Os sítios
Os sítios desaparecidos que nos informam a alma, como os diaporamas incluem pessoas. E trazem anexos sons, aromas e
episódios.
Pertenço a uma geração que tem provavelmente o discutível privilégio de ter assistido à maior revolução topológica no país. Recorde que até pode manter, como Bob Beamon por alguns anos mais, a julgar pela quantidade de entropia do sistema.
Faz isto com que me depare com bastante frequência com locais que pouco ou nada contêm da memória que deles tinha.
Tropecei hoje num homem que pertence a um desses diaporamas virtuais.
Anos a fio atendeu-me atrás de um balcão que de pedra passou a aço inoxidável e cujo pano de fundo passou das pipas que vertiam mesmo vinho às estantes igualmente inoxidáveis contendo garrafas para consumo exclusivo na casa. Essas mudanças porém não alteraram o essencial, tudo era reconhecível de dia para dia.
É difícil hoje sem a ajuda de um teodolito dizer exactamente onde ficava o balcão, a porta de entrada, a mesa das traseiras com vista para o vale. De um teodolito e de uma carta antiga que mostrasse como era o alinhamento da rua, as suas cotas, etc.
Foi-me hoje difícil perceber que aquele rosto pertencia a tal quadro. Foi à segunda e com reservas.
Quase como se fosse necessário o levantamento topográfico para saber de quem se tratava.
ERRATA: onde se lê diaporamas deverá ler-se dioramas