10/01/2024

Ford da Azambuja

Esta luta dos trabalhadores do grupo Global Media parece uma cópia da dos trabalhadores da Ford na Azambuja.
Conhece-se o desfecho.

09/01/2024

A onda de Santo André

Uma das coisas que me deu que fazer em tempos foi datar uma história que ouvira contar em tenra idade: uma onda de grandes dimensões matara vários pescadores na praia da Lagoa de Santo André.
Já bem entrada a era do Google não havia na rede sinal de tal acontecimento. Dei disso notícia.
Era esse caso e o do desastre do Rápido do Algarve, que igualmente guardara de memórias pueris que mais curiosidade me suscitavam. Ambos estavam arredados da memória dos jornais, pois nunca surgiam nas listas de acidentes ocorridos, a propósito de casos semelhantes.
Um texto de Rogério Guinote Mota na revista O Foguete que entretanto encontrei por mero acaso, deu-me a informação que me faltava, completada depois com a leitura dos jornais da época.
Dei então o meu pequeno contributo para a inclusão deste acidente na memória ao trazê-lo para o blogue.
Já em relação à onda de Santo André, só um destes dias um sumário de uma reportagem num canal de televisão (SIC) me deu a pista que me faltava – a data em que ocorrera.
De volta ao Google, lá encontrei depois mais informação. Toda ela publicada muito depois da minha procura inicial. Faz hoje 61 anos que se deu tal tragédia.
Duas gavetas arrumadas na minha memória, uns bons sessenta anos depois.
Meio-bilhete

08/01/2024

Os simples na estrada

O simples que se preza cumpre alguns preceitos enquanto circula nas estradas:
Fá-lo sempre pela faixa do meio quando existem três faixas, estando ou não livre a faixa mais à direita.
Trava amiúde nesta faixa, independentemente de ter ou não obstáculos à sua frente.
Raramente usa o pisca-pisca.
E possui em carro antigo uma matrícula nova, sem tracinhos, onde letras e números se encavalitam ao meio.



Já lá vai o tempo do carpélio na chapeleira, do cãozinho de peluche a abanar a cabeça, do terço ou do galhardete pendurado no espelho retrovisor, das almofadas de crochet no banco de trás.

05/01/2024

Brilho metálico

Brilha-me na memória uma gravata que o meu Pai possuía.
Uma das que não herdei. Talvez queimada por algum cigarro.
Era de padrão metálico. Riscado sport metálico. Riscas oblíquas cinzentas mais e menos escuras, mais e menos estreitas que transformavam a gravata numa peça metálica pendente do pescoço.
Uma espécie de pêndulo enfeitiçante. Ficava especado a vê-la brilhar sobre o fundo inevitavelmente branco da camisa.

Há muito li algures que para um carril se manter com brilho necessita de ser cruzado no mínimo por um comboio por dia.
Ocorreu-me nessa altura que seria necessário criar uma escala de brilho metálico em função do número de comboios diários que passa num carril.
E aplicá-la às gravatas.

03/01/2024

Cansaço

Talvez tudo isto tenha a ver com a minha transumância a caminho do Restelo.
Talvez.
Não posso deixar de me inquietar com a licença que foi sendo paulatinamente concedida aos medíocres para se apoderarem do aparelho do Estado.
Licença concedida pelos capazes resignando por nojo.
Licença outorgada pelos simples, de cabecinha lavada a cada quatro ou menos anos.
Um cansaço de geronte.

02/01/2024

Sorte

Sorte. Sorte foi o que tiveram todos aqueles que se salvaram no acidente de aviação em Tóquio.
É claro que um aeroporto menos prevenido, uma tripulação menos treinada e uns passageiros menos disciplinados teriam decerto descambado numa contagem de mortos bem mais alta.
Mas a sorte não tocou a todos. Pelo menos cinco morreram de imediato.
As considerações enviesadas de comentadores televisivos de que não houve milagre, só existiu competência são o já esperado. Os bombeiros consideram que os bombeiros foram exemplares e o pessoal da aviação gaba a excelência da tripulação.
Já eu, que não acredito em milagres, acho que houve um milagre, sim. Que não se estendeu aos mortos e ao ferido.

30/12/2023

Amorim

Ou Amorim não percebe mesmo o que é um contrato ou há jogadores que assinam papéis que os tornam mercadoria, sem que possam exercer a sua vontade. É o que se depreende da afirmação: “O Viktor não tem quereres. O Viktor tem uma cláusula.”

28/12/2023

A televisão, as urgências e os simples

Aparecem agora um sem número de simples, todos pimpões, rosadinhos e resolutos, a dar conta às câmaras de televisão de que não são atendidos nas urgências hospitalares.
Não é só na estrada que os simples são um perigo para a saúde alheia.

26/12/2023

Sismos sentidos

Este ano igualou-se o recorde de número de sismos sentidos no Continente e Madeira dos últimos 28 anos, estabelecido há cinco anos.

16/12/2023

Auto-retratos

O auto-retrato é uma das aquisições mais ou menos recentes dos simples.
Nasceu com a possibilidade de captar a própria imagem ao olhar para o telemóvel.
Antes disso não lhes ocorria tal coisa, verem-se assim ao espelho para a posteridade.
Tal sucesso foi entre os simples que a designação "selfie" se aplica já a qualquer fotografia tirada com um telefone.
É assim que a língua se vai transformando. Em tempos foi uma “kodak”.

15/12/2023