ordem.
por MCV às 22:34 de 28 outubro 2007 
Ainda sou do tempoEm que a hora não mudava.
E ainda sou do tempo, antes desse, em que mudava.
por MCV às 21:24 