11/08/2015

O carro de sonho

Ando há uns tempos com a ideia fixa de comprar o carro dos meus sonhos.
Dos meus sonhos e não dos meus desejos.


imagem daqui

10/08/2015

Despesa pública

Haveria de existir uma norma que proibisse a legendagem toponímica e a identificação das estradas aos jornalistas e congéneres da locução. Dá quase sempre asneira grossa.
Na Volta a Portugal, há uns dias, a trapalhada que se antevia.
A Barragem da Venda Nova foi de imediato identificada como Barragem do Alto Rabagão.
Há uma hora, um incêndio em Penacova levou ao corte do IC17* que é a CRIL em Lisboa.
Pagamos dos nossos bolsos aos ignorantes da RTP.
Aos outros haverá quem pague.
Seria de proibir.


imagem da RTP

*asneira repetida no Telejornal

09/08/2015

A Volta de 2015

Sem narradores nem comentadores.

Irracionais

Esta bronca com os cartazes do PS é apenas mais um sintoma.
A irracionalidade campeia.
E agora é difícil dar a volta, uma vez que os irracionais se vêem ao espelho e, satisfeitos, de nada desconfiam.

05/08/2015

Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença décima oitava

O cuco baptizou-se a si próprio.
Dos tempos

Nestes tempos de irracionalidade, desplante e outras atitudes cujo nome rima com a ausência de tarola, mais um ilustrativo exemplo caçado pelo amigo Bic Laranja.

31/07/2015

Para temperar

Também há boas notícias.
A violenta irracionalidade

Os serviços públicos e congéneres, como a C.G.D., atravessam um fase de irracionalidade ainda mais acentuada do que a da sociedade em geral.
Em qualquer balcão deparamo-nos com um atendedor de call-center mal preparado. Apenas decorou meia-dúzia de procedimentos e com isso faz frente aos que se lhe apresentam.
O caminho para o calvário que tenho vindo a calcorrear de há sete meses até hoje está pejado de tal gente.
Nesse percurso tomei a devida nota de que todos os expedientes do chico-espertismo têm precedência sobre a conduta idónea.
São os próprios títeres quem acaba por confirmar tal asserção.
O mais grave é que há aspectos que são de extrema violência, como sujeitar pessoas de idade avançada a esperas inglórias em locais pouco saudáveis.
Tudo isto vem da confluência da irracionalidade com a ignorância. Foi isto que andámos a cultivar com o facilitismo e o coitadinhismo.

30/07/2015

Uns para os outros

O dentista americano que matou no Zimbabué um leão com nome e os simples que lhe juram pela pele estão bem uns para os outros. De simplórios para simplório.
O estado da Coisa

PS, PSD e CDS agem como se o país tivesse saído das graves dificuldades em que está e estará mergulhado nos próximos tempos.
Outra coisa, afinal, não seria de esperar.
Analfabetismo

É hoje difícil passar um dia inteiro a ouvir ou a ler sem dar por vários disparates ditos ou escritos.
É assim o nosso tempo em que uma chusma de analfabetos funcionais tomou conta da imprensa, das empresas de comunicação, até de tudo o que mexe.
Este exemplo é apenas mais um de alguém que fez um gráfico sem perceber o que fazia.


Gráfico do pacote de imprensa da Volta a Portugal em bicicleta (clicar para ampliar).
Irracional

Estava um irracional entusiasmado na CNN a dizer que agora, com a presumível descoberta de uma peça do desaparecido Boeing 777 da Malaysia Airlines, se esfumava a teoria da conspiração de que o aparelho teria aterrado algures.
Como assim, cara pálida?
Então é assim tão difícil enquadrar este facto em tal teoria?

28/07/2015

Uns olhos e mais

Viva a Dona Pirolita
Que é assaz catita
E faz lembrar alguém
De outra fita.
Maquiavel

Pensar que há no Parlamento quem legisle a contar com o chumbo do Tribunal Constitucional, como alguma oposição tem dito, é dar demasiado crédito a quem o não merece.
Não há ali cabeças capazes de tais enganos.

25/07/2015

Despesa pública

Na Antena Um, o locutor atalha setenta gerações em setecentos anos.

24/07/2015

Despesa pública

O filósofo-pedagogo João Pedro Mendonça, pago pelo erário público, faz na RTP comentários às provas de ciclismo, entre outras coisas. Nesse papel enumera axiomas extraordinários. Um, que tem repetido amiúde nos últimos dias, assevera que somos todos humanos, de carne e osso. Nós, os espectadores que o escutamos, e os corredores de bicicleta.
Que gosta de falhar – diz noutras alturas. Talvez para se sentir humano, de carne e osso.
E entretanto repete o estafado chavão: As pessoas têm que perceber que...
Que saudades de David Duffield ou de Francisco Figueiredo!
Vida

Ao contrário do que é habitual não ouvi por cá desta feita qualquer referência a uma provável vida extraterrestre no planeta Kepler 452 b.
O que vem ao encontro de um optimismo que eu não tinha quando escrevi sobre o fugaz Gliese 581 c.

19/07/2015

Tahiti duche

Nunca o dito do meu velho J.d’ se mostrou tão actual e premente como hoje.
Não esquecer o Tahiti duche.


imagem de filme publicitário


18/07/2015

Naquela rua

Naquela rua que agora tem nome de rua mas que antes era apenas uma travessa sem nome, a velhinha Toyota Hiace vermelha com um moínho de vento à laia de antena.
Ao volante, a criatura que forçara a porta do homem que imergia em champagne.
Riu-se com uma intensidade inusitada e disse, depois da minha ajuda na manobra apertada ter sido devidamente apreciada e ultrapassada:
Não se vá embora!
Ainda anteontem...

10/07/2015

Syriza


imagem daqui

Deve ser hoje difícil digerir todos os sapos, elefantes e demais fauna que a actuação do Syriza tem feito engolir a todos os seus admiradores externos, prenhes de jactância e certezas várias.
Quanto aos internos, lá na Grécia, não me pronuncio. Há ali demasiada coisa em jogo e uma pressão tal que deforma os corpos.

09/07/2015

Janelas cegas

Tal como se anunciava aqui, a quase totalidade das ilustrações deste blogue, velhas de até 12 anos, desapareceu.
Tal deve-se à circunstância de o alojamento onde as coloquei ter encerrado. E com ele foi também a colecção das Ruas com Dias.
Como referi anteriormente, é pouco provável que eu as vá recolocando. Mas nunca se sabe.
Peço desculpa a quem me lê.
Leg

Na RTP traduzem leg por perna, mesmo quando quer dizer parte.
É o excelso jornalismo que temos.

06/07/2015

Moldura humana


folhetos das festas

Quem cunhou a expressão “moldura humana” ou a traduziu de outra língua deveria referir-se a um recinto com forma poligonal ou circular ou a uma mistura de ambas, como dois semicírculos que se justapõem aos lados menores de um rectângulo, povoado de gente na periferia.
Para qualquer protagonista, em qualquer palco, a moldura humana é toda a gente que o rodeia, para além dos que com ele contracenam.
E há um dia em que se passa de protagonista a elemento da moldura humana.
Em que se tem absoluta consciência de um protagonismo que passou e de que naquele momento não se é mais do que um figurante.

Há mais de trinta anos que estava para ir às festas do Colete Encarnado em Vila Franca.
Por duas vezes, estive com um pé lá. Numa delas, mesmo a rasar o recinto.
Em qualquer desses anos, em qualquer dessas ocasiões, tenho hoje a certeza de que seria um protagonista no meu metro quadrado.
Neste sábado fui lá. Num tempo em que já evito aglomerações, não me senti comprimido. Havia muita gente e espaço.
E, junto de uma parede, senti-me parte da moldura. Humana. Os protagonistas eram outros. No meu metro quadrado, que eram afinal dez, não havia ninguém.

05/07/2015

Peregrinação devida e cumprida*



*de cujo cumprimento se conta dar nota

19/06/2015

Pobrezinhos

Os concursos televisivos de cultura geral são uma excelente montra para a classe dos pobrezinhos ditos letrados e certificados.

14/06/2015

Das divisões do Mundo (episódio n+12)

O Mundo também se divide entre os que consideram as opiniões dos jogadores de futebol e os poucos outros.

11/06/2015

De boas intenções

Vi ontem uma reportagem sobre a interrupção de fornecimento de música a pessoas internadas nos cuidados paliativos, por falta de financiamento.
Apareciam umas senhoras a tocar e a cantar. Sem financiamento, deixariam de o fazer.
A reportagem era pornográfica. Mostrava alguém em condições muito débeis numa cama de hospital. Coisa escusada.
Suponhamos que a música é algo que se torna paliativo para quem está em condições tais. São precisas umas senhoras que tocam e cantam? Não há aparelhos de reprodução em formatos suficientes para tal fim?
Continuemos a supôr que a música é paliativo. Será a música que agrada e sempre agradou a quem está doente ou a música e as vozes das senhoras?
Deixemos de supôr que a música é paliativo. Para quem está em tais condições, pode ou não ser mais uma inconveniência? Com um particular toque e uma particular voz ou com qualquer toque e qualquer voz.
Parece-me isto uma espécie de boas intenções daquelas de que queremos distância. Ou, dado que se fala em financiamento, não será só um negócio?


Outro assunto (do mesmo telejornal): Para a RTP, o elevador de Santa Luzia (a tontinha quereria dizer Santa Justa ou sabe lá ela...), hoje inaugurado do outro lado do vale, ardeu no incêndio de 1988.
Não há portanto naquela redacção uma criatura que seja capaz de corrigir estas e outras enormidades.

07/06/2015

Manual

O homem tem um manual de procedimentos na cabeça e é crente. Nem percebe que tem lá o manual instalado. Fala-me com entusiasmo de irracionalidades que não abrange. Diz mesmo que o mundo agora (desde que ele se apercebe) é muito mais racional.

Os manuais de instruções dividem o mundo. Entre os que os elaboram e aqueles a quem se destinam.
O grande triunfo desta massificação é, à semelhança do que aconteceu com as religiões, que o comandado pelos procedimentos não se apercebe de que é comandado. De que existe uma cartilha.