d'après IGEOE
17/02/2011
Taça UEFA
Nas meias-finais de 2003 as probabilidades de duas equipas portuguesas se defrontarem eram de 1:4 (simplificando as probabilidades a 50% para cada lado em cada eliminatória).
Nunca antes tinham, me parece, ido tão alto. É coisa para se verificar no histórico.
Este ano, a probabilidade não é despicienda.
Mas anda longe do 1:4 dessa época.
adenda ainda a tempo: contas feitas em cima do joelho, anda por 1:7.
Nas meias-finais de 2003 as probabilidades de duas equipas portuguesas se defrontarem eram de 1:4 (simplificando as probabilidades a 50% para cada lado em cada eliminatória).
Nunca antes tinham, me parece, ido tão alto. É coisa para se verificar no histórico.
Este ano, a probabilidade não é despicienda.
Mas anda longe do 1:4 dessa época.
adenda ainda a tempo: contas feitas em cima do joelho, anda por 1:7.
16/02/2011
E não a levam presa
Diz que o Tribunal da Relação suspendeu a pena de prisão da mulher que matou duas pessoas no Terreiro do Paço em circunstâncias extraordinárias de condução.
Diz que a mulher é psicóloga.
Diz que argumentou que o carro pareceu ganhar “vida própria” e que não sabia justificar o que aconteceu.
Dizem as fotografias dos jornais que não mostrou a cara pelo menos em certa ocasião.
Diz ainda que antes disso tinha sido o nome escondido do público.
A ser tudo isto verdade, pergunto: será avisado permitir-lhe o exercício de funções profissionais como psicóloga?
De continuar a conduzir, ninguém a impede.
Diz que o Tribunal da Relação suspendeu a pena de prisão da mulher que matou duas pessoas no Terreiro do Paço em circunstâncias extraordinárias de condução.
Diz que a mulher é psicóloga.
Diz que argumentou que o carro pareceu ganhar “vida própria” e que não sabia justificar o que aconteceu.
Dizem as fotografias dos jornais que não mostrou a cara pelo menos em certa ocasião.
Diz ainda que antes disso tinha sido o nome escondido do público.
A ser tudo isto verdade, pergunto: será avisado permitir-lhe o exercício de funções profissionais como psicóloga?
De continuar a conduzir, ninguém a impede.
15/02/2011
O velho e a ponte
De repente, como se sabe, a imprensa descobriu a velhice solitária. E as árvores que caem na floresta sem que o fragor se possa dizer que aconteceu, tal como Berkeley conjecturou.
A mim recordou-me agora um caso extremo que me foi contado numa vizinhança com relações sociais muito fortes – as faldas da serra que separa o Alentejo do Algarve.
Talvez tenha sido há vinte anos, mais coisa menos coisa.
Um velho que era de poucas falas e que, aparentemente, errava por corgos e cêrros, deixou de ser visto.
Tempos depois, acabou por ser encontrado pendurado pelos pés numa ponte de corda e tábuas que cedeu ao seu peso quando transpunha um barranco alto em sítio escuso.
As notícias continuam a avolumar o rol de mortos.
Apesar de pessoas que se dedicam a trabalho social nesta área dizerem o óbvio – nada disto é novo.
Mas se os surtos começam na televisão...
De repente, como se sabe, a imprensa descobriu a velhice solitária. E as árvores que caem na floresta sem que o fragor se possa dizer que aconteceu, tal como Berkeley conjecturou.
A mim recordou-me agora um caso extremo que me foi contado numa vizinhança com relações sociais muito fortes – as faldas da serra que separa o Alentejo do Algarve.
Talvez tenha sido há vinte anos, mais coisa menos coisa.
Um velho que era de poucas falas e que, aparentemente, errava por corgos e cêrros, deixou de ser visto.
Tempos depois, acabou por ser encontrado pendurado pelos pés numa ponte de corda e tábuas que cedeu ao seu peso quando transpunha um barranco alto em sítio escuso.
As notícias continuam a avolumar o rol de mortos.
Apesar de pessoas que se dedicam a trabalho social nesta área dizerem o óbvio – nada disto é novo.
Mas se os surtos começam na televisão...
14/02/2011
13/02/2011
A descoberta das coisas
Já se sabe que só acontece o que passa na televisão.
Donde não admira que os surtos se devam sempre a ela.
Toda a gente descobre a vida através dela. Ou a morte, no caso dos velhos que morreram sós e de que ninguém ou quase ninguém quis saber.
De um, rapidamente passámos a três.
Em tempos, talvez trinta anos atrás, um dos estigmas que se identificavam com a civilização dita impessoal dos países nórdicos era justamente este – o das pessoas que morriam sem que ninguém desse por isso.
Verificamos assim que estamos com trinta anos de atraso. Exactamente porque, antes da televisão o dizer agora, estes casos não aconteciam.
Já se sabe que só acontece o que passa na televisão.
Donde não admira que os surtos se devam sempre a ela.
Toda a gente descobre a vida através dela. Ou a morte, no caso dos velhos que morreram sós e de que ninguém ou quase ninguém quis saber.
De um, rapidamente passámos a três.
Em tempos, talvez trinta anos atrás, um dos estigmas que se identificavam com a civilização dita impessoal dos países nórdicos era justamente este – o das pessoas que morriam sem que ninguém desse por isso.
Verificamos assim que estamos com trinta anos de atraso. Exactamente porque, antes da televisão o dizer agora, estes casos não aconteciam.
11/02/2011
Redes sociais
Hoje em dia uma rede social é qualquer coisa que se passa na internet. Só assim merece o nome. É a semântica e as suas voltas.
Alguma jornalistagem exulta com a vitória das redes sociais no Egipto.
Como é que se poderá dizer que cabe a tal coisa, a tais coisas como tal designadas, um papel decisivo na mobilização das pessoas?
Estamos dentro da platónica caverna.
Hoje em dia uma rede social é qualquer coisa que se passa na internet. Só assim merece o nome. É a semântica e as suas voltas.
Alguma jornalistagem exulta com a vitória das redes sociais no Egipto.
Como é que se poderá dizer que cabe a tal coisa, a tais coisas como tal designadas, um papel decisivo na mobilização das pessoas?
Estamos dentro da platónica caverna.
09/02/2011
A mulher com nome de capital provisória
Conheci-a sempre assim. Pelo nome que partilhava com a capital provisória.
O que mais me espantou – e ainda hoje afinal me espanta – nela e em mim, foi a nossa proximidade gritante e a distância segura bem combinadas.
Atraíamo-nos como ímanes e mantínhamos as distâncias como pólos idênticos, sabendo que o não éramos. Um enigma vulgar entre gente da nossa idade. Adolescentes, afinal.
Dei-me hoje conta, o PCP a que ela então pertencia que o diga (devem ter fichas disso), que não me esqueci dela. Nem hoje nem nunca até tal data.
Não faço ideia – não posso evidentemente fazê-la - se a inversa é verdadeira.
E o seu nome era Isabel.
Conheci-a sempre assim. Pelo nome que partilhava com a capital provisória.
O que mais me espantou – e ainda hoje afinal me espanta – nela e em mim, foi a nossa proximidade gritante e a distância segura bem combinadas.
Atraíamo-nos como ímanes e mantínhamos as distâncias como pólos idênticos, sabendo que o não éramos. Um enigma vulgar entre gente da nossa idade. Adolescentes, afinal.
Dei-me hoje conta, o PCP a que ela então pertencia que o diga (devem ter fichas disso), que não me esqueci dela. Nem hoje nem nunca até tal data.
Não faço ideia – não posso evidentemente fazê-la - se a inversa é verdadeira.
E o seu nome era Isabel.
07/02/2011
Coincidência
Aqui a ver uma reportagem sobre a reportagem premiada de Paulo Pimenta sobre a Linha do Sabor, quando deparo com esta foto:

© Paulo Pimenta
Há coisas que atraem a objectiva.

Estação C.F. do Pocinho © MCV, 2005
Aqui a ver uma reportagem sobre a reportagem premiada de Paulo Pimenta sobre a Linha do Sabor, quando deparo com esta foto:
© Paulo Pimenta
Há coisas que atraem a objectiva.
Estação C.F. do Pocinho © MCV, 2005
06/02/2011
04/02/2011
03/02/2011
Marte
Tenho uma ideia vaga de ouvir a papagaiada sobre um mínimo na distância entre Marte e a Terra no verão de 2003.
Vaga ideia que está de acordo com a minha particular ignorância do astro.
Mas o facto é que, em Portugal, esse verão de 2003 foi o verão não só das duas vagas de calor intenso mas também do surto dos blogues.
Este mesmo começou pouco dias antes dessa efeméride astronómica.
Terá sido por influência dos marcianos?
Por alturas do mínimo anterior, podia ler-se isto n’A Capital:

(clicar para ampliar)
Tenho uma ideia vaga de ouvir a papagaiada sobre um mínimo na distância entre Marte e a Terra no verão de 2003.
Vaga ideia que está de acordo com a minha particular ignorância do astro.
Mas o facto é que, em Portugal, esse verão de 2003 foi o verão não só das duas vagas de calor intenso mas também do surto dos blogues.
Este mesmo começou pouco dias antes dessa efeméride astronómica.
Terá sido por influência dos marcianos?
Por alturas do mínimo anterior, podia ler-se isto n’A Capital:
(clicar para ampliar)
02/02/2011
01/02/2011
31/01/2011
30/01/2011
Comprar o carro de
Há quase seis anos, o Expresso compunha a sua primeira página entre outros assuntos, com isto:

Expresso
Disse na altura que ir comprar um carro com qualquer um deles me parecia ser uma aventura especialmente atractiva. Ou disse algo mais bizarro.
Disse na altura que ser vizinho fosse de quem fosse, com qualquer um deles me parecia ser um insulto despropositado. Ou disse algo mais anormal.
Supondo eu seis anos depois, que é o tempo que eu normalmente levo a perceber os jornais, que, nos casos por mim avivados a amarelo em vez de “com” deveria estar um “de”, sucedeu-me ontem, e é por isso que isto saiu a terreiro, ter a oportunidade de comprar um carro em segunda mão de...
É claro que foi o meu velho amigo que me chamou para me dar conta de que ainda não tinha a encomenda para mim mas que tinha aquele.
Para prova, não mostrou senão uma fotocópia do BI da pessoa em causa. A pessoa em causa ainda não tem portanto cartão de cidadão.
E eu julgo que apesar do muito instrutivo pequeno buraco no tapete, cerca de um pé atrás do pedal do acelerador, a pessoa em causa tem todo o aspecto e também a reputação de ser alguém a quem se pode comprar um carro.
Tenho que acreditar no meu amigo. Que não me mostrou um documento em que àquela matrícula corresponde o nome de tal proprietário.
Como podem calcular se seguiram o segundo link, há anos e anos que estou comprador e não me resolvo.
Há quase seis anos, o Expresso compunha a sua primeira página entre outros assuntos, com isto:
Expresso
Disse na altura que ir comprar um carro com qualquer um deles me parecia ser uma aventura especialmente atractiva. Ou disse algo mais bizarro.
Disse na altura que ser vizinho fosse de quem fosse, com qualquer um deles me parecia ser um insulto despropositado. Ou disse algo mais anormal.
Supondo eu seis anos depois, que é o tempo que eu normalmente levo a perceber os jornais, que, nos casos por mim avivados a amarelo em vez de “com” deveria estar um “de”, sucedeu-me ontem, e é por isso que isto saiu a terreiro, ter a oportunidade de comprar um carro em segunda mão de...
É claro que foi o meu velho amigo que me chamou para me dar conta de que ainda não tinha a encomenda para mim mas que tinha aquele.
Para prova, não mostrou senão uma fotocópia do BI da pessoa em causa. A pessoa em causa ainda não tem portanto cartão de cidadão.
E eu julgo que apesar do muito instrutivo pequeno buraco no tapete, cerca de um pé atrás do pedal do acelerador, a pessoa em causa tem todo o aspecto e também a reputação de ser alguém a quem se pode comprar um carro.
Tenho que acreditar no meu amigo. Que não me mostrou um documento em que àquela matrícula corresponde o nome de tal proprietário.
Como podem calcular se seguiram o segundo link, há anos e anos que estou comprador e não me resolvo.
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