12/06/2015
11/06/2015
De boas intenções
Vi ontem uma reportagem sobre a interrupção de fornecimento de música a pessoas internadas nos cuidados paliativos, por falta de financiamento.
Apareciam umas senhoras a tocar e a cantar. Sem financiamento, deixariam de o fazer.
A reportagem era pornográfica. Mostrava alguém em condições muito débeis numa cama de hospital. Coisa escusada.
Suponhamos que a música é algo que se torna paliativo para quem está em condições tais. São precisas umas senhoras que tocam e cantam? Não há aparelhos de reprodução em formatos suficientes para tal fim?
Continuemos a supôr que a música é paliativo. Será a música que agrada e sempre agradou a quem está doente ou a música e as vozes das senhoras?
Deixemos de supôr que a música é paliativo. Para quem está em tais condições, pode ou não ser mais uma inconveniência? Com um particular toque e uma particular voz ou com qualquer toque e qualquer voz.
Parece-me isto uma espécie de boas intenções daquelas de que queremos distância. Ou, dado que se fala em financiamento, não será só um negócio?
Outro assunto (do mesmo telejornal): Para a RTP, o elevador de Santa Luzia (a tontinha quereria dizer Santa Justa ou sabe lá ela...), hoje inaugurado do outro lado do vale, ardeu no incêndio de 1988.
Não há portanto naquela redacção uma criatura que seja capaz de corrigir estas e outras enormidades.
Vi ontem uma reportagem sobre a interrupção de fornecimento de música a pessoas internadas nos cuidados paliativos, por falta de financiamento.
Apareciam umas senhoras a tocar e a cantar. Sem financiamento, deixariam de o fazer.
A reportagem era pornográfica. Mostrava alguém em condições muito débeis numa cama de hospital. Coisa escusada.
Suponhamos que a música é algo que se torna paliativo para quem está em condições tais. São precisas umas senhoras que tocam e cantam? Não há aparelhos de reprodução em formatos suficientes para tal fim?
Continuemos a supôr que a música é paliativo. Será a música que agrada e sempre agradou a quem está doente ou a música e as vozes das senhoras?
Deixemos de supôr que a música é paliativo. Para quem está em tais condições, pode ou não ser mais uma inconveniência? Com um particular toque e uma particular voz ou com qualquer toque e qualquer voz.
Parece-me isto uma espécie de boas intenções daquelas de que queremos distância. Ou, dado que se fala em financiamento, não será só um negócio?
Outro assunto (do mesmo telejornal): Para a RTP, o elevador de Santa Luzia (a tontinha quereria dizer Santa Justa ou sabe lá ela...), hoje inaugurado do outro lado do vale, ardeu no incêndio de 1988.
Não há portanto naquela redacção uma criatura que seja capaz de corrigir estas e outras enormidades.
10/06/2015
07/06/2015
Manual
O homem tem um manual de procedimentos na cabeça e é crente. Nem percebe que tem lá o manual instalado. Fala-me com entusiasmo de irracionalidades que não abrange. Diz mesmo que o mundo agora (desde que ele se apercebe) é muito mais racional.
Os manuais de instruções dividem o mundo. Entre os que os elaboram e aqueles a quem se destinam.
O grande triunfo desta massificação é, à semelhança do que aconteceu com as religiões, que o comandado pelos procedimentos não se apercebe de que é comandado. De que existe uma cartilha.
O homem tem um manual de procedimentos na cabeça e é crente. Nem percebe que tem lá o manual instalado. Fala-me com entusiasmo de irracionalidades que não abrange. Diz mesmo que o mundo agora (desde que ele se apercebe) é muito mais racional.
Os manuais de instruções dividem o mundo. Entre os que os elaboram e aqueles a quem se destinam.
O grande triunfo desta massificação é, à semelhança do que aconteceu com as religiões, que o comandado pelos procedimentos não se apercebe de que é comandado. De que existe uma cartilha.
05/06/2015
04/06/2015
31/05/2015
30/05/2015
28/05/2015
26/05/2015
25/05/2015
22/05/2015
21/05/2015
18/05/2015
17/05/2015
15/05/2015
Fim de ciclo
Pendurado que está este blogue (tem lá todas as fotografias, todos os desenhos, todos os gráficos) no Blogger da Globo e tendo esta anunciado o termo do alojamento, pouco mais resta do que arrumar e esperar que toque.
Não me estou a ver a passar doze anos de imagens deste alojamento para outro, a alterar doze anos de posts ilustrados.
Como se trata de uma imposição (ainda que mais do que esperada), é provável que a minha vontade me faça prosseguir usando outras opções. Embora com um blogue cheio de imagens em falta, janelas cegas para recordações destes doze anos quase completados.
É um fim de ciclo, pelo menos.
Pendurado que está este blogue (tem lá todas as fotografias, todos os desenhos, todos os gráficos) no Blogger da Globo e tendo esta anunciado o termo do alojamento, pouco mais resta do que arrumar e esperar que toque.
Não me estou a ver a passar doze anos de imagens deste alojamento para outro, a alterar doze anos de posts ilustrados.
Como se trata de uma imposição (ainda que mais do que esperada), é provável que a minha vontade me faça prosseguir usando outras opções. Embora com um blogue cheio de imagens em falta, janelas cegas para recordações destes doze anos quase completados.
É um fim de ciclo, pelo menos.
14/05/2015
13/05/2015
12/05/2015
11/05/2015
Dos outros
Há uma vila onde pertenço.
Ainda que tenha frequentado pouco nos últimos anos os carreiros que lá conduzem.
Ainda que me tenha detido pouco tempo de cada vez.
O que faz com que tenham envelhecido longe de mim os sorrisos dos amigos e conhecidos.
O que faz com que hajam cada vez mais caras que não identifico, nomes que não me soam.
E que a cada ano, a vila entre muros comporte cada vez mais daqueles de quem guardo boas recordações.
Não sei se consigo voltar ao meu lugar.
Há uma vila onde pertenço.
Ainda que tenha frequentado pouco nos últimos anos os carreiros que lá conduzem.
Ainda que me tenha detido pouco tempo de cada vez.
O que faz com que tenham envelhecido longe de mim os sorrisos dos amigos e conhecidos.
O que faz com que hajam cada vez mais caras que não identifico, nomes que não me soam.
E que a cada ano, a vila entre muros comporte cada vez mais daqueles de quem guardo boas recordações.
Não sei se consigo voltar ao meu lugar.
08/05/2015
À primeira vista

Este livro desagrada-me como objecto. Não sei se esse desagrado veio de o ter visto primeiro ao vivo ou em fotografia.
Desagrada-me como objecto e foi justamente isso que me impeliu a comprá-lo. Há pouco menos de um ano.
Onde é que anda o livro do Camus que me desagradou à primeira vista? – ocorreu-me um destes dias. Já li umas dez páginas. Não sei se com grande reserva mental por causa da forma (o que li de Camus até agora agradou-me), o certo é que essas páginas foram más de gramar.
Parece-me que o mal-estar que o objecto transmite vai para além de enfadar na leitura. Essa é a parte preocupante.
Este livro desagrada-me como objecto. Não sei se esse desagrado veio de o ter visto primeiro ao vivo ou em fotografia.
Desagrada-me como objecto e foi justamente isso que me impeliu a comprá-lo. Há pouco menos de um ano.
Onde é que anda o livro do Camus que me desagradou à primeira vista? – ocorreu-me um destes dias. Já li umas dez páginas. Não sei se com grande reserva mental por causa da forma (o que li de Camus até agora agradou-me), o certo é que essas páginas foram más de gramar.
Parece-me que o mal-estar que o objecto transmite vai para além de enfadar na leitura. Essa é a parte preocupante.
07/05/2015
06/05/2015
04/05/2015
Os simples
A simples, jornalista que será decerto, vê os carros a avançar.
Eles avançam ali mesmo ao lado dela, seguindo um trilho que ela pode ver não levará directamente à ponte. E de imediato diz que a ponte foi reaberta.
Eles não sabem onde estão, não percebem o que vêem – isto lhes basta para reportarem e terem as suas qualificações.
A simples, jornalista que será decerto, vê os carros a avançar.
Eles avançam ali mesmo ao lado dela, seguindo um trilho que ela pode ver não levará directamente à ponte. E de imediato diz que a ponte foi reaberta.
Eles não sabem onde estão, não percebem o que vêem – isto lhes basta para reportarem e terem as suas qualificações.
Os simples
Vamos ver quanto tempo é que o imigrante que matou cinco pessoas vai ficar sem conduzir.
Ou como o que faz mesmo muito mal é fumar os cigarros alheios.
Vamos ver quanto tempo é que o imigrante que matou cinco pessoas vai ficar sem conduzir.
Ou como o que faz mesmo muito mal é fumar os cigarros alheios.
03/05/2015
Jingle
Coisas que ficam no ouvido:
“I hope that Manny realizes that this may be the hardest or the toughest fight that he will wage [...]"
*aos 12:07 deste documentário
Adenda às 6:00: e lá perdeu.
Coisas que ficam no ouvido:
“I hope that Manny realizes that this may be the hardest or the toughest fight that he will wage [...]"
*aos 12:07 deste documentário
Adenda às 6:00: e lá perdeu.
02/05/2015
30/04/2015
29/04/2015
Semântica
Estava um tipo com ar sério, em qualquer programa de televisão, a dizer-se licenciado em gestão desportiva ou gestão do desporto, algo assim.
Ocorreu-me que pouca coisa há de mais incompatível do que gestão e desporto, se tomarmos as acepções de cada uma que ditam ser a gestão o acto de gerir, de governar, de orientar e o desporto o acto do lazer, da dispersão, do à-vontade. Negócio versus ócio.
É claro que a evolução semântica já se encarregou de enfiar na palavra desporto um bolo tal de coisas, de significados que é natural que até haja necessidade de gerir a própria palavra.
Um destes dias dizia a um amigo meu, planeador de cenários, que não fazia planos de viagem justamente porque sabia que não os cumpriria. Não planeio, não giro o meu desporto.
Estava um tipo com ar sério, em qualquer programa de televisão, a dizer-se licenciado em gestão desportiva ou gestão do desporto, algo assim.
Ocorreu-me que pouca coisa há de mais incompatível do que gestão e desporto, se tomarmos as acepções de cada uma que ditam ser a gestão o acto de gerir, de governar, de orientar e o desporto o acto do lazer, da dispersão, do à-vontade. Negócio versus ócio.
É claro que a evolução semântica já se encarregou de enfiar na palavra desporto um bolo tal de coisas, de significados que é natural que até haja necessidade de gerir a própria palavra.
Um destes dias dizia a um amigo meu, planeador de cenários, que não fazia planos de viagem justamente porque sabia que não os cumpriria. Não planeio, não giro o meu desporto.
26/04/2015
25/04/2015
23/04/2015
21/04/2015
16/04/2015
15/04/2015
14/04/2015
13/04/2015
12/04/2015
11/04/2015
10/04/2015
07/04/2015
05/04/2015
01/04/2015
31/03/2015
29/03/2015
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