24/11/2022

Orientação

A palavra orientação é discriminatória. Prefere o Oriente a qualquer outra direcção.
Eu, que sou um feliz contemplado com a orientação para sul, sinto-me discriminado.
Não me revejo no conceito unilateral de oriente e ergo aqui as minhas teclas em prol de uma nova designação para a direcção da bússola.
Uma designação que não discrimine os que se voltam para Sul, Norte e Oeste. Para não falar nos pontos colaterais e sub-colaterais.

22/11/2022

Planeta B

A senhora ministra vive no planeta B mas estranhamente faz parte do governo aqui na Terra.

21/11/2022

Sotaque amigável

Ainda há poucos dias aqui reiterei a minha aversão a call centers.
Pois bem, hoje que fui de novo obrigado a estabelecer uma ligação por tal canal, deparei-me com um sotaque tão amigável que provavelmente toldou a minha má experiência. Assunto resolvido a contento e uma pergunta indiscreta final da minha parte: esse sotaque é de onde eu penso que é? Não era. Mas não haverá dúvidas que se confundia. E, sim, era uma senhora.

20/11/2022

Catar e o resto

Os figurões do orbe deram-se agora conta de que o Catar não é politicamente correcto.
Vai daí, fazem cara de nojo depois de terem compactuado com a escolha daquele local para o Campeonato do Mundo sem tugir nem mugir.
Ali não muito longe, no Egipto, confirmou-se o esperado – é tudo uma questão de dinheiro para lá ou para cá, tal como no futebol.
O mundo é isto. Nunca foi coisa diferente.
Não sei pois porque me dou ao trabalho de escrever isto.

15/11/2022

8 x 109

11 anos bastaram para, mais dia menos dia, mais milhar menos milhar, adicionarmos 1000 milhões de criaturas ao rebanho humano.

Qual será a percentagem de jornalistas que ao afirmarem que a população mundial atingiu hoje o número de 8 mil milhões se apercebem de que se trata de um dia simbólico em que um algoritmo qualquer atribui esse valor aos habitantes da ecúmena?
Vi até uns que afirmaram que tal tinha acontecido pouco depois do meio dia!

Ainda que a curva da população pareça estar a crescer com uma derivada com tendência decrescente, não é decerto menos preocupante esse crescimento.
A exaustão de recursos, o estrago no habitat e a pressão das migrações de zonas superpopuladas e de fracos recursos para o mundo mais desenvolvido prometem um cenário muito pouco agradável se o travão ao crescimento não for accionado com alguma força.
Não se vislumbram grandes preocupações a respeito, antes se apela para o crescimento.

14/11/2022

Telefonemas

Cada vez mais é improvável conseguir-se junto dos prestadores de serviços um canal escrito – e-mail por exemplo – sem duvidosas limitações de caracteres mas com intrincados passos até que se lá chegue. Talvez por haver grandes limitações na escrita de quem seria suposto responder-nos – especulo.
O certo é que a maioria das respostas que se obtêm por escrito destas instituições são chapassete – um somatório de banalidades e de conselhos pueris mesclados com pouca informação relevante, as mais das vezes repetindo passo a passo a nossa reclamação.
Fujo dos denominados call center como o diabo da cruz.
A probabilidade de ter que dialogar com um ser irracional é tremendamente grande.
Há pouco, obrigado que acabei por ser a tal, encontrei uma criatura que não sabia ou não queria entender a diferença entre condições contratuais gerais e consições contratuais particulares.
Alegava em contrapartida que me ia enviar um estafeta – era esta a sua argumentação.

11/11/2022

COP 27

Não há coisa alguma que ocorra debaixo do Sol que não seja fruto das alterações climáticas.
Os povos do deserto e os povos da tundra glaciar decerto merecerão grossas indemnizações, de acordo com os critérios politicamente correctos.
Notícias do manicómio.
Vá lá

Mais vale tarde do que nunca.
umas figuras de almanaque que acham que não é boa altura. Como se estas coisas tivessem altura para ser postas em prática.

08/11/2022

Oposição

Terá existido algum momento em que a oposição em Portugal depois de 1975, tenha tido um programa, uma alternativa ao governo?

07/11/2022

COP 27

Será de esperar alguma coisa mais do que decidir quem haveria de pagar o quê e quem haveria de receber o tal? Sempre no condicional.
Nos documentos da última COP pode ler-se ainda esta pérola do politicamente correcto:


(clicar para aceder ao documento)

05/11/2022

Um quarto de século

E assim de repente, passaram vinte e cinco anos desde as últimas grandes cheias no Alentejo.


imagem do IM

01/11/2022

Sismos

Em 1985, levando à risca uma regra inventada que contava 230 anos entre o sismo de Lisboa de 1531 e o de 1755 (foram na realidade 224) e que daí em diante o ciclo se repetiria, o governo de então achou por bem dotar grande parte dos edifícios públicos de avisos sobre o que fazer em caso de terramoto.
Com esse cálculo e essa regra inventada nem lhes ocorreu que o ciclo se tiivesse eventualmente completado em 1969, 214 anos após 1755.
O certo é que passou um modismo nesses dias que não teve qualquer continuidade.
É certo que há, de vez em quando, uns exercícios de simulacro para aferir qualquer coisa e que também de vez em quando se lembram de instruir as crianças para uma tal eventualidade, muitas vezes de forma contraditória, aconselhando hoje o que desaconselhavam ontem.
Estamos sediados sobre falhas sísmicas. Mais dia, menos dia teremos novas disso.
Não vejo grande atenção ao caso, a não ser por repelões.



imagem de Sinalux

31/10/2022

A bem da Nação

No Estado Novo não havia ofício que não fosse exarado a bem da Nação.
Nos dias actuais, sem ditames oficiais, não há discurso nem propaganda que não inclua as palavras sustentável e resiliente.
O Estado Novo orgulhar-se-ia decerto destes discípulos obedientes.

30/10/2022

Pobreza confrangedora

É a qualificação que faço das intervenções dos intelectuais brasileiros de serviço às televisões portuguesas.
A sua argumentação, embora mais polida, está ao nível do povão mais recôndito. E bate certo com a qualidade de ambos os candidatos.
Nada ali cola com a razão.
Empate técnico entre os dois lados da barricada.

29/10/2022

A senhora da gadanha

Estava sentada no cadeirão às quatro da bússola. Só dei por ela, vestida de negro como nunca a tinha visto, e eu já a vira decerto algumas vezes, quando me virei para trás.
Começou por uma conversa eclesiástica. Disse qualquer coisa sobre três mil e duzentas comunhões, creio que em simultâneo.
Depois o discurso descambou para uma espécie de prognóstico médico feito a compasso. Foi este evoluindo com trejeitos do vestido negro no cadeirão até que o seu olhar se fixou no meu e me disse que o prazo estava a acabar.
Percebi então que estava por horas. Que não veria o dia de Domingo.
Não deve ter sido calmamente que a escoltei até à porta da rua e me despedi dela.
Geração mais qualificada de sempre

Uma senhora legendada como professora universitária proferiu por duas vezes a palavra órbitra.
Incidente federal

Um jornalista americano usou o adjectivo “federal” para classificar o pisoteio de centenas de pessoas em Seul.
Um cabal exemplo de cabeça formatada.
Noves fora, nada


imagens de páginas das respectivas campanhas

28/10/2022

Путин

Há, nas afirmações de Putin e de acordo com as traduções ouvidas e lidas, algo que subscrevo: o mundo ocidental está demente.
A sanha do politicamente correcto em esmagar a ciência, em negá-la a cada passo, impondo modelos acordantes com uma mentalidade doentia esmagou por ora a razão.
Nisso ele tem razão.

27/10/2022

Neo-surrealismo prático

Na estética surrealista uma afirmação do tipo a+b=verde seria uma manifestação artística e nada mais. Afastar-se da razão faria toda o sentido como atitude.
O que se verifica hoje entre as camadas mais jovens, ainda que supostamente cultas, é a utilização no quotidiano prático da afirmação a+b=verde para regular as suas acções.
Não há ali pinga de lógica que se detecte.
Não faltam na publicidade emitida nas televisões alguns exemplos desse ilogismo prático de premissas disparatadas.
Resta saber se essa irracionalidade abraça quem não faz uso diário da razão e da lógica se, pelo contrário, se destina a impressionar pela negativa quem ainda raciocina: E dar com isso destaque à marca.
É um mistério para mim.

26/10/2022

Gente incapaz

Há demasiada gente incapaz a reivindicar como se o país fosse rico.
Gente incapaz com carimbos e certificações que ou se rende ao corporativismo reivindicativo cego e surdo ou se encontra sediada numa utopia da qual não se apercebe.

24/10/2022

Jornalismo

Na RTP, para ilustrar a morte de Carlos Melancia colocaram uma imagem de Rocha Vieira.
Não é preciso muito para perceber que se trata de um erro básico de um novato sem cabeça em que a televisão é pródiga.

Gasodutos e afins

Já se percebeu que nenhum dos oradores sobre a história do gasoduto e das ligações de energia sabe coisa alguma sobre o assunto e sequer é capaz de raciocinar, o que de resto não espanta.
Costa disse-o mas esqueceu-se de se ver ao espelho.
Vila Nova, 2022

23/10/2022

Uma espécie de paradoxo

O transporte colectivo é em grande parte preterido pelo individual por uma questão de comodismo e privacidade.
Isto nos centros onde coexistem. Há uma boa porção de território em que tal não acontece.
O ódio que grande parte da ecúmena nutre pela outra parte e que é exacerbado pela ausência de contacto directo, resulta em grandes doses de irritação no trânsito quotidiano e é, por via da presença próxima do outro, mitigado no transporte colectivo.
Resulta assim numa certa redução da comodidade do transporte individual.
Uma espécie de paradoxo.
Gasoduto

Uma exigência que se não pode fazer é a Rangel que explique a história da derrota de Portugal no caso do gasoduto Barcelona - Marselha.
Rangel é mais um iludido com as potencialidades de Sines para o interesse europeu.

22/10/2022

Intervalo de tempo

Liz Truss terá sido a primeira-ministra com menor tempo de serviço no Reino Unido. Por ironia do destino, nesse ínterim conheceu dois monarcas.
Minudências do cosmos.

21/10/2022

Estupidamente “correcto”

Alguém decretou que o hidrogénio doravante terá cor e será verde.
Para além disso, parece que a ideia de Sines ser o tal único porto do mundo e arredores continua na ordem do dia.

20/10/2022

A malga e o Estado (II)

A história é velha, já aqui a mencionei mas não desenvolvi.

Dois homens compraram a meias uma pipa de vinho com a intenção de a venderem, a tostão cada malga, na feira da vila.
Instalados na tenda, e à escassez de fregueses, um deles interpelou o outro:
“E se eu bebesse uma malga? Pagava-te meio tostão, já que metade da pipa é minha.”
O outro anuiu e cedo resolveu ser ele a beber uma pinga, passando o meio tostão ao sócio.
Conta-se que não tendo aparecido um único cliente terão bebido a pipa, tendo ficado o meio tostão no mesmo bolso de onde saíra inicialmente.




O Estado somos nós. O Estado subsidia-nos. O Estado colecta-nos.
No fim da história, o dinheiro foi e veio e acabou-se o vinho.
Bem sei que esta é uma visão simplista. Mas é uma caricatura do que acontece na realidade contrariando a mistificação de que o dinheiro cai do céu.
Onde chove e onde não chove

Com pouca esperança

Com pouca esperança de ver as colunas emergentes a ganhar forma.

19/10/2022

Uma depressão

É apenas mais uma depressão.
Esperemos que deite sobre o território água em barda.
Mas temo que seja mais um falhanço.


Imagem do ECMWF, via IPMA

18/10/2022

Alerta

Fui alertado pela CNN Portugal de que o disparo na inflação atinge mais fortemente os mais pobres. Isto numa demorada reportagem.
Jornalismo de excelência. Suponho que seja um jornalismo resiliente, responsável, sustentável, verde e azul. Não o será?

16/10/2022

Mais certo do que a Feira de Castro

E de facto, alguns acontecimentos foram mais certos do que a Feira de Castro em 2020 e em 2021.
Não faço ideia de quantos interregnos teve tal feira desde a sua fundação mas o facto de ter servido na voz do povo como padrão de regularidade decerto significa que não terão sido muitos. Assim, 2020 e 2021 entram para a história de tal evento pela porta pequena.
Quanto a mim, a última visita foi na canícula do dia tremendo de 15 de Outubro de 2017. Vindo da margem esquerda do Guadiana, esbraseado, não fiz mais do que circundá-la.
E não foi este ano que cumpri a velha tradição, que sempre apreciei.

Fotografia da Feira de Castro em 2016

15/10/2022

Interlocutores

Há, basicamente, duas espécies de interlocutores na Administração Pública: os capazes e os incapazes.
Aos capazes podemos dar conta do nosso caso por extenso. Interpretarão as nossas dúvidas e as nossas pretensões sem dificuldade e orientar-nos-ão para a solução.
Aos incapazes só podemos dar conta parcial e muito limitada das dúvidas e pretensões, talvez até ocultando as dúvidas para não atrapalhar e sempre nessa limitação orientados para as tarefas rotineiras do interlocutor. Da soma de procedimentos tais, tantos quantos os serviços envolvidos, talvez possamos chegar a bom porto, o que não é garantido.
A dificuldade está em identificar logo no cedo as capacidades de quem nos atende.

12/10/2022

O fantástico carro eléctrico

Há mais de um século os carros eléctricos começaram a perder a corrida que agora querem de novo liderar.
A escassa evolução da capacidade das baterias e da velocidade de carregamento associada aos elevados custos da substituição das mesmas tem aparentemente travado a ultrapassagem.
Há ainda a questão da absurda dependência na fonte dos mesmíssimos combustíveis de origem fóssil cujo uso se quer eliminar.
Não é raro ver uma geringonça qualquer movida por energia eléctrica proveniente de um gerador que trabalha a gasóleo, simbolizando o tal absurdo das centrais eléctricas.
Tudo isto é acompanhado de uma propaganda que promove o fantástico carro eléctrico como uma exigência moderna dos seres ditos de vanguarda.


da última factura da EDP

06/10/2022

A trapalhada dos carros da TAP

Ok. O povo serenará num ano e depois veremos – foi mais ou menos isto que a comunicação marqueteira da TAP quis dizer, segundo os órgãos de informação que a divulgaram.
Não poderia a administração da TAP perder os pergaminhos e aceder a adquirir viaturas de custo muito inferior. Não o podendo, vai empurrando o problema com a barriga, que é o que a TAP faz há tempo na sua gestão.
Covas de lobo

A dificuldade existente em ter acesso a uma conta de e-mail para onde, talvez na vã esperança de alcançar alguém competente, se consiga fundamentar com pés e cabeça uma qualquer reclamação junto de organismos públicos e outros que prestem serviço público, leva a que nos confrontemos em caso de necessidade com as tais covas de lobo que aqui referi vai para uns anos.
Alguém despreparado, com um manual de procedimentos inúteis à frente, atende-nos do outro lado do telefone. Começa aí a inenarrável aventura nos chamados call center.
Renault Clio

Há uns dez anos cirandou por aí a ideia de que um vulto político teria rejeitado andar de Renault Clio em funções oficiais.
Não faço ideia se foi assim ou se não foi. Mas o certo é que deu brado.
Agora temos a novela dos BMW da TAP.
Ciranda igualmente por aí a história de que a TAP reagiu às críticas que soaram de todo o lado com o arrazoado de que a operação de substituição dos veículos iria gerar poupanças com a frota automóvel.
Isto é o que se chama responder ao lado, coisa habitual em quem é falaz mas irracional.
O que está em questão é a escolha de veículos de gama alta, quando a companhia está a viver do erário público há demasiados anos, não é se vão pagar menos do que pagavam.
Diz o roto ao nu

De facto é difícil imaginar organismo menos apropriado pelas suas inúmeras fífias digitais do que a DGS para propagandear a boa utilização dos meios informáticos.
Mas é o que temos.


da página do Facebook da DGS

02/10/2022

Minuteman

Não sei quando a palavra Minuteman entrou no meu léxico. Sei, no entanto, que a associei desde o início a aniquilação total.
As notícias dos últimos dias dão a entender que estamos num pico de tensão. Podem os catastrofistas dizer agora que desde 1962 não há uma crise igual. Já ninguém se lembra da crise dos euromísseis nem da Guerra das Estrelas (IDE).


imagem em https://www.military.com/base-guide/f-e-warren-air-force-base

01/10/2022

Uma espécie de efeito Mpemba



Dar-se-á com a apreciação das mulheres feita pelos homens.
Quanto maior a apreciação, maior a velocidade com que a depreciação ocorre.
Sendo o efeito Mpemba uma duvidosa tese, também esta o é. E interroga-me numa medida em que o dito efeito interrogou aparentemente tanta gente.
Às vezes acho exactamente o contrário.

30/09/2022

Mortalidade diária

Número de óbitos em 2022, comparados com a média de 2009 a 2021. Dados do SICO - Sistema de Informação dos Certificados de Óbito.

Maria vai com as outras

Os ditos populares pela sua natureza são em regra certeiros e intemporais. No entanto, há épocas e épocas. Nesta em que ora vivemos, o “Maria vai com as outras” e o “macaquinho de imitação” estão muito adequados.
Por via da massificação e da facilidade de comunicação entre os simples.

29/09/2022

Simplex

Há-de haver uma razão, que não histórica, para que no séc.XXI não exista ainda integração do Registo Predial com o Registo Fiscal.

28/09/2022

Furacão

Hoje, os especialistas em alterações climáticas têm o espectáculo de que precisam. Há um furacão a assolar a Florida.
A informação é hoje mero espectáculo. Talvez o tenha sido sempre mas hoje é com muito mais facilidade que se espalha por toda a parte.
Sublinhar estes acontecimentos cíclicos é a missão da propaganda em prol das ideias poliitcamente correctas.

27/09/2022

Um par de estalos

Ouvi uma história que, a ser verdade, era sobre uns miúdos que não deixaram dormir o ciclista país-baixense Mathieu van der Poel na véspera do campeonato do Mundo de estrada e que terão por isso sido agredidos pelo dito.
Ao ouvir tal, achei que um par de estalos não teria sido mal dado. Sem saber se se tratara ou não de um par de estalos.
O que mudou a minha opinião foi ter lido depois que se tratava de duas miúdas. Nas senhoras não se bate.
Também eu fiz traquinices na meninice e, talvez por sorte, escapei sempre ao tal par de estalos. Creio que não me teria caído mal em algumas circunstâncias.

25/09/2022

Jornalismo

Um avião de carga teve um acidente. Nenhum passageiro ficou ferido.” – diz a cara falante na televisão.

24/09/2022

Comparação

Gráficos onde se pode comparar a situação actual com a do Verão de 2020 onde as restrições eram significativas.





Dados da DGS relativos a casos e óbitos por semana.

23/09/2022

Publicidade irritante

Imagino que também ensinem os marqueteiros nas respectivas escolas de que há muitas formas de uma campanha publicitária se voltar contra o anunciante. Uma delas é ser irritante.

21/09/2022

H2O

Há quem, já depois de velho, ainda acredite no Pai Natal, de resto uma criação bem espigada de uma marca de refrigerantes.
Do Pai Natal aos refrigerantes e dos refrigerantes à água, há quem acredite que vamos ter para sempre a torneira aberta do lado espanhol.
Outrora (vai para mais de 17 anos) escrevi por aqui o seguinte: “A agravar-se a falta de água, é lirismo puro contar com a água que vem de Espanha.”
As notícias destes últimos dias falam de manifestações em Espanha a reivindicar o fecho das torneiras. Não chova ele e veremos quanto tempo demorará até termos secos os rios que de lá vêm.

20/09/2022

Cemitério

A primeira e única pessoa a quem ouvi dizer que umas imagens de Izium mostravam um cemitério, ainda que improvisado – viam-se cruzes e nomes escritos em placas de madeira – foi o Maj.-Gen. Agostinho Costa.
Todos os outros que até então comentavam acriticamente aquelas imagens diziam tratar-se de umas valas comuns descobertas agora.
Não perceber o que se vê é um dos apanágios do jormalismo actual.

15/09/2022

Notícias do manicómio

Ouvi há pouco a Drª Manuela Ferreira Leite dizer que há um filme publicitário patrocinado pelo Estado que manda as pessoas correrem em sentido oposto ao da propagação de um fogo.
Como não tenho razão para duvidar da senhora, apenas me interrogo sobre o seguinte: Há ou não gente a quem este tipo de mensagens é destinada?
Se há, isto são mesmo notícias do manicómio. Se não há, é o habitual disparate das mentes despreparadas que comandam o país.

14/09/2022

Elegia prosaica das tabernas

A assoberbante e cenográfica taberna da Malveira, ao pé da Estação e com o competente cheiro a cominhos, e a cave retumbante de petiscos do Sr. Manuel da Damaia.
Defuntas ambas.
Menção também para o Cartaxeiro em Caneças, que hoje nada tem de taberna.
E uma outra quase ao lado da Câmara de Sintra, que depois também deu em fina.

13/09/2022

Falta de autoridade

A falta de autoridade está bem patente no número de vezes em que o lixo social saca da pistola para resolver os seus conflitos.
Num país em que os cidadãos idóneos são fortemente desencorajados a não possuírem armas de defesa pessoal.
Já fui testemunha ocular de uma dessas situações.

Godard

Talvez tenha sido o realizador que mais me encheu as medidas.


https://mubi.com/it/films/weekend

12/09/2022

PM

O PM Costa não pôde continuar com a sua lenga-lenga e admitiu até a impossibilidade de comportar aumentos de pensões de acordo com a inflação, pelo que os pensionistas perderão poder de compra.
Ninguém disse que as pensões de 2024 seriam nominalmente inferiores às de 2023. O PM Costa é que num acesso disse que o disse, como que reagindo a tal afirmação.
Ádipe ofídico



Ouvi ontem o PM Costa afirmar com veemência que em 2024 ninguém vencerá pensões inferiores às de 2023

11/09/2022

Especialista

Primeira-Ministra, aqui no caso First Minister e não Primeira-Ministra como em Portugal” – foi assim que um especialista se referiu a Nicola Sturgeon, da Escócia.
O especialista tem é dificuldades em alinhar raciocínio quando a tradução de duas expressões diferentes (Prime Minister e First Minister) resulta numa só expressão. Espalhou-se ao comprido. E é especialista. De televisão.

10/09/2022

Jornalismo infantil

Uma prova mais de que as redacções estão entregues a miúdos, por isso sem memória, mas também sem raciocínio, é o conjunto do alarido e das estapafúrdias considerações que foram feitas acerca da mudança da efígie real nas notas e moedas de libra esterlina e na letra do hino, como se fossem situações inéditas e anormais.
Prova essa que foi uma pequena parte do chorrilho de disparates ouvidos e lidos a propósito da morte de Isabel II.

07/09/2022

Duzentos anos após o cisma

Dos portugueses transatlânticos e cisatlânticos.

imagem do acervo do Museu Paulista, via Wikipedia

04/09/2022

Inflação

Esperam-se amanhã mais umas medidas inflacionárias.
Alterações climáticas

Já aqui escrevi que a campanha contra as alterações climáticas é destinada aos destituídos de memória, que acreditam sempre que o último verão foi o pior de sempre, meça-se lá isso como se medir, e que acreditam também que o clima, até lá à data que os gurus estabeleceram, foi sempre coisa estável, uniforme. Daí para a frente, esteve e está sujeito a alterações. Nunca existiram assim glaciações nem aquecimentos.
Essa campanha, torta que é, apontada que está aos simples, tem um único mérito: ao fazer um bolo argumentativo em que tudo causa alterações climáticas – os simples vêem nas televisões as mais diversas catástrofes causadas pelos elementos, incluindo terramotos, avalanchas, erosão costeira, como nunca viram e são instruídos a favor da causa. A densidade informativa é tal que tudo surge como um cúmulo. Tem um mérito, dizia, é que enviesadamente alerta para os verdadeiros problemas com que a humanidade se debate: o excesso de população e consequentes exaustão de recursos, poluição ambiental e natural aumento da temperatura do ar nos locais onde se acumulam a cada momento mais seres humanos e mais obstáculos existem à irradiação.
Aí, sim, reside o escolho que temos que ultrapassar, encontrando e colonizando o tal planeta B a tempo e horas ou reduzindo drasticamente a população da ecúmena e reduzindo assim o desgaste que inflingimos ao planeta.
A Natureza talvez nos exclua da equação se não atalharmos caminho. Quanto ao clima, nunca foi inalterável.

31/08/2022

"Eu não sei assobiar como os homens"

A dona de um rebanho de ovelhas justifica a rede do ovil com a sua condição feminina. Não as pode ter soltas porque não sabe assobiar como os homens.
Uma afirmação que deveria ser bem pesada pelos urbanos dados a modismos, se não fosse tal de todo impossível.

30/08/2022

Especialistas

É imagem do estado em que está a nossa classe política e técnica o facto de muitos dos seus membros referirem a inflação como meio do Estado arrecadar mais impostos, esquecendo que a mesma inflação “come” também os impostos arrecadados.
Pode haver e há um aumento nominal na arrecadação. Não há é aumento real. É a mesma lógica que se aplica aos ordenados e que os reivindicantes nunca alcançam.
Naturalmente que se os impostos se aplicarem ao consumo de bens hiperinflacionados, com índices de aumento de preço muito acima da inflação geral, a observação faz algum sentido.

28/08/2022

Erro de paralaxe

Um erro de paralaxe ou de benfiquismo é o que sucede com a apreciação feita pelos comentadores de ciclismo do Eurosport das capacidades de João Almeida quando comparadas com as dos grandes campeões.
Outros dirão wishful thinking.
Sporting



Há quantos anos é que o Sporting arrumou as botas logo em Agosto?

26/08/2022

Não há uma criatura que pense



Todos os dias, a todas as horas, há sinais de que nas redacções não há criaturas que pensem.
Tal como escrito no oráculo, a voz de serviço confirmou que arderam naquela zona da Califórnia, 38 ha em menos de 24 horas. E que isso é notícia!

23/08/2022

Riscos e manchas

Memória

Observo uma tendência generalizada para a obliteração da memória de que tiram partido as forças que comandam a informação. É cada vez mais fácil surpreender os simples com acontecimentos do dia-a-dia que afinal se repetiram pelos séculos dos séculos. A uma mocidade cada vez mais convencida de que o mundo começou no dia do seu nascimento, junta-se uma imensa maioria de velhos baralhados ou sem memória que é pasto fácil de toda a desinformação, de toda a propaganda.
Não será isto também facto novo. O que é novo é a torrente informativa e a facilidade com que os simples comunicam e ratificam entre si a desinformação e a propaganda. É este o retrato das redes sociais.