Em tempos, enviei um memorando à Câmara Municipal de Lisboa sugerindo que as escadinhas que hoje ligam a Rua do Carmo a um pátio interior cujo arco de acesso tem o nº29, se viessem a chamar Escadinhas 25 de Agosto de 1988.
Havia duas razões para tal: a primeira era a evocação do incêndio que destruiu aquela parte da cidade; a segunda era que sem que tal episódio tivesse ocorrido, as referidas escadinhas não teriam por certo sido construídas.
Armado eu em alfacinha de nascença, ainda que alentejano de raiz, ainda acrescentava um lamento por não existir na toponímia da cidade uma evocação do terramoto de 1 de Novembro de 1755. Há sim as Escadinhas dos Terramotos, que dizem ter ido buscar o nome à Ermida de tal invocação (Senhor Jesus dos Terramotos) erigida após o grande sismo. Assim sendo será uma memória não de um mas de vários abalos de terra devastadores ocorridos na cidade.
Não obtive qualquer resposta além da confirmação da recepção.
Admitindo que se trate de um acesso particular, não vejo ainda assim impedimento para que tal lembrança pudesse ficar gravada na pedra.
