01/11/2013

Jornalismo, clima e campanhas higiénicas (I)

A nova religião, os novos mandamentos, é, são ditados pela imprensa. Escrita, falada, mostrada.
No rol de novos mandamentos existe um subconjunto relacionado com as campanhas higiénicas que tem como motivação a luta contra as alterações climáticas (?!). Como se o clima (ou um conjunto de parâmetros agora medidos) tivesse sido uma constante até que se começaram a medir temperaturas, pressões, precipitações, horas de sol, direcções e velocidades do vento, etc, etc.
E como o clima ou a ponderação do tal conjunto de parâmetros não medidos apresentou no gráfico o aspecto de uma linha recta horizontal até ao ponto em que começaram as medições (!!!), decretou-se a alteração climática.
Para quem se recorda, o sistema hoje funciona exactamente ao contrário do que funcionava até aos anos 60, 70.
Nessa altura, face à ancestral e lapidar afirmação popular de que “o tempo já não é o que era” e até de uma outra mais de acordo com a época (anos 70) “desde que eles foram à Lua que isto já não é o que era”, havia uma resposta inequívoca: o clima não é o tempo que fez ontem, que faz hoje e que fará amanhã, é um conceito mais vasto e não há dados alguns que apontem para mudanças climáticas. Isto era a ciência dessa época, dada à estampa pelos meteorologistas de serviço. A corrente dominante. Os que se recordam, sabem que era assim. Aos outros, recomendo leituras desses anos.
A partir do momento em que se desencadeou a terceira fase do higienismo* com as grandes campanhas anti-poluição dos anos acima referidos – 60 e 70 do século passado, o comportamento humano passou a ser condicionado por desígnios como: a limpeza das terras, dos rios e dos mares, a pureza do ar. Conseguidos progressos nessa frente, avançou-se para a defesa da camada de ozono – nunca vi um estudo sério sobre as suas oscilações, nunca li nada sobre a presunção (a tal presunção) do que teriam sido tais oscilações antes de haver medições. E é um assunto morto ou quase morto. Agora estamos na fase das alterações climáticas. Que, a título de anedota, consagrou o ano de 2001 como o mais quente do terceiro milénio D.C..

(continua)


* na minha leitura, a primeira fase coincide com a preocupação com a saúde pública pós-revolução industrial e a segunda com as doutrinas que anunciavam o homem novo, eugénico e tudo.

31/10/2013

Lágrima de preta*

Um cozinheiro encartado, há pouco na RTP, à pergunta politicamente correcta feita pela jornalista se o cozinhado levava sal, desatou a encarecer a flor de sal, o sal marinho e o sal-gema e que isto e que aquilo e que era (qualquer deles?) isento de cloretos!
Este tipo de anedotas, hoje em dia triviais e com acolhimento em todas as televisões, rádios e jornais, num outro tempo incorporavam-se na tradição oral, por absurdo. E lá faziam o seu caminho. Hoje nem sequer são identificadas, tal é o grau de alienação.

* Tributo a António Gedeão

28/10/2013

Estação C.F. das Pias, 2011

Encierro

Ontem foi dia de encierro.
As bestas caminharam pelas ruas do Porto até serem encerradas no estádio.
Deixando o Porto (ou Pamplona?) de parte, que tal aquela ideia estúpida que aqui deixei há três anos e tal?
Burrice

Se um tipo diz num programa de televisão que o Gafetense é um clube talvez do Crato e, uma semana depois, pede desculpa para dizer que afinal é mesmo do Crato, isto quer dizer que o tipo é burro, muito burro, distraído ou muito distraído?
Para quem não sabe, o Gafetense é, naturalmente, de Gáfete. E, sim, Gáfete é uma vila do concelho do Crato. Mas não é o Crato.

26/10/2013

A minha aranha de estimação afinal vinha de fábrica

Voltou.
Fui ver ao Manual de Instruções.

25/10/2013

Não é loucura

Não é loucura, é mesmo debilidade mental.
Os loucos, por vezes, vêem longe. Estes desgraçados não divisam para além do nariz.
Taxa



Pagamos nós a taxa para que um conjunto de analfabetos confunda tromba d’água com tornado. E carga d’água com tromba d’água.
Quando vêem uma tromba d’água chamam-lhe tornado.
Quando cai uma imensa carga d’água algures, dizem que foi uma tromba d’água.
Qualquer que seja o valor da taxa, é alto demais.


Nota: esta coisa do YouTube é igual a internet. Não tem autoria. Se eu disser RTP não digo televisão em geral, digo que é alguém que trabalha para tal casa.
A imagem acima parece ter saído de um filme de José Luis Leal.
A minha aranha de estimação

Uma aranha é uma aranha. É a própria teia. É uma espécie de enredo em que nos metemos e do qual muito dificilmente saímos incólumes. Que gand’aranha! – exclamaria o meu velho M.O. para os seus botões ao passar por mim sem me cumprimentar e vice-versa. Incógnitos. Era disso que se tratava. De uma gand’aranha onde entrávamos todos ou cada um e da qual saíamos, ou nem sequer isso, chamuscados e mais vividos.

Uma aranha é repulsão. Insecto desprezível e exterminável nos sonhos mais duros.

Uma aranha diz que é dinheiro. Que quem mata tal bicharoco imita os chineses que apontam para fora, para a perdição.

Há alguns meses, dei-me conta de que existia uma teia de aranha no espelho retrovisor da porta do condutor do meu carro.
Como o carro é utilizado, achei estranha a coisa e limpei-a sem grandes detenças.
Surpreendeu-me, sim, que no dia seguinte lá estivesse outra teia.
E no outro. E no outro.
No dia em que me resolvi – o carro estava razoavelmente limpo – a passá-lo pelas mangueiras de alta pressão e fazer incidir o jacto nos arredores do espelho, julguei ter a coisa resolvida. Ledo engano. Não no dia seguinte mas na semana seguinte, teia. Aranha. Enredo. Todavia nunca havia visto o bicho. Só a irrevogável teia.
Foi mais ou menos por essa altura que decidi deixar de importunar a aranha e considerá-la, à revelia, animal de estimação*.
Quando começaram estes dias de chuva pensei que a minha companheira de viagens me abandonaria por outro lugar mais recatado.
Ora, ontem, tendo o carro coberto de folhas secas, mas molhadas, que a chuva projectou sobre ele, vislumbrei-a finalmente. Deslocava-se do lado esquerdo do vidro para o direito, mais ou menos a meio da tabela, entre a folhagem. Deixei-a passar antes de fazer rodar as escovas.
Hoje não mexi no carro. Sempre quero ver se, removendo a teia, ela voltará, irrevogável.


* hei-de contar a história do gato. Dos gatos.
Portugal fotografável

Na sua parte continental.



Cerca de 20% dos pontos estão colocados.
Só valem as fotografias posteriores à numbaro um.

23/10/2013

What?

When and where can you read the full: fool looming to steps the women who will win the lottery I’m lying low line below year so the year we cannot lot will await the league and singling rolls around around the mall coastal. – alguém que adivinhe o que ditei eu ao reconhecedor de voz do Word para sair tal período.

21/10/2013

Entrevistas

A entrevista a José Sócrates que o Expresso publicou só contém elementos que reforçam a minha apreciação do homem: intelectualmente muito fraco, com tendência para declinar autores e propenso a epifanias.
A entrevista de Maria Luís Albuquerque à SIC revela dela uma inconsciência social grave ao referir-se aos seus rendimentos e padrão de vida. Não tenho dado atenção à senhora ao ponto de dela ter uma imagem da sua capacidade. Apenas noto que ou não percebeu como vive a maioria dos portugueses ou acha que se pode comparar com essa maioria.
Sócrates passou, deixou estragos e espera-se que não volte.
Maria Luís Albuquerque faz parte de um governo cujos membros têm que perceber que têm que ter uma imagem de quase santidade para que o país acolha de boa mente a necessária revolução que é necessário fazer.
Não há dúvidas quanto ao caminho pedregoso que teremos pela frente. Só os simples, muito simples, clamarão por relva macia.
Não há dúvidas que guiar um povo por tal caminho pouco viável é tarefa para gente sem queixumes. Nem rabos de palha.
As grandes questões universais - episódio q+30


em diferido

20/10/2013

Um outro tempo

Os homens já escreveram sobre quase tudo o que importa. E o quase refere-se, em negativo, à insignificância que resta – os fenómenos que nunca antes se apresentaram como desafio, como prova. A história que contarei está pois farta de ser contada.
Os urbanos, a partir do momento em que as cidades proliferaram, não tiveram dificuldade em esquecer as regras que é necessário seguir para não lutar contra a corrente dos caprichos da Natureza.
No campo, não esquecendo tal, procurava-se domesticar o ambiente. Tendo talvez a ideia que tal domesticação era incerta.
Vem isto como introdução de uma pequena história que ouvi as vezes suficientes para a saber contar sem lhe acrescentar ou retirar muitos pontos:
O homem passava amiúde à porta do rapaz que se fazia encontrado a fim de que aquele lhe atirasse do cimo da montada uma ou mais moedas.
Tornaram-se com o tempo cúmplices daquele jogo. E de certo modo próximos.
Quando o rapaz, já regressado das sortes, caminhava com dois taipais, cada um em seu braço, a fim de dar início à empreita do adobe para a casa, foi surpreendido pelo velho que o desaconselhou – não comeces já que o tempo ainda não está seguro e ainda te leva as paredes numa chuvada.
O rapaz, determinado mas afinal atento ao que o velho lhe dizia, matutou e esperou. Dias depois veio uma carga d’água que provavelmente lhe teria atirado por terra parte do trabalho.
O valor desta história, igual a tantas outras, está no facto de o velhinho quase nonagenário ter bem presente a lição que aprendeu quando dava os primeiros passos da maturidade – ouvir os que mais devem saber e desconfiar da Natureza.
Os urbanos actuais, a que podemos chamar burgueses, e que herdaram de sucessivas gerações a ignorância das regras da Natureza, quando confrontados com um período longo de paz e de prosperidade, como é o caso agora, já não só ignoram tais regras como as negam.
Acham-se no direito de querer sempre mais e melhor. Um retrocesso é para eles coisa inconcebível e atentatória de um direito que se pretende divino a não andar para trás.
Há muito que se alhearam do jogo em que se perde e se ganha. Foi-lhes assegurada uma condição de vida em derivada monótona e positiva por aqueles, e são muitos, que perdem e que ganham consoante a monção.
Não conseguem já ver para lá da cortina que têm à frente dos olhos.

19/10/2013

Prélio do dia



Não passarão. Os de Braga. Em Gáfete.

Nota: forem jogar a Portalegre
Falsas memórias

Depois de me haver surpreendido com o efeito degenerescente que um aparelho de GPS pode exercer sobre o meu até então apurado sentido de orientação, surpreendo-me agora com outro efeito sobre o meu cérebro exercido pela observação de vistas do Google Street.
Já são duas surpresas em pouco tempo para um tipo que não está já em idade de se surpreender.
O facto é que a contemplação das vistas de rua e de estrada de locais que desconhecia gerou falsas memórias fotográficas reais. E, chegado aos sítios, esbateu em muito o deslumbramento que novas e interessantes vistas normalmente desencadeiam.


(clicar para ampliar)

18/10/2013

Livros de merda

Gostei de ler alguns livros de merda. Cheios de erros ortográficos, fartos de erros de sintaxe, com uma lógica argumentativa ao nível de um cretino.
Gostei de os ler como quem (calculo que assim seja) gosta de teatro de revista. Uma coisa primária, sem expectativas para além do menor (chamem-lhe mínimo admissível).
Gostei de facto de ler alguns livros de merda. Ainda que se encontrassem pontuados de asneiras e disparates factuais – fosse o caso de Dom Afonso Henriques ser filho de Nuno Álvares Pereira fosse o caso de o grande terramoto de Lisboa ter ocorrido no Algarve trinta e três anos antes de 1755 (ninguém cá estava para ver). Isto para citar alguns erros que não encontrei, tendo encontrado outros de igual calibre.
Gostei até bastante de ler alguns livros de merda. Os que, no meio dos erros gramaticais, dos erros de discorrimento, dos erros factuais e dos erros de discernimento que aqui não exemplifiquei, mostram uma decoração argumentativa que se assemelha, pictoricamente, à dos carrosséis de feira dos anos 60.
Isso – que é sua leitura - é bom para um fim de tarde num dia de Verão, no momento em que a mudança da brisa produz os seus efeitos.
Portugal, 2008

16/10/2013

Bacanais

No final da década de 70, a crer nos ouvidos, havia bacanais por toda a parte.
Pois eu, pela parte que me tocou, posso dizer que os que frequentei tiveram a emoção e a luxúria de um pacato chá das cinco. Ou de uma demonstração tupperware aviltada pela presença de machos inquietos. Algo do género.
Ora ainda hoje ouço por vezes menções a tais festins. Ao teste de “estavas lá?” obtenho invariavelmente um “não, mas contaram-me”.
Não digo que não tenha havido tais festas. Acho estranho é não haver testemunhos na primeira pessoa. Ainda que fique bem omitir certas passagens do currículo.
Constantim, 2005

15/10/2013

Teoria das previsões

Merece leitura atenta um resumo da teoria apresentada pelos vencedores do Nobel da Economia.
A questão do comportamento dos mercados é um dos mistérios que decorre do mistério do comportamento humano e dos actos de Deus (secas, aluviões, pestes, etc.).
Se alguém se aventura nessa senda com hipóteses que merecem um Nobel, há-de haver nesse resumo qualquer coisa que se aproveite.
Confesso que vou lê-lo com a reserva mental que aplico a todos os modelos que fazem previsões, se é disso realmente que se trata.


(clicar para aceder ao documento justificativo e descritivo do prémio)

14/10/2013

Jornalismo

A primeira vez que ouvi e vi a notícia sobre o mais recente atropelo na Índia, a voz off dizia que tudo tinha tido origem no colapso de uma ponte. Todavia, as imagens mostravam gente a atropelar-se numa ponte erecta, sem danos visíveis.
A diferença desta vez é que corrigiram mais tarde o erro. Afinal tinha sido o boato de que a ponte iria cair que levou ao pânico.
É muito frequente que os textos lidos não acompanhem as imagens, dando a ideia de que quem escreveu o texto se limitou a traduzir dos textos das agências sem espírito crítico, sem ter visto as imagens ou, caso para me inclino, sem as ter compreendido.
E é muito raro que seja feita a correcção.

13/10/2013

Retrato-robot


fotografia de Leon Neal para a AFP

To be or not to be – that clever to understand what are errors in a calculation.
Esta é a questão que se deve considerar quando se publicam os retratos inventados de alguém, com vista a que esse alguém seja reconhecido.
Ocorre-me isto quando surge mais uma torrente de notícias sobre a desaparecida Madeleine McCann, acompanhadas de um novo mas já velho retrato-robot do que alguém pretende seja a imagem da miúda actualmente. Se ainda estiver entre os vivos.
Aqui nem sequer há cálculo, qualquer ciência. É pura e dura arte divinatória. Alguém se entreteve a imaginar o aspecto da miúda, com base nos seus traços conhecidos e na fisionomia dos pais. Apesar de tudo, uma coisa provavelmente mais próxima do que a imagem de Jesus Cristo.
Ora a questão é se, sendo o fito o de encontrar viva, caso ainda o esteja, a miúda, é procedente emitir tal retrato de forma acrítica, para que os simples pensem que aquele é, de facto, o aspecto actual dela.
Ou se seria preferível não o fazer, dada a baixíssima probabilidade de tal retrato ter alguma parecença com a almejada realidade.

10/10/2013

Uma preguiça

Há uma preguiça mental vária que me impede de sistematizar a informação recolhida sobre o caso da crise sísmica ao largo de Castellón de la Plana e a sua relação com a injecção de gás num depósito natural nas proximidades dos focos sísmicos.
Uma preguiça mental vária que me impede. Até de ser mais claro nestas linhas.

08/10/2013

Arouca, 2013

Explicar

Se é de falta de explicação que se trata, que Passos Coelho explique, que mostre a razão pela qual se atreve a cortar nas pensões enquanto mantém Rui Machete no governo.
Aquela coisa de dar o exemplo, da autoridade moral, já não se usa?
Se não se usa, acautele-se. Um destes dias será chamado à pedra.

07/10/2013

Manuais de instruções

Nas divisões do mundo, uma há que é inelutável: o mundo divide-se entre os que escrevem manuais de instruções e os que os usam. Grosso modo.
Ora de entre os diversos manuais de instruções que se podem considerar, uns há que mostram uma evolução que talvez reflicta muito bem a evolução que o mundo sofreu desde que surgiram – as bulas de medicamentos.
Estive há pouco a saborear o texto da bula da vacina Influvac 2013-2014 (... se você ou o seu filho são alérgicos...). Pareceu-me destinada (... se você ou o seu filho estiverem a tomar...) a um indivíduo que estava hoje (... se você ou o seu filho têm uma resposta imunitária fraca...) à minha frente num balcão de clínica. Foi difícil, muito difícil, à funcionária explicar-lhe que o horário era das tantas às tantas e que, dentro desse horário, poderia ir a qualquer hora e que o tempo previsto para a espera era no máximo de meia hora.
O mundo não está mais estúpido. Há é mais estúpidos a julgarem-se doutores. Ou similares.

06/10/2013

Tom

Estou aqui a ouvir um comentário à bola feito num tom tauromáquico.
Coisa que não me recordo de ter alguma vez ouvido.
E, acrescento agorinha mesmo, também com algum jargão taurino – o pé contrário é parente do piton contrário.

05/10/2013

Aqui há Gato!*

Num tempo em que a profusão de comentários, de likes e de estrelas é esmagadora e a um indivíduo que se propôs não fazer recomendações de restaurantes, a esse indivíduo seria de esperar que escrevesse moita.
Pois não, aqui digo que há Gato na Lousã.
Não me recordo de anteriormente alguma vez me ter restaurado em tal povoado. Talvez um café, isso sim.
E ontem, justamente quando depois de ter passado por invernos, primaveras e verões sem chuva (que este ano como está demonstrado o Outono foi eliminado do calendário), justamente quando desabou uma magnífica carga d’água, acolhi-me no Gato.
Foi bom, barato. Fiquei bem servido.


* longe de mim querer plagiar ou sequer competir com o mestre Quitério

03/10/2013

Loucura

Só uma loucura generalizada nos órgãos dos dois principais partidos políticos justifica a acesa troca de argumentos entre os integrantes de um e de outro lado.
Não conseguem entender o que é pacífico entre os observadores distanciados – um e outro são duas faces da mesma moeda. E igualmente responsáveis pelo estado a que chegámos.
Já agora: qual será a posição do PS face à Constituição e aos condicionamentos dela decorrentes quando chegar de novo ao poder?

01/10/2013

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 21




Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real.

29/09/2013

500%

Para Paulo Portas, um dos tipos mais sobreavaliados do burgo, passar de uma para cinco câmaras (presidências de -) é um aumento de 500%.
Há um problema com os números no CDS.
Menos que zero

Um dirigente do CDS, que ignoro qual tenha sido mas que ouvi em voz off, afirmou que o CDS tem sido tão maltratado nas sondagens que até já lhe projectaram resultados negativos – menos que zero, portanto (cito de memória).
Bret Easton Ellis deve ter ido aqui buscar inspiração.
Alavancar (X)

Ess’agora! O que não falta são grupos coesos que desatam à berlaitada!
Se puseres uma porrada de malta, uma porrada é uma maneira de dizer que os autocarros são para aí de cinquenta e dois lugares, uma porrada de malta que nunca se tenha visto se calhar vão mais felizes todos juntos no autocarro que esse tal teu grupo coeso. Porrada é disfemismo, ‘tá claro!
Ok. Não vale a pena irmos por aí.
Pois não.
O que te digo é que, com a devida ensaboadela papagueiam tudo o que se quiser. Que nunca houve verões assim, invernos assim, calores assim, chuvas assim. Que foi fora-de-jogo e que foi penalti e que o outro é maricas e que a outra é...
Mas isso foi assim pelos séculos dos séculos. Descobriste a pólvora, pá!
Talvez. Mas nunca se espalhou tão bem aquilo que se quer como hoje.
E o que não se quer.
Ah, isso é marginal. O grosso do rebanho obedece ao capataz e ao cão que o guarda.
Capataz? Não será antes pastor?
Ai o c... Bebe mas é mais uma mine e concentra-te nisto – se o nosso problema de método não estivesse na alavanca, não haveria tanta gente a conjungar o verbo alavancar, soando a arrancar, carregar e outros esforçados verbos. É o mau uso da alavanca que o explica.
Agora é que deste uma p’rà caixa.
Manel! A abaladiça: mais duas mines e um pacote de alcagoitas.
Aos costumes disse pois

28/09/2013

Rotundos autarcas*

A classe dos autarcas não escapa ao retrato do país – uns quantos bons e capazes, uns quantos assim-assim e uma imensa maioria de medíocres e maus.
Autarcas actuais e passados, bem entendido.
Essa imensa maioria de medíocres e maus deixou obra. Que para essa maioria de eleitores que os foram mantendo no cargo terá sido boa obra.
Que interessam as dívidas que se contraíram e que não se conseguem pagar, as porcarias que se fizeram e que para nada servem e que em alguns casos não se conseguem conservar em bom estado (como se interessasse ter porcaria em bom estado...)? Não interessam nada.
Dessa imensa maioria de eleitores começaram a dissidir uns quantos afinal indignados com o esbanjamento que agora lhes esmifra os bolsos.
Este post é para homenagear os que de há muito foram apontando os ridículos mimetismos e as extravagâncias dessa classe.
Com mais (como neste caso) ou menos humor.


nó rodoviário em Mafra - imagem dos Bing Maps.


*expressão que me tendo ocorrido, tive o cuidado de verificar já ter sido cunhada por outros.

27/09/2013

Alavancar (IX)

A razão do nosso atraso está na alavanca. Ainda não percebeste?
O nosso mal é que o braço potente é sempre menor do que o braço resistente. Acreditamos nas alavancas assim. É assim que as usamos. Como se fossem pinças.
E com isso podemos fazer ene vezes o trabalho necessário para um determinado fim. Desperdiçamos pelo menos ene menos uma vezes esse trabalho necessário. Faz parte da nossa natureza.
E as perguntas a Marcelo e as letras do Tony Carreira dizem-te isso?
Dizem. Ó se dizem. É preciso a gente embrenhar-se bem numas e noutras para ver a luz!
Ena, pá! Na minha terra chamamos a isso lavagem cerebral. Conseguem-se prodígios com a convivência prolongada com as mentes adequadas.
Deixa-te dessas porras. As perguntas a Marcelo e as canções do Carreira são apenas um sintoma. Mas um sintoma evidente que convém ter em conta.
Achas?
Acho. E acho mais: com alguma propaganda não terás dificuldade em obter um grupo coeso que jure a pés juntos que faz menos trabalho accionando um braço menor do que um braço maior numa alavanca.
Grupo coeso? Por quê coeso?
Porque se não fôr, é uma chatice colocá-lo no mesmo autocarro e levá-lo a um estúdio de televisão.

(continua)
Das rimas



Rima com estoutra.

24/09/2013

O espírito simplex ou a falta de método



Não há nada de novo na nossa desorganização, na nossa falta de método.
Quando sentimos na pele o azorrague dá-se uma remexida e a coisa por vezes ainda fica mais desorganizada do que já estava.
Acho que um bom exemplo é, pelo menos nesta faceta, o espírito simplex. Na faceta Simplegis – só o nome assusta.
E, na faceta Simplegis o que é que acontece? Acontece que num mesmo decreto-lei, em artigos diferentes se alteram outros decretos-leis com disposições relativas a assuntos tão diversos como a caça e a emissão de selos postais.
Se isto não é falta de método, não sei o que é falta de método.

23/09/2013

Curiosidades

Nos últimos dias, e depois de ter aqui mencionado o desastre que é o cadastro rústico, ouvi menções ao assunto em vários programas de televisão.
Alavancar (VIII)

Tens razão. Marcelo é a pitonisa, M e mais uns quantos. M será coincidência? – acrescentei já a abardinar a coisa.
Poderias ir ao sumo das questões, perguntando quem irá ganhar o campeonato da 1ª divisão e repetindo aquela: que pergunta faria se só lhe fosse permitida uma pergunta na vida?
Lá vens tu com mais filosofia barata e populismo adjunto.
Vou submeter estas perguntas a escrutínio e observar quais delas passam o crivo. É o teste.
Podias acrescentar uma outra: as perguntas a que o Prof. Marcelo responde são mesmo do público?
Deixa-te de disparates. E mais, isso da 1ª divisão já era. Agora é Liga-qualquer-coisa ou I Liga.
Olha que bom. Faca na liga.
O quê?
Nada, nada. Fala-me da alavanca.

(continua)

22/09/2013

Cátedra

Parece-me que se pode avaliar a potência de um país pela qualidade média dos seus professores universitários.
Quando grossa parte desse corpo se entretém a fazer juízos éticos e estéticos da ciência percebe-se que a potência é fraca. Na proporção inversa à grossura do extracto que tais juízos emite.
Verso a posteriori, prosa a priori

21/09/2013

Interpretações

Passos Coelho faz interpretações do comportamento dos mercados bolsistas e afins – disse-o ele há pouco ao povo de Alcanena.
Eu, que já revi em baixa a conta em que o tinha, sinto ser confrangedor que um primeiro-ministro faça tais interpretações.

20/09/2013

Rebanho

É claro que o ensino não tem que ter por objectivo instruir as crianças e prepará-las para darem o seu melhor.
Pode ter por objectivo criar um rebanho facilmente pastoreável.
Ter visto o que me pareceu ser uma aula de inglês no ensino básico a tratar as crianças da faixa etária correspondente àquele ensino como bébés, mostrando uma espécie de robertos com forma de peixe para que o coro cantasse fish; com forma de cão para que o coro cantasse dog; com forma de coelho para que o coro cantasse rabbit parece-me bem para encaminhar um rebanho e muito mal para preparar gente capaz.


imagem de filme da RTP

19/09/2013

E.N. 365, 2012

Cadastrado


mapa do IGEO

Quando olho para este mapa, ocorre-me perguntar:
O mapa está desactualizado?
Não o estando, nos concelhos a branco e nos que “não entraram em regime de cadastro”(?) sabe-se (sabe o Estado) onde estão os sesmos e a quem pertencem as terras?
Sabendo tal o Estado, cobra o respectivo IMI?
Incomodar-me-ia muito saber que os prédios rústicos de quase metade da área do território continental não estão sujeitos a impostos na fase em que a coisa está.
Espero pois que o Estado saiba de quem são as terras e arrecade as colectas respectivas.
Aveiro, 2013

18/09/2013

As grandes questões universais - episódio q+29

Da capacidade de encantamento de uma fêmea ainda cria de leite por um macho velho consegue-se extrair que tipo de informação?

17/09/2013

As pequenas questões por isso nada universais

Até que ponto é que a palavra swap substituiu a expressão off-shore na suscitação de um sorriso alvar nos inquisidores do costume?

NOTA: na realidade a palavra e a expressão a que eles reagem e reagiram pavlovianamente são: swaps e off-shores.
Aprender

Há ocasiões em que um indivíduo bem colocado pode recolher conhecimentos únicos.
Estar no posto de comando da operação para colocar a prumo o navio Costa Concordia é uma delas. Rara.


imagem da Reuters via the Independent

15/09/2013

Alavancar (VII)

Quem é o verdadeiro manda-chuva (aquele que decide mesmo se chove ou se faz sol) em Portugal continental?
Porque é que deixaram de existir boletins meteorológicos na SIC com umas meninas que previam o tempo especificamente para Vila Nova da Raínha, Alfarelos ou Conceição de Tavira?
O que é que aconteceu a Dom Sebastião?
Qual vai ser o formato das matrículas de automóvel quando se esgotar o actual 00-AA-00?
Quem vai ser o ministro da Saúde no dia 13 de Setembro de 2027?
Quantas marcas americanas de automóveis conseguirão vender carros em Portugal em 2025?
Quem será o futuro presidente da Região Demarcada da Mulher Norte-Alentejana? Por quanto tempo mais se manterão os actuais limites de tal região?
Li até aqui o rol das perguntas a Marcelo.
Baralhas a pitonisa com o londrino M – disse-lhe. Baralhas, que é como quem diz. Misturas.
E qual é o espanto? – retorquiu.

(continua)

12/09/2013

O mundo na mesma

Mudança no mundo é uma designação de uma ocorrência que não ocorre. O mundo não muda por ocorrências. Ou não muda por ocorrências singulares e precisas.
Isto se considerarmos que uma mudança no mundo é, para além da poesia da designação, algo apreciável. Contradigo-me. Ocorre ou não?
Verifica-se. Verificou-se em tempos que marcaram eras. Não foram propriamente ocorrências precisas e datáveis mas verificou-se. Verificou-se quando hábitos mudaram para grande parte da ecúmena.
A mais recente pode apreciar-se na forma como comunicamos à distância. Da generalizada utilização do telefone agarrado a um cabo e da missiva no final da década de 80 do século passado, passámos em vinte e tal anos (e este intervalo pode ser “apurado”) para um tipo de comunicação muito diferente. O mundo mudou.
Alguma coisa de substancial mudou no mundo a 11 de Setembro de 2001? Não. O mundo terminou para milhares de pessoas. Como termina a cada dia que passa. Nesse dia terminou talvez para mais do que costuma terminar em cada dia.
Talvez tenha havido uma mudança – talvez para a maioria dos ocidentais tenha sido a primeira vez que se deram conta de que existe um conflito entre civilizações. Mas isso não se consegue medir, verificar.
Contradigo-me?


Fred R. Conrad / The New York Times Photo Archives, 1983

11/09/2013

O pomo da discórdia


imagem daqui

O pomo da discórdia desapareceu. Tanto faz que tenha sido na guerra de Tróia ou quando a massificação e a mediatização deram o salto quântico.
Hoje, em regra, uma disputa gera-se entre os que estão a favor de um bolo argumentativo inconsistente e auto-contraditório cujo significado é inalcançável e os que estão contra um bolo argumentativo inconsistente e auto-contraditório que em muito pouco coincide com o primeiro e cujo significado é igualmente inalcançável.
Por vezes nada separa os contendentes.
Por vezes nada une os concordantes.

06/09/2013

O assassino

Um Brock descrito há 60 anos por Ray Bradbury e emparelhado por mim com um pouco mais novo Myron Aub de Asimov.

05/09/2013

Dia Nacional do Legislador

É certo que podia ser outro, mas eu hoje estou por hoje – que 5 de Setembro seja o Dia Nacional do Legislador.

03/09/2013

Fósforos



Altura para afinal repetir o que já há três anos escrevi e que agora há uns quantos que vigorosamente defendem.

02/09/2013

Dedicatória a tutti quanti (em jargão do meu tempo)

Alavancar (VI)

Um teste?
Sim. No outro dia apercebi-me de que o homem respondia a perguntas a pedido.
E que seleccionaram uma de vida ou de morte. Se fulano de tal recuperava ou não. Ora isto é colocar Marcelo no lugar de pitonisa, coisa que alguns dizem que ele é, embora aparentemente ainda ninguém tivesse experimentado de forma tão explícita testar-lhe tal qualidade.
Perguntaram-lhe se um tipo sobrevivia ou não? ‘Tás a falar a sério?
‘Tou, pois. Achas que ia brincar com questões de vida ou de morte?
Dei-me conta de que a nossa conversa começava a interessar aos parceiros das mesas vizinhas. Sem que soubesse a que ponto se encontravam já a par da escrita.

(continua)

30/08/2013

Nomes

Ouvi mal ou um daqueles excelsos comentadores de ciclismo do Eurosport acabou de dizer à vista do rio que passa por Sevilha: o rio Guadalquivir ou [também chamado] Guadiana?

29/08/2013

Alavancar (V)

Vamos começar pela letra do Tony Carreira. Apontei-a à mão porque não tinha impressora e só tenho um computador de secretária, nada de portáteis grandes ou pequenos.
E dei-me a esse trabalho também com aquele espírito de quem faz cábulas – para além da utilidade do papelinho na altura do aperto, alguma coisa fica na memória enquanto se escreve. Talvez com isso quisesse suprir algum desejo inconsciente de memorizar a letra, sabe-se lá. O certo é que me interessava conhecer um exemplo do que canta o homem. Porque aí está, não duvides, a essência do povo.
Ainda empinando a mini-castello à frente do nariz, mirava-lhe a expressão empenhada refractada através do vidro.
A lista de perguntas para o Marcelo é um teste. Queres ler?

(continua)

28/08/2013

O rebanho

O rebanho é aqui a parte maioritária da mole que segue os mesmos ensinamentos, que julga da mesma forma, que papagueia com igual fervor as mesmas verdades insofismáveis e os mesmos valores divínicos.
É hoje possível determinar que cartilha é essa a partir das estatísticas de cliques.
E é possível determinar se essa cartilha é a preponderante nas televisões internacionais e é a que informa os programas da maioria dos partidos mais votados nas sociedades ocidentalizadas.
Se se concluir que a cartilha é a mesma, o Grande Irmão está mais do que instalado. Com vinte e cinco anos de atraso sobre a data de Orwell, mais coisa menos coisa, o sonho totalitário do início do século XX está consumado no dirigir das mentes sem recurso à religião.
Falha d’energia

É recorrente a escassez de energia. Raras vezes permite ultrapassar os vinte pés (!) de altitude.


Rob Gonsalves, Bedtime Aviation
Portugal, 2013

27/08/2013

Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença décima quarta

A quem, pela sua natureza, continuadamente te arrelia sem razão, dá-lhe um pretexto.