espero que sim
27/12/2003
26/12/2003
Iagos e Vídeos
Ainda não encontrei uma explicação satisfatória para haver Tiagos e não haver Tantónios.
Excepção feita a Tantónio Barbosa, o violinista, que não conheço.
Claro que confirma a regra.
Mas e os Tonofres? Os Teliseus? Apenas o Bonfim Machado, motorista suponho que em Rio Branco?
Não percebo. Porque é que os Tiagos proliferaram e os outros não?
Deve haver alguma conjura secreta.
Por aqui, vamo-nos contentando com o Santo Vídeo, ou Santo Bídeo. Ali para Gaia.
Em dia de São Testêvão.
imagem em
Ainda não encontrei uma explicação satisfatória para haver Tiagos e não haver Tantónios.
Excepção feita a Tantónio Barbosa, o violinista, que não conheço.
Claro que confirma a regra.
Mas e os Tonofres? Os Teliseus? Apenas o Bonfim Machado, motorista suponho que em Rio Branco?
Não percebo. Porque é que os Tiagos proliferaram e os outros não?
Deve haver alguma conjura secreta.
Por aqui, vamo-nos contentando com o Santo Vídeo, ou Santo Bídeo. Ali para Gaia.
Em dia de São Testêvão.
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Bifes e alcatrão
Lá vem mais uma vaga contra a vaca.
É assim de vez em quando.
Há, no entanto, um explicação que me falta:
Porque é que as pessoas que se eximem de comer carne de vaca, continuam a viajar de carro?
Não só não atinjo a lógica da coisa como tenho o palpite que, se seguissem a voz da razão, as estradas ficariam muito menos perigosas.
Ou não seria assim?
Isto não tem nada a ver com os vegetarianos, obviamente.
Lá vem mais uma vaga contra a vaca.
É assim de vez em quando.
Há, no entanto, um explicação que me falta:
Porque é que as pessoas que se eximem de comer carne de vaca, continuam a viajar de carro?
Não só não atinjo a lógica da coisa como tenho o palpite que, se seguissem a voz da razão, as estradas ficariam muito menos perigosas.
Ou não seria assim?
Isto não tem nada a ver com os vegetarianos, obviamente.
25/12/2003
A noite de Natal
26 anos depois
Acordarem-nos naquela fase inicial do sono é o que dá.
A noite de Natal era apenas uma noite mais de diversão.
Um bailarico, as amigas do costume.
Ainda entrámos em palco mas não nos deixaram substituir os nossos amigos instrumentistas.
E à cama cheguei tarde e a más horas.
E fui acordado menos de uma horita depois, pela minha mãe (nem ouvi as pancadas na porta):
"Está ali um amigo teu que precisa de ajuda!"
Fui ver. O A.M. estava à porta, enregelado e a rir-se. Eu a tentar perceber porque é que ele não tinha ido para casa.
Como a noite era de forte geadão, eu já tinha saído do quarto equipado com samarra e botas caneleiras.
E ele a rir-se. "Eh, pá, tive dois furos..."
"Dois furos?"
Agora, era eu quem esboçava um sorriso: "Dois furos?"
"Sim! Desenrasca-me lá! Tive que vir à boleia numa bicicleta a motor."
Fui dizer ao meu pai que eram dois furos, que o rapaz precisava de ajuda: "Posso levar o carro outra vez?"
O meu pai a calcular outras aventuras mas admirado por me ver de pijama e samarra. Afinal...
Lá fomos.
O moço tinha saído da estrada numa recta, deu-lhe o sono e lá estava a carrinha com duas rodas na valeta.
O primo da namorada enregelado e enrolado no banco olhava para nós como para um filme que ele teimava em ver, lutando contra o sono.
Foi quando passou um matinal, fumegante e admirado motociclista que eu me dei conta que estava a começar o dia de Natal no meio do mato, em pijama.
Lá desmontámos as duas rodas, deixámos a carrinha ancorada nos macacos e ala para casa do M.V. que ele é que percebe de oficinas.
Mas ainda me lembrei de ir a casa vestir-me.
Quando chegámos a casa do outro, ainda eram sete e tal.
Relutantemente, lá nos abriram a porta e encaminharam para o quarto do moço.
Acordou connosco a abanar a cama.
Ria-se, ria-se, só se ria.
"Tal não foi o espectáculo?" - e sufocava ao rir-se deitado na cama. E a gente a baralhá-lo, a contar-lhe histórias.
É claro que foi depois preciso uma boa meia-hora para o convencer definitivamente de que o caso era urgente.
E lá o arrancámos da cama, a caminho da estação de serviço.
Depois de arranjar as cacetadas nas jantes e de remendar os furos, de voltar uns bons vinte e tal quilómetros até à carrinha e pôr tudo em condições, dei comigo ao meio-dia de Natal a beber conhaques e a fumar charutos espanhóis, no café das bombas de gasolina.
Mas já não estava em pijama.
Alguém devia estar à nossa espera para o almoço.
imagem em
26 anos depois
Acordarem-nos naquela fase inicial do sono é o que dá.
A noite de Natal era apenas uma noite mais de diversão.
Um bailarico, as amigas do costume.
Ainda entrámos em palco mas não nos deixaram substituir os nossos amigos instrumentistas.
E à cama cheguei tarde e a más horas.
E fui acordado menos de uma horita depois, pela minha mãe (nem ouvi as pancadas na porta):
"Está ali um amigo teu que precisa de ajuda!"
Fui ver. O A.M. estava à porta, enregelado e a rir-se. Eu a tentar perceber porque é que ele não tinha ido para casa.
Como a noite era de forte geadão, eu já tinha saído do quarto equipado com samarra e botas caneleiras.
E ele a rir-se. "Eh, pá, tive dois furos..."
"Dois furos?"
Agora, era eu quem esboçava um sorriso: "Dois furos?"
"Sim! Desenrasca-me lá! Tive que vir à boleia numa bicicleta a motor."
Fui dizer ao meu pai que eram dois furos, que o rapaz precisava de ajuda: "Posso levar o carro outra vez?"
O meu pai a calcular outras aventuras mas admirado por me ver de pijama e samarra. Afinal...
Lá fomos.
O moço tinha saído da estrada numa recta, deu-lhe o sono e lá estava a carrinha com duas rodas na valeta.
O primo da namorada enregelado e enrolado no banco olhava para nós como para um filme que ele teimava em ver, lutando contra o sono.
Foi quando passou um matinal, fumegante e admirado motociclista que eu me dei conta que estava a começar o dia de Natal no meio do mato, em pijama.
Lá desmontámos as duas rodas, deixámos a carrinha ancorada nos macacos e ala para casa do M.V. que ele é que percebe de oficinas.
Mas ainda me lembrei de ir a casa vestir-me.
Quando chegámos a casa do outro, ainda eram sete e tal.
Relutantemente, lá nos abriram a porta e encaminharam para o quarto do moço.
Acordou connosco a abanar a cama.
Ria-se, ria-se, só se ria.
"Tal não foi o espectáculo?" - e sufocava ao rir-se deitado na cama. E a gente a baralhá-lo, a contar-lhe histórias.
É claro que foi depois preciso uma boa meia-hora para o convencer definitivamente de que o caso era urgente.
E lá o arrancámos da cama, a caminho da estação de serviço.
Depois de arranjar as cacetadas nas jantes e de remendar os furos, de voltar uns bons vinte e tal quilómetros até à carrinha e pôr tudo em condições, dei comigo ao meio-dia de Natal a beber conhaques e a fumar charutos espanhóis, no café das bombas de gasolina.
Mas já não estava em pijama.
Alguém devia estar à nossa espera para o almoço.
imagem em
24/12/2003
Gato persa
Elidir os factos
Submersos ou não
Empurrar os dados
Com as costas da mão.
Tombar registos
Evitar ciladas
Entrar pelos vistos
Nas noites veladas.
Semear percalços
Envoltos em pó
Contornar os traços
De rectas, a só.
Empilhar retratos
De outras idades
Vestir novos fatos
Em novas cidades.
SG, inéditos, 2002
Elidir os factos
Submersos ou não
Empurrar os dados
Com as costas da mão.
Tombar registos
Evitar ciladas
Entrar pelos vistos
Nas noites veladas.
Semear percalços
Envoltos em pó
Contornar os traços
De rectas, a só.
Empilhar retratos
De outras idades
Vestir novos fatos
Em novas cidades.
SG, inéditos, 2002
23/12/2003
O nó da gravata
Há poucas coisas que sejam mais de homem para homem, de pai para filho, do que a transmissão da técnica do nó da gravata.
Todas as excepções confirmam a regra.
Um dia, sem se saber porquê, coloca-se uma gravata à volta do pescoço.
E de repente, damo-nos conta que não sabemos fazer o nó: “Pai!”
E o segredo transmite-se, frente a um espelho.
Pura magia.
Eu herdei o four-in-hand
imagem composta a partir de
Há poucas coisas que sejam mais de homem para homem, de pai para filho, do que a transmissão da técnica do nó da gravata.
Todas as excepções confirmam a regra.
Um dia, sem se saber porquê, coloca-se uma gravata à volta do pescoço.
E de repente, damo-nos conta que não sabemos fazer o nó: “Pai!”
E o segredo transmite-se, frente a um espelho.
Pura magia.
Eu herdei o four-in-hand
imagem composta a partir de
Um susto de morte
Mais uns envelopes a monte na caixa do correio.
Propaganda. Mas também alguns catálogos que eu pedira.
Fui abrindo, da embalagem mais mal apresentada à mais interessante, o tal fecho com chave de ouro.
O último envelope era gordo. Catálogos, tabelas, fichas técnicas.
Uma brochura sobre a fábrica.
Abri. Papel de qualidade, boas fotografias.
E um susto de morte ou algo parecido.
A páginas tantas, no laboratório da fábrica, estava eu a olhar atentamente para alguma coisa sobre uma mesa. Não, não era a imagem do espelho de fazer a barba. Era mesmo a minha fotografia, igual a tantas outras semelhantes.
Ainda hoje não sei quem era o homem da foto. Também nunca fui à procura dele. Talvez um irmão gémeo.
Mais uns envelopes a monte na caixa do correio.
Propaganda. Mas também alguns catálogos que eu pedira.
Fui abrindo, da embalagem mais mal apresentada à mais interessante, o tal fecho com chave de ouro.
O último envelope era gordo. Catálogos, tabelas, fichas técnicas.
Uma brochura sobre a fábrica.
Abri. Papel de qualidade, boas fotografias.
E um susto de morte ou algo parecido.
A páginas tantas, no laboratório da fábrica, estava eu a olhar atentamente para alguma coisa sobre uma mesa. Não, não era a imagem do espelho de fazer a barba. Era mesmo a minha fotografia, igual a tantas outras semelhantes.
Ainda hoje não sei quem era o homem da foto. Também nunca fui à procura dele. Talvez um irmão gémeo.
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