02/09/2023
Submersos
Há uma "cultura" irracional de indivíduos simples com acesso aos meios de grande divulgação que tende a submergir o mundo.
Para além da irracionalidade, prevalece a subjectividade e o ódio.
Submersos ficaremos, uma vez que esta "cultura" contamina cada vez mais os que poderiam ser recuperados para o uso da razão.
Há uma "cultura" irracional de indivíduos simples com acesso aos meios de grande divulgação que tende a submergir o mundo.
Para além da irracionalidade, prevalece a subjectividade e o ódio.
Submersos ficaremos, uma vez que esta "cultura" contamina cada vez mais os que poderiam ser recuperados para o uso da razão.
01/09/2023
31/08/2023
30/08/2023
29/08/2023
Evolução semântica
Na CNN Portugal apareceu um "especialista em marketing desportivo".
Tenho a plena consciência de que a palavra "desporto" está já a anos-luz do seu significado primordial de actividade lúdica, ociosa, contrária por isso mesmo ao conceito de negócio. Ainda assim há palavras que, conjugadas, me soam muito mal. Marketing e desporto são duas delas.
O que tornará um indivíduo especialista em tal coisa?
Na CNN Portugal apareceu um "especialista em marketing desportivo".
Tenho a plena consciência de que a palavra "desporto" está já a anos-luz do seu significado primordial de actividade lúdica, ociosa, contrária por isso mesmo ao conceito de negócio. Ainda assim há palavras que, conjugadas, me soam muito mal. Marketing e desporto são duas delas.
O que tornará um indivíduo especialista em tal coisa?
28/08/2023
27/08/2023
26/08/2023
25/08/2023
Efeméride
Em tempos, enviei um memorando à Câmara Municipal de Lisboa sugerindo que as escadinhas que hoje ligam a Rua do Carmo a um pátio interior cujo arco de acesso tem o nº29, se viessem a chamar Escadinhas 25 de Agosto de 1988.
Havia duas razões para tal: a primeira era a evocação do incêndio que destruiu aquela parte da cidade; a segunda era que sem que tal episódio tivesse ocorrido, as referidas escadinhas não teriam por certo sido construídas.
Armado eu em alfacinha de nascença, ainda que alentejano de raiz, ainda acrescentava um lamento por não existir na toponímia da cidade uma evocação do terramoto de 1 de Novembro de 1755. Há sim as Escadinhas dos Terramotos, que dizem ter ido buscar o nome à Ermida de tal invocação (Senhor Jesus dos Terramotos) erigida após o grande sismo. Assim sendo será uma memória não de um mas de vários abalos de terra devastadores ocorridos na cidade.
Não obtive qualquer resposta além da confirmação da recepção.
Admitindo que se trate de um acesso particular, não vejo ainda assim impedimento para que tal lembrança pudesse ficar gravada na pedra.
Em tempos, enviei um memorando à Câmara Municipal de Lisboa sugerindo que as escadinhas que hoje ligam a Rua do Carmo a um pátio interior cujo arco de acesso tem o nº29, se viessem a chamar Escadinhas 25 de Agosto de 1988.
Havia duas razões para tal: a primeira era a evocação do incêndio que destruiu aquela parte da cidade; a segunda era que sem que tal episódio tivesse ocorrido, as referidas escadinhas não teriam por certo sido construídas.
Armado eu em alfacinha de nascença, ainda que alentejano de raiz, ainda acrescentava um lamento por não existir na toponímia da cidade uma evocação do terramoto de 1 de Novembro de 1755. Há sim as Escadinhas dos Terramotos, que dizem ter ido buscar o nome à Ermida de tal invocação (Senhor Jesus dos Terramotos) erigida após o grande sismo. Assim sendo será uma memória não de um mas de vários abalos de terra devastadores ocorridos na cidade.
Não obtive qualquer resposta além da confirmação da recepção.
Admitindo que se trate de um acesso particular, não vejo ainda assim impedimento para que tal lembrança pudesse ficar gravada na pedra.
35 anos atrás
O mês e meio de férias estava na recta final.
Depois da tranquilidade do sotavento, a tranquilidade do barlavento algarvio.
Umas férias a três. Um casal e um sofá com rodas e vista panorâmica.
Naquela madrugada de 25 de Agosto, deu-me mais uma vez sede.
Talvez um cigarro na varanda, a contemplar as luzes dos barcos.
Já agora, liga-se o rádio. Quase hora das notícias. Baixinho, para não te acordar.
Não retirei de imediato o significado da torrente de palavras que dele saía.
Quando finalmente tracei o quadro, já estavas a meu lado, de lágrimas nos olhos.
Parte das nossas memórias ardeu nesse dia.
Já aqui publicado uns bons anos atrás.
O mês e meio de férias estava na recta final.
Depois da tranquilidade do sotavento, a tranquilidade do barlavento algarvio.
Umas férias a três. Um casal e um sofá com rodas e vista panorâmica.
Naquela madrugada de 25 de Agosto, deu-me mais uma vez sede.
Talvez um cigarro na varanda, a contemplar as luzes dos barcos.
Já agora, liga-se o rádio. Quase hora das notícias. Baixinho, para não te acordar.
Não retirei de imediato o significado da torrente de palavras que dele saía.
Quando finalmente tracei o quadro, já estavas a meu lado, de lágrimas nos olhos.
Parte das nossas memórias ardeu nesse dia.
Já aqui publicado uns bons anos atrás.
23/08/2023
22/08/2023
O protocolo que mata e outros temas correlatos
Segundo a notícia da RTP, o doente que morreu sem assistência no hospital Beatriz Ângelo só não foi transferido porque o protocolo não permitia que os bombeiros que ali o levaram o transferissem para outro hospital.
Há sempre os que não ultrapassam um sinal vermelho quando uma ambulância grita imediatamente atrás deles.
A crónica retenção de ambulâncias à porta das urgências deve-se única e exclusivamente à utilização das suas macas dentro do hospital, como é comummente referido?
Se assim acontece, qual é a razão porque um qualquer hospital não dispõe de um excesso de macas que faça face a picos de afluência? É só um problema de orçamento?
Segundo a notícia da RTP, o doente que morreu sem assistência no hospital Beatriz Ângelo só não foi transferido porque o protocolo não permitia que os bombeiros que ali o levaram o transferissem para outro hospital.
Há sempre os que não ultrapassam um sinal vermelho quando uma ambulância grita imediatamente atrás deles.
A crónica retenção de ambulâncias à porta das urgências deve-se única e exclusivamente à utilização das suas macas dentro do hospital, como é comummente referido?
Se assim acontece, qual é a razão porque um qualquer hospital não dispõe de um excesso de macas que faça face a picos de afluência? É só um problema de orçamento?
21/08/2023
Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 26
Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real.
Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real.
20/08/2023
19/08/2023
A cara de Tut ou mesmo de Ötzi
Creio que um sinal dos tempos de hoje é a facilidade com que uma maré de ideias disparatadas contamina a clarividência. E a clarividência é, neste particular, não mais do que o apontar do erro, da impossibilidade, da incompatibilidade, da incongruência dos argumentos.
Em resumo, uma espécie de papel de árbitros de revistas científicas na vida de todos os dias. Ou talvez apenas mero bom senso, ao alcance das mentes menos cultivadas.
A questão, repetida no tempo, sempre com caras diferentes, pode ser a da face do Faraó Tutancamon ou de Ötzi, o homem do gelo.
É cada um livre de pintar um quadro com a cara imaginada. É arte. Pode fazê-lo usando as mais variadas técnicas cibernéticas ou não, que dá no mesmo. É arte, não passa disso.
Confundir o resultado com qualquer tipo de estudo científico é, obviamente, uma consequência da tal contaminação das opiniões talassémicas.
E de reminiscências de crendice que a elas andam sempre apegadas. Polvilhadas de politicamente correcto.
Ora isto é o pão-nosso-de-cada-dia. Todos os dias, a todas as horas, nos confrontamos com este tipo de afirmação.
Desde as projecções disto e daquilo que são depois revistas em baixa ou em alta, aos cenários fabulosos que nos apontam se seguirmos esta senda e não aquele semedeiro.
Tudo isto é papagaiado aos sete ventos e ouvido com muito respeito e veneração.
Agora reviu-se a cara de Ötzi. Pensar que isto é pouco mais do que adivinhação é o que dita a razão.
escrito em 2006, revisto em 2023
Creio que um sinal dos tempos de hoje é a facilidade com que uma maré de ideias disparatadas contamina a clarividência. E a clarividência é, neste particular, não mais do que o apontar do erro, da impossibilidade, da incompatibilidade, da incongruência dos argumentos.
Em resumo, uma espécie de papel de árbitros de revistas científicas na vida de todos os dias. Ou talvez apenas mero bom senso, ao alcance das mentes menos cultivadas.
A questão, repetida no tempo, sempre com caras diferentes, pode ser a da face do Faraó Tutancamon ou de Ötzi, o homem do gelo.
É cada um livre de pintar um quadro com a cara imaginada. É arte. Pode fazê-lo usando as mais variadas técnicas cibernéticas ou não, que dá no mesmo. É arte, não passa disso.
Confundir o resultado com qualquer tipo de estudo científico é, obviamente, uma consequência da tal contaminação das opiniões talassémicas.
E de reminiscências de crendice que a elas andam sempre apegadas. Polvilhadas de politicamente correcto.
Ora isto é o pão-nosso-de-cada-dia. Todos os dias, a todas as horas, nos confrontamos com este tipo de afirmação.
Desde as projecções disto e daquilo que são depois revistas em baixa ou em alta, aos cenários fabulosos que nos apontam se seguirmos esta senda e não aquele semedeiro.
Tudo isto é papagaiado aos sete ventos e ouvido com muito respeito e veneração.
Agora reviu-se a cara de Ötzi. Pensar que isto é pouco mais do que adivinhação é o que dita a razão.
escrito em 2006, revisto em 2023
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