Houve um tempo em que seguíamos também a tabuada dos golos.
1-0, 0-1, 1-1, por aí fora.
Como na bola, estes eram os resultados habituais. Os empates a zero eram também numerosos, havia uma infinidade de penalties desperdiçados por falta de concentração.
Mas, volta e meia, uma goleada.
Na nossa estranha contabilidade, só se conseguia construir um resultado volumoso quando a equipa era grande.
Dessa vez, se a memória me não atraiçoa, éramos quatro.
E elas eram umas oito.
Foi má leitura de jogo por parte do treinador.
O certo é que já estávamos em campo e não havia tempo para recrutar novos reforços. Fomos à luta.
Depois de algumas jogadas individuais, já o automatismo da equipa adversária estava percebido, encontro o M.C. no bar.
"E atão? Como é que é?" - disparou ele.
"Como é que é? É assim: A mais interessante para mim é a que se atracou ao S. A que eu gostava de marcar é aquela magrinha, dos olhos grandes. Mas a que está a descair para o meu lado é a matulona do cabelo preto. Lá da RDMNA. Vou então ver o que é que dá a magrinha, se não der, a minha escolha é a matulona."
"Porra, queres tudo para ti. Logo três!"
"Não, M." - eu a ver que ele queria a matulona - "Podes ficar com as outras, eu fico com a que caiu cá para o meu lado. Não há crise, podes escolher a magrinha."
"Porra, queres logo as três."
"Não, homem, só quero a matulona, não quero nenhum hat-trick."
Ele lá se foi, a matulona caiu mesmo para o meu lado. O P.P. já tinha a dele certa. O S. a mais bonita. E o M.C. ficou com uma que agora me não lembro. O certo é que foram elas que escolheram. As outras quatro, entre as quais a magrinha, recolheram aos balneários. Não houve hat-trick para ninguém. Elas ganharam 0-4. Ah, esquecia-me! Hat-trick são três, toda a gente que lê jornais desportivos sabe disso.
coelhinho em