25/10/2016

O Caminho

Uma questão bíblica e o grau zero do raciocínio.

Uma jornalista pergunta ao avô da criança de dois anos que andou vinte e cinco horas a monte, como é que ele explica que, numa encruzilhada, o petiz tenha escolhido exactamente aquele caminho, que o levou àquele ponto onde foi encontrado, e não outro.
Creio da inutilidade de explicar a tal jornalista seja o que fôr.

12/10/2016

A fotografia do cadastrado

Fui ver.
Ao contrário do que eu supunha, não consegui encontrar uma fotografia minha que me conferisse um imediato aspecto de cadastrado.
O facto de estar a ser juiz em causa própria pode ter influenciado a constatação. Mas tinha eu suposto, como escrevi acima, que conseguiria ver-me com olhos e face de condenado.
Parece haver casos em que é tão fácil conferir ao mesmo indivíduo um aspecto angelical ou mefistofélico, consoante a forma como foi congelado para a fotografia.

30/09/2016

Alarmes

Diz que o indivíduo só vê os alarmes dispararem (só se queixa) quando a Parca já brandiu a gadanha.
De que vale isso?

25/09/2016

Crepúsculo

Crepúsculo que morre noite que ri
Espíritos de luz iluminam os céus
Lágrimas de saudade percorrem os olhos meus
Sentindo a frieza duma morada sem ti

Crepúsculo que se rende nesse leito de morte
Acompanhando a dor desse moribundo
O partir d'alguém para um outro mundo
É estrofe perdida dum poeta sem sorte

Crepúsculo choroso volta com amor
Aos lares desfeitos por profunda dor
Afaga-os na tua despedida

Um abraço é como uma ternura
Para esse alguém que nos deixa em profunda amargura
Com a vida que abraçávamos em febril subida


OCCM (in memoriam)

24/09/2016

Interregno

No interregno literário mais longo dos últimos anos (desde que há registos), este foi o livro em que encalhei.
Foram dois meses sem que o terminasse.


imagem da wook
Sines, 2011

09/09/2016

Da Coreia do Norte

Chegam mais ondas de choque.



Onde é que isto parará?

25/08/2016

18/08/2016

Capecit

Pelo perfume das manhãs enevoadas chegou-me notícia de que o perfil que eu tinha deitado se encontra afinal aprumado.
Boa notícia no meio dos espinhos tragáveis. Dos figos da Índia.




17/08/2016

Mato e modas

Ligou-me hoje o homem a quem em Fevereiro do ano passado encarreguei de limpar o mato de parte de uma propriedade.
Deve ter pensado que agora era muito oportuno.
Perdido na tradução

Tenho vindo a aperceber-me da enorme perda de significados que ocorre na segunda tradução dos sonhos.
A primeira tradução, da recordação sonhada para o registo de som, já é naturalmente geradora de perdas consideráveis. E dessas eu tinha consciência.
Do que não tinha era da dificuldade de interpretar a linguagem em estado de sonolência para a reduzir a escrito, no segundo passo.
Tenho encontrado gravações que carecem de um exegeta a meu lado.

16/08/2016

Maria da Fonte

Dá a entender então o primeiro-ministro que o cadastro rústico não avançou a Norte por medo da repetição da Maria da Fonte.
Medo que ele terá decerto partilhado quando desempenhou cargos ministeriais.
Medo que terá decerto partilhado o ministro da Agricultura em anteriores governos, homem que constatou que séculos de História não garantiram o cadastro rústico e que essa constatação só por si é justificativa da inacção.
É isto que temos.
Mas já não é mau que se fale do cadastro rústico e da incontornável discriminação norte-sul.

Foi possível no entanto fazê-lo, sem exemplo, no concelho de Mogadouro.


trecho da Secção I da freguesia de Azinhoso, concelho de Mogadouro, distrito de Bragança
Um dia como o de hoje



Há exactos treze anos, o calor também amainou.
Há exactos treze anos, os incêndios também se foram extinguindo.
Há exactos treze anos, deu-me para isto.
Continuo sem saber se alvejava tão longe no tempo.

14/08/2016

Por Santa Maria e um dia menos, dois anos depois


imagem do Google Street View (manipulada)

Os ajudantes de agrimensor encontraram o Castelo vazio.
Algumas décadas decorridas, afinal.