10/02/2014

A esbelta glutona, o Tour às avessas, os mauros e o palácio das portas de plástico



Ela era uma espécie de Ivete, imensa e magra.
Disputava o trono com Ercília, mais nova.
O palácio ficava ali na Fontes, mais ou menos onde era o Monte Carlo.
Tinha uma loggia fechada por portas transparentes de plástico.
Foi isto no dia em que rebentou o caso do Tour, em que vimos claramente visto o Peugeot azul e amarelo acelerar contra a corrente e em que eu quis de imediato ver as imagens do helicóptero que se distinguia logo acima. Uma carnificina, foi o que pensei ao ver o carro desaparecer na curva já com muitos outros no seu encalço.
Voltaram. O carro azul e amarelo chiava pela descida. Ia ser apanhado.
Entretanto, na Fontes, talvez antes de L’Étoile, um bando de levantinos em triciclos de mercadorias, forçava o caminho para se opôr à passagem da caravana.
Decidi mandar fechar a loggia. Ao julgar perceber num dos polícias o reconhecimento da ameaça que aqueles constituíam. Talvez uma bomba.
Deixei o meu subalterno a comandar as operações na porta d’armas e voltei para junto de Ivete, que se consumia de expectativas.
De uma janela lateral, observava as operações na praça. A polícia parecia ter reposto a ordem e ter a coisa controlada. Já não se ouviam as vozes finas das crianças transportadas nas caixas de carga dos triciclos.
O homem que me era familiar, de cadeira de rodas, dava-me recomendações e conselhos jurídicos. Eu explicava às visitas que ele ainda conduzia o seu Mercedes 180, apesar da quase invalidez e da idade muito avançada.
Depois de fazer mais uma ronda com os olhos pelo salão, pedi-lhe escusa.
Encalhei na secretária do porteiro, que estava a impedir a escadaria do vestíbulo. Ainda pensei passar por baixo dela, quando verifiquei que era praticável a passagem entre o vão e a dita.
Lá estava o meu subalterno a conferenciar com um amigo. A rua em paz.
Disse-lhe que faltava um painel de plástico transparente no arco do topo norte, porque o estava a ver ali na sala vestibular, a fingir de expositor de livros.
Ele disse-me que reparasse bem. O arco estava fechado. O plástico transparente é que estava imaculado. Não se dava por ele.
Posto que assim era, dei as ordens finais para fechar as portas.
Recolhemos ao salão.
O homem dos conselhos tinha saído pela garagem, na certa usando o elevador. Deixara em cima de uma mesa um folheto amarelo dobrado com um papel incluso.
Nesse papel, escrevera um nome. Em maiúsculas.

09/02/2014

O génio dos sonhos peremptórios

Como qualquer grande oráculo não previu o menos provável.
Embora possa ainda ter razão no resultado.

O estádio da Luz não tem quarenta anos de uso como tinha o José Alvalade na altura em que se desprenderam pedaços de betão da pala.
Ali, ou há projecto deficiente ou deficiente execução e falha da fiscalização ou aconteceu qualquer coisa que deteriorou a cobertura e os responsáveis da manutenção deixaram passar.
O que não se admite é que com as rajadas que se registaram tenha havido ruptura nos elementos da cobertura.
O que não se admite é que tenham evacuado tão tarde as bancadas. Só um golpe de sorte evitou que houvesse danos pessoais no episódio desta tarde.

NOTA: Um sintoma do desnorte e da loucura que se vive manifestou-se hoje na rádio – não sabiam as pessoas que relatavam os acontecimentos de onde vinham os detritos que caíam no campo.
Disse o génio dos sonhos peremptórios

08/02/2014

Taça Calcutá

Diz que a Escócia, que perdeu hoje em casa com a Inglaterra para o torneio (agora) das seis nações em râguebi por 0-20, marcava sempre pontos contra a Inglaterra em Murrayfield desde 1978. Desde essa data só perdeu sem marcar qualquer ponto com a França em Murrayfield em 2004; com a Nova Zelândia também em Murrayfield em 2007 e com a África do Sul ainda em Murrayfield no ano passado.
Ouvi ontem, julgo que na Sky News, alguém comentar que este jogo de hoje teria um particular significado no meio do ambiente de secessão que culminará com o referendo de Setembro.
0-20 quererá dizer o quê?

07/02/2014

Terror

A julgar pelas cadeias internacionais de televisão, as únicas coisas a reter sobre os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 são:
Se vai ou não ocorrer um atentado terrorista durante o evento. Parece-me ser isto uma notória vitória dos terroristas que estão na origem da ameaça.
Se vai ou não haver o folclore da homossexualidade ostentada.
É tudo.


imagem da página dos jogos

06/02/2014

Costa

O Costa de Lisboa acabou de dizer que a taxa de analfabetismo em Portugal em 1974 era de 70%.
Com os apartes alheios, lá emendou. Para...
Um cartão de pontos

Ok. Já que estamos a abardinar a República e os seus valores de cidadania, substituindo-os por pilim, oferece-me dizer que não será mal pensado criar um cartão de pontos da vilania.
Em vez do carro que dizem vai ser sorteado semanalmente, pontos no cartão.
De cada vez que comprovadamente alguém ajude uma velhinha a atravessar uma rua contra a sua (dela, velhinha) vontade, pontos no cartão.
De cada vez que comprovadamente alguém circule pela faixa da direita na auto-estrada, dela só saindo para ultrapassar, pontos no cartão.
De cada vez que um autarca cumpra um mandato inteirinho sem mandar construir uma rotunda injustificável (isto já são sopas depois d’almoço), pontos no cartão.
De cada vez que um aluno cumpra um ano inteirinho numa escola pública sem andar à porrada e sem danificar as instalações, pontos no cartão.
Estes e muitos outros mais que me hão-de ocorrer, serão os comportamentos que, premiados, farão o país muito mais saudável e robusto. Tal como uma farinha aditivada dos bons velhos tempos.
Para que é que servirão os pontos no cartão?
Essa é boa! Para deduzir na colecta do IRS, ‘tá claro!

04/02/2014

Regresso

Se alguém, sem os suficientes poderes para tal, decide envolver bens públicos em situações em que há prejuízo avançando e há prejuízo ficando, é dever do Estado exercer o direito de regresso.

02/02/2014

Erodidos

O facto de se considerar que a erosão costeira é algo de novo e fruto da incúria e/ou da maldade humana e de se dizer isto com ares de cátedra e, muitas vezes, com honras de cátedra é mais um exemplo, entre muitos, do que é a intelectualidade que por aí anda a debitar sentenças.

31/01/2014

Dos sinais

Dos muitos sinais que a senilidade me vai pondo à frente, estoutro que é significado e significante:



Não acreditei no que li.
Do Malabar

Ganhaste os pinos!

30/01/2014

Concursos de televisão e o novo-riquismo intelectual

Tente lembrar-se daquilo que nunca soube.
(num outro registo, alheio a concursos televisivos, tente perceber aquilo que nunca percebeu).

29/01/2014

Barack Obama

O homem conseguiu, ontem à noite, ser ainda um bom bocado mais demagogo do que é costume.

27/01/2014

Marqueteiros

Ouvi com atenção o argumentário para televisão de Zeinal Bava sobre a extinção da marca TMN.
É um exemplo académico do discurso vazio. Não tem ponta por onde se lhe pegue.
O assunto não me diz respeito, dado que se trata de uma empresa privada. Mas o argumentário televisivo que me é também dirigido, diz.
Epifania

A crer no que diz a imprensa, e o que a imprensa diz é em regra um reflexo de uma interpretação infantil do mundo, mas mesmo assim, a crer no que ela diz, no caso da tragédia do Meco cada vez mais se pretende que uma epifania lance luz sobre o que luz não tem nem teve.
Que os pais daqueles que morreram sintam uma insatisfação, uma agonia mais, por não saberem ao certo o que se passou, entende-se. É da natureza humana, do processo de luto.
Que quem deve olhar para o caso com racionalidade proceda da forma a que a imprensa se refere, dizendo isto sempre com as reservas que a imprensa merece mas com a memória dos péssimos exemplos que a investigação nos tem dado, não é surpresa. Mas é muito triste.

Em Portugal, um dos maiores problemas que temos é o da falta de racionalidade. Tem sido ela que nos tem arrastado ao longo das épocas para o abismo.
Há gente muito capaz por cá. Mas que se dá ao luxo de ser governada por tolos.
Só muito raramente, quando a crise é grande, surge um grupo mais racional para pôr uma certa ordem. Efémera.
Neste momento, atravessamos uma fase em que a irracionalidade campeia. Um pouco por todo o lado.
Com a excepção, aliás meritória, de se procurar emendar as contas do país. Mas isso é outra história.

26/01/2014

PCP


do sítio do PCP

O PCP continua com a sua campanha de rejeição ao pacto de agressão.
Não há de momento polónias para partilhar nem hitleres com quem negociar pactos de não-agressão. É um facto.

24/01/2014

Sismos sentidos

De acordo com a informação do IPMA, o número de sismos sentidos por ano no continente e ilha da Madeira no periodo 1996/2013 foi, em média, de 13.
No ano corrente, ainda não expirado o mês de Janeiro, já vamos com 6.
Se a proporção se mantiver, atingiremos o final do ano com mais de 90 sismos sentidos. Alguém acredita nisso?

23/01/2014

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 22




Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real.
A quantas ando

De lapsos em lapsos, a certeza de que se vão perdendo... qual é a palavra para isto? atributos? qualidades? competências? faculdades? – faculdades, é esta.
Tenho vindo a desenhar uma série de marcos pertencentes a estradas imaginárias do plano de 45. Hoje dei-me conta de que havia nessa série dois artigos (volumes, no caso) sete e dois artigos oito.
Não vale a pena acrescentar mais nada, a não ser que vou corrigir a ordem.

22/01/2014

21/01/2014

Responsabilidades e culpas

É certo que uma das preocupações, se não a essencial, da espécie humana é a de saber de quem é a culpa.
No trágico caso das mortes na Praia do Meco vai abrir-se mais um inquérito ou vão ser atribuídos outros meios ao inquérito em curso ou as duas coisas em simultâneo que isto de notícias é assim mesmo.
Não se pretende apurar o que aconteceu, porque o que aconteceu toda a gente sabe – morreram seis pessoas.
O que se pretende saber é se a pessoa que sobreviveu tem ou não responsabilidades e culpas no cartório.
Num caso onde não há mais testemunhas para além dessa, pretender chegar a tal conclusão é estar à espera de uma epifania.
Idanha-a-Velha, 2013

20/01/2014

Sem embargo

Sem embargo, cada vez me custa mais ouvir gente, de voz embargada, a falar.

19/01/2014

Um cágado nas dunas

Ou para que serve, realmente, a internet.

“Um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,

um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,

um cágado nas dunas
”

Estas quatro palavras, expressão e quase frase, martelaram-me hoje o alvor da mente.
Nem acção para as escrever, nem tino para as ditar a fim de não ficar tal fixação desfixada.
A alvorada acabou por ocorrer num triz e lá fui eu de escantilhão à procura do que eu pensava ser (e era) uma outra martelada mental.


[...] mas eles não ligam, os malucos não ligam, é esse o aparte deles, até a minha mãe um dia acordou maluca, subiu-lhe à cabeça uma coisa que é a ureia, começou a dizer ao meu pai que andava um cágado nas dunas, o meu pai à rasca dizia um cágado nas dunas?, um cágado nas dunas?, levou-a para o hospital das pernas partidas, conhecia lá um enfermeiro, o meu pai começou a dizer às pessoas todas que a minha mãe dizia que andava um cágado nas dunas, uma enfermeira disse que ali era o hospital das pernas partidas, das doenças de pus e coisas assim, dizia que as doenças de cágados nas dunas era no manicómio, uma velhinha caquéctica e iglantónica perguntou qual cágado?, quais dunas?, um gajo que estava ao pé a gozar o prato disse que devia ser um cágado de patins nas dunas do Pólo Norte, o meu pai disse para o gajo ir gozar com os cornos do tio dele, o gajo a gozar perguntou quais cornos?, qual tio?, foi uma grande zaragata, o polícia que lá estava tirou o chinfalho e disse daqui a bocado dou-lhes o cágado, depois ficaram todos na bicha, eram mais de mil, a minha mãe começou a falar com a velhinha sobre o cágado, depois o enfermeiro conhecido do meu pai foi falar com o médico que o atendeu, ele disse que o cágado nas dunas era da ureia, nessa altura a minha mãe já não falava no cágado, dizia ao meu pai para ele não comer as prateleiras e as cortinas [...]


Dinis Machado, “O que diz Molero”, apud 50P30M

Sendo a expressão de Dinis Machado, o meu velho Lu Isgui Lherme usava-a amiúde nos seus desvarios, ele que era dado a citações e a arroz de nêsperas.

18/01/2014

Livros

Há livros assim.
Aqui há tempos apeteceu-me aventar pela janela um livro que tinha como intróito uma página cheia de erros factuais grosseiros.
Ora hoje peguei num outro em que o protagonista nasceu quatro anos antes do século XX.
Logo nas primeiras páginas vemo-lo a comer dos cozinhados da avó que sobrevivera ao terramoto de 1755.
Como diria o meu velho conhecido C., fiquei com benefícios de dúvida. Será que se trata de uma confusão mental do dito protagonista que será deslindada adiante? Ou da sua avó?
Ou trata-se de uma obra de ficção científica travestida de romance histórico?
Raramente ponho de parte um livro iniciado. O que me leva a ter recordações do piorio.
Este princípio não indicia nada de bom.
Se há autores maus com grande reputação, também há traduções que não lembram ao diabo.
Neste caso, tenho pouca vontade de averiguar a quem se deve tal disparate. Se disparate fôr, como parece.

17/01/2014

Acaso

Folheei o Público da passada terça-feira.
Incidiu a minha curiosidade nos anúncios dos tribunais.
Grande parte dos anúncios eram assinados por senhoras.
A totalidade dos que li eram anúncios de interdição.
Foi um acaso ou, no caso da segunda constatação, esta corrobora a ideia de que está tudo doido?

15/01/2014

Rigor e asneira

Quando recentemente Alan Turing foi, a título póstumo, exonerado dos pecados que lhe tinham sido apontados em vida, surgiu em vários noticiários a frase “alguns historiadores afirmam que a sua acção encurtou a guerra em dois anos”. Nem sempre dois foi o número de anos, nem sempre a frase dá esta tradução mas aqui está um exemplo.
Ao ouvir isto pensei que a ser verídica tal afirmação (que tivesse de facto havido um colégio de historiadores a fazê-la) ela espelha bem, e de forma bizarra, o abismo intelectual de rigor e precisão que separa as águas em que Turing navegou para decifrar os códigos alemães e estas outras, de bacalhau basta, onde navegam os ditos (quiçá supostos) historiadores e outros protagonistas de ciências imprecisas. Chutaram dois anos como poderiam ter chutado nove. Não há qualquer diferença entre dois e nove neste tipo de presunções.
Não é preciso dizer que qualquer ciência é imprecisa e que o trabalho de Turing ao incidir sobre obra humana, particularmente sobre ferramentas humanas, esteve confinado a fronteiras que não são da ciência, mas do trato com as ditas ferramentas criadas pelo homem, com a técnica.
Ao ser imprecisa qualquer ciência, a diferença que entre umas e outras existe, é o rigor com que se apresenta essa imprecisão e a noção de imperfeitude que faz que os avanços das ciências mais rigorosas sejam, maioritariamente, feitos na sequência de avanços anteriores e não na sua negação, o que é comum nas ciências pouco rigorosas, muito dadas a modas e a emoções. E a chutos para o ar.

13/01/2014

Perguntas que não podem fazer-se (n+5)

Algumas das perguntas que não podem fazer-se aos autores da redacção do artº 14-A do Código da Estrada alterado pela Lei nº72 / 2013 de 3 de Setembro:
Qual o propósito da introdução do dito artigo?
Com que base se estabeleceram os princípios ali plasmados?

É que depois de ler, não se acredita.

08/01/2014

Mudança climática

Já está a ocorrer em Portugal – disse o ministro destas coisas.
Aqui há uns anos vi uma velha mulher a invectivar o mar que lhe destruíra os bens. Não culpou as mudanças no clima, nem os (outros) homens, nem Neptuno, nem Poseidon; culpou o mar.
O ministro culpou os homens, no corolário de uma arenga.
Voltando ao tempo(ral)

Aqui temos uma bela imagem da previsão a t+168 h do ECMWF.



É para terça-feira que há-de vir.
Senilidade

Dar, a uma pessoa que apresenta diversos sintomas de senilidade, o crédito que ela mereceria em idade menos avançada, é:
Uma diminuição, que quem tal dá, faz de si próprio.
Uma cobarde diminuição inflingida a outrem, eficaz aos ouvidos e aos olhos dos menos atentos.

05/01/2014

Das divisões do Mundo (episódio n+10)

O Mundo Português também se divide entre os que viram, em directo, jogar Eusébio e os outros.
Ping-pong

O jornalista mal informado da TVI24 recorda que o jogo de Portugal contra a Coreia do Norte em 1966 foi de ping-pong, como quem diz golo cá, golo lá.
Não o viu. Não sabe nada do jogo, mas tinha que falar do que não sabe.
É esta a norma. É esta a moda.
Estação C.F. de Queluz-Belas, 1993

04/01/2014

Temporal

Só para atentar nos casos em que o mau tempo deu o que tinha a dar – fazer cair terras instáveis e derrubar estruturas não calculadas – verificamos que os simples acham sempre que a culpa dos que lhes acontece é sempre dos outros.
É claro que uma obra licenciada e construída à revelia do bom senso e das boas práticas acarreta responsabilidades para quem licenciou e fiscalizou.
O que não pode o simples, que mal fez o que deveria ter feito bem, é queixar-se dos outros. Talvez da sorte por não ter sido privilegiado.

02/01/2014

LP marqueteiro

Ouve lá, ó Manel, já deste alguma entrevista à Bola? – há uma porrada de tempo que não lhe punha a vista em cima, a este LP zombeteiro e grilofalantista.
Não.
Ao Expresso?
Não.
Já foste ao Mário Crespo?
Não.
À Judite?
Sim, quando tive um acidente de automóvel.
Não é essa, pá. A da tv.
Não.
Algum convite para a plateia dos Prós-e-Contras?
Não.
Foste a uma posse de algum sub-secretário de Estado?
Não.
Presidente de Câmara?
Não.
Entrevistado à porta de algum campo da bola?
Não.
No meio da rua?
Não.
Ok. Está na altura de me contratares. - não o fazia assim tão superficial.

01/01/2014

A senhora do naipe de cordas

A senhora do naipe de cordas.
14



Decidido ficou esta madrugada que, ao contrário dos antecessores que tiveram direito ao prefixo “dois mil e” este ano passará a ser denominado apenas por catorze.
Visto ficou esta meia-noite que mais uma aposta ou proto-aposta seria dinheiro ao mar.
Vista ficou ainda uma outra coisa da qual convém só dar nota daqui a perto de um ano – bizarras contas estas – já que as margens de erro que ela envolve são dessa ordem.
Dou chapa branca (amarela?, d’ouro?) ao 14. Chapa 14, portanto.

31/12/2013

2014



Retomando uma série interrompida.
Código da Estrada

As alterações apregoadas no Código da Estrada são mais um sintoma do desnorte que assola as mentes.
Fazem-se sucessivas alterações a um código sem que haja algo de substancial a rever.
Apregoa-se uma regulação diferente para a circulação em rotundas. Depois de anos a fio em que provavelmente se concluiu que regular o trânsito nas rotundas carece de uma caracterização prévia – não se pode aplicar a mesma regra a uma rotunda de grandes dimensões com três ou mais vias de trânsito e a uma outra onde mal se sabe se cabem dois carros a par – e que essa mesma regulação é um bico d’obra em qualquer dos casos.
Tenho, pois, alguma curiosidade em ver o texto.

30/12/2013

Simples

Há um local onde os simples me são muito insuportáveis – a auto-estrada com três vias de trânsito.
Há uma fatia muito considerável deles que se mantém na faixa do meio porque sim.
Os simples da auto-estrada com três vias são mais simples do que os simples das ruas e ainda mais do que os simples das estradas secundárias.

25/12/2013

Clic

Ou como cliques no cérebro são cada vez mais frequentes – desligam e voltam a ligar.
Estando eu a observar a imagem dos radares meteorológicos das 23:20 de ontem, resolvi clicar sobre um ponto que me pareceu de precipitação mais intensa dentro da faixa amarela do gráfico.
Este clique fi-lo numa aplicação que elaborei em tempos para me dar as coordenadas aproximadas e o nome do lugar sobre estes gráficos da Meteorologia.
O nome que apareceu é-me familiar. Muito familiar. Mas não fez clique. Quando abri depois o Google Maps e vi a imagem respectiva é que reconheci o meu solo.
A ver se desclico.

23/12/2013

Previsto na Lei

De acordo com o ministro da Administração Interna estava previsto na Lei que os sírios vindos da Guiné e que se puseram a cavar fossem interceptados na fronteira.

20/12/2013

Paradigma perdido

À porta da ervanária, a mulher debitava em alta voz certezas vegetarianas – uma vaca consome o mesmo alimento que cem pessoas – e com isso deixou-me nas datadas e pouco elaboradas páginas de Morin que me acompanham estes dias.
De certezinha.

Tenho o livro a meio. É mau de tragar.

18/12/2013

Reivindicantes (II)

Uma pessoa que afirma que se partiram vidros, por acidente, enquanto neles se batia com as mãos e com os pés para fazer barulho, mostra que não está habilitada para a profissão docente. É q.b..
Reivindicantes

Uma pessoa que se apresenta, para fazer um exame de acesso à profissão docente, com um filho de um mês dentro de uma alcofa, mostra que não está habilitada para tal profissão. É q.b..

17/12/2013

Pessoas

E depois há aquela gente, de vermelho vestida, que não nos desarma porque vamos dela ao encontro com uma flor.

14/12/2013

Notícias do manicómio

Diz que o primeiro-ministro e o líder da oposição concordaram em discutir o que quer que seja.
Mas estas duas personagens não se encontram já há anos nos seus respectivos lugares?
O que é que aconteceu agora para chegarem a tal acordo?

11/12/2013

Contas aos livros

Concursos

Já passaram mais de sete anos sobre o último cuíze da Brigada Anti-Lacoste. Um pessoal que, ao que me pareceu, frequentou como eu a casa amarela.
Em tempo-rede uma enormidade. Uma enormidade que convida a promover um concurso só com perguntas para cuja resposta seja inútil consultar a rede:
Quais eram os dois primeiros nomes da senhora que habitou, durante todo o ano de 2006, o segundo esquerdo do número seis da rua... ?

09/12/2013

Outra tropa (diário íntimo)

A nossa tropa foi outra e deixou-me também laços de sangue.
Não ouso palpitar sobre os laços dos outros, dos que foram e vieram fardados de verde.
O que digo é que foi uma surpresa para mim – grande e valiosa surpresa – ter descoberto que houve pelo menos um mais que sobreviveu umas décadas.
A quarenta e dois anos de vista, far-me-ei à estrada em busca do companheiro de quarto.
Estava vivo em 2002. Aparentemente.

08/12/2013

Ouvir

Tornou-se-me intragável a opinião dos que opinam nas televisões. Talvez pelo eclipse de alguns opinadores mais capazes, talvez por uma saturação minha.
Assim, prefiro divertir-me com os debates tripartidos da bola. Ali, já se sabe ao que se vai.
Uma delícia a troca de argumentos a propósito da assunção ou não da candidatura ao título por parte das equipas (o caso agora é o do Sporting). só comparável em absurdo ao pedido de maioria absoluta por parte de um partido.

01/12/2013

Demarcação



A forma e a colocação dos marcos fronteiriços obedece naturalmente a critérios fixados em documento competente.
No meu critério, que apenas pretende ser racional, forjado na segunda metade do séc. XX, um marco assinala um ponto que pertence a uma linha de demarcação.
Quando a linha de demarcação é o talvegue de um rio ou a linha média entre margens, pode suceder que existam testemunhos nas margens para aferir, ao nível das águas, o lugar da fronteira.
O que não pode suceder é que estes testemunhos se confundam com marcos de limite fronteiriço.
Nas termas de Monfortinho, perto das quais a fronteira natural é o talvegue do rio Erges ou a linha média entre margens, aparece um marco fronteiriço ao fundo da alameda fronteira à porta do edifício do balneário. Cerca de 80 m para dentro da fronteira natural. É o 673 B, exactamente igual ao 673 C que está a meio da ponte que, perto de Segura, supera o rio Erges.
Alguma razão há-de ter existido para lá o plantarem. O que não pode suceder é que a sua forma e a sua designação sejam confundíveis com marcos de limite fronteiriço.
Mas sucede. É esta a gente que anda a mandar no país.

26/11/2013

Sem noção



Percebe-se que há uma faixa significativa dos reivindicantes que não assimilou o facto de o país estar sem dinheiro.
Impossível será fazê-los perceber tal coisa.

25/11/2013

Comentário político

No dia em que passam 38 anos sobre o 25 de Novembro, ocorrem-me muitíssimas notas. Porque li ou ouvi demasiadas coisas que me interessaram nas horas que o dia já leva. Atenho-me a três:
Sobre o General Ramalho Eanes, personalidade que me suscita emoções confusas e uma análise muito positiva do ponto de vista ético e fraca do ponto de vista político, a nota de agradecimento relativa aos acontecimentos de tal data.
Sobre os acontecimentos, a nota (para quem se lembra) retroactiva do que é (e do que foi) um país entregue ao desvario esquerdista pouco peado.
Sobre o ponto em que estamos, uma frase mal ouvida num tempo de antena – a de que vai haver escolas livres de violência no namoro. Que é uma nota que espicaça a minha sensação de que o animal racional vai, com o tempo, dando lugar ao animal irracional.

23/11/2013

Se é verdade

Se é verdade que o assassino de duas pessoas em 2008 se entregou à polícia pura e simplesmente, então este é mais um marco para a imagem da PJ.
Imagem que, por alguma razão obscura, foi durante algum tempo muito sobrevalorizada. Aparentemente, já não o é tanto.

21/11/2013

Fim de regime

A nova versão dos secos contra os molhados é apenas um dos muitos sintomas.
Não aposto um chavo neste regime. Cuja sepultura foi sempre cavada com maior empenho pelos seus mais ardentes defensores.

19/11/2013

Ginástica cueca

Passaram-lhe mesmo o alter do chão. E de que maneira o fizeram!
Lembrando frases d'outros tempos


(Fotografia de Tamara Saré para a Agência Pará)

Para quem também se lembra. Sim, Luísa.