Tudo como dantes
Tudo em ângulo recto
Na casa dos degraus
Fez-se uma açorda
Com três paus.
Tudo em permanência
No café central
Fez-se uma conferência
No final.
Tudo engarrafado
No I.P.
Fez-se um simultâneo
Para a T.V.
Tudo em sintonia
No rebanho
Fez-se a telefonia
Tomar banho.
Tudo a contragosto
Até ao fim
Mudou-se o mês de Agosto
Para o jardim.
SG, "inéditos", 2002
28/02/2004
O mundo das ilusões
Pois é. Não conheço uma única pessoa por detrás dos blogues que leio.
E não há mais do que uma que me conhece bem, que de vez em quando vem aqui espreitar.
Descontando as conversas electrónicas, os mails e os comentários trocados aqui e ali, com algumas delas, sempre numa amável harmonia, não há mais conhecimento.
Duvido que alguns dos meus amigos e conhecidos alguma vez tenham tropeçado nestas linhas.
É pouco provável.
Apercebo-me de que não é normalmente assim.
Em muitos se encontram vínculos de cumplicidade com este e com aquele, que parecem revelar mais do que um conhecimento electrónico.
Assisto a debates acesos, uns mais urbanos do que outros. Alguns manchados pelo ataque pessoal e anónimo que não se chega a perceber se é à pessoa (conhecê-la-ão?) se é só aos argumentos.
Tenho passado ao lado disso.
Por um lado, não creio que o aqui escrevo seja suficientemente polémico para despertar a ira alheia.
Por outro, não tenho por hábito marcar obrigatoriamente a minha discordância com o que leio.
Só lamento que a troca de ideias não se faça de forma mais razoável e edificante.
Grande parte dos argumentos apresentados em crítica e contra-crítica são insustentados. Por vezes, inteiramente disparatados:
“Se te vestes de verde, é porque costumas ladrar ao lado do teu cão. Pois fica sabendo que a caravana passa!”
Há muito disto. Que chegava para um anexo de compêndio de lógica.
Mas há também muita escrita lúcida e intemporal. Discorrendo sobre os eventos sem a carga do momento e sem ser tolhida por hemivisão.
Apesar de considerar que não há nada mais inútil do que uma opinião, continuarei a dizer o que vem à cabeça.
Pois é. Não conheço uma única pessoa por detrás dos blogues que leio.
E não há mais do que uma que me conhece bem, que de vez em quando vem aqui espreitar.
Descontando as conversas electrónicas, os mails e os comentários trocados aqui e ali, com algumas delas, sempre numa amável harmonia, não há mais conhecimento.
Duvido que alguns dos meus amigos e conhecidos alguma vez tenham tropeçado nestas linhas.
É pouco provável.
Apercebo-me de que não é normalmente assim.
Em muitos se encontram vínculos de cumplicidade com este e com aquele, que parecem revelar mais do que um conhecimento electrónico.
Assisto a debates acesos, uns mais urbanos do que outros. Alguns manchados pelo ataque pessoal e anónimo que não se chega a perceber se é à pessoa (conhecê-la-ão?) se é só aos argumentos.
Tenho passado ao lado disso.
Por um lado, não creio que o aqui escrevo seja suficientemente polémico para despertar a ira alheia.
Por outro, não tenho por hábito marcar obrigatoriamente a minha discordância com o que leio.
Só lamento que a troca de ideias não se faça de forma mais razoável e edificante.
Grande parte dos argumentos apresentados em crítica e contra-crítica são insustentados. Por vezes, inteiramente disparatados:
“Se te vestes de verde, é porque costumas ladrar ao lado do teu cão. Pois fica sabendo que a caravana passa!”
Há muito disto. Que chegava para um anexo de compêndio de lógica.
Mas há também muita escrita lúcida e intemporal. Discorrendo sobre os eventos sem a carga do momento e sem ser tolhida por hemivisão.
Apesar de considerar que não há nada mais inútil do que uma opinião, continuarei a dizer o que vem à cabeça.
27/02/2004
Decididamente
É hoje!
Decidi solidarizar-me com a notícia que ouvi há pouco.
Vou sair por aí à procura das origens da vida.
Então não foi isso que me disseram que a sonda Rosetta vai fazer?
Eu por mim posso dar uma ajuda.
Vou investigar. Afinal deve ser mais fácil do que responder correctamente ao rol de perguntas da Brigada.
O que eu gosto do nível dos nossos noticiários!
É hoje!
Decidi solidarizar-me com a notícia que ouvi há pouco.
Vou sair por aí à procura das origens da vida.
Então não foi isso que me disseram que a sonda Rosetta vai fazer?
Eu por mim posso dar uma ajuda.
Vou investigar. Afinal deve ser mais fácil do que responder correctamente ao rol de perguntas da Brigada.
O que eu gosto do nível dos nossos noticiários!
26/02/2004
A Tv das vendas
Às vezes, fazemos coisas de que nos admiramos.
Ontem (hoje, de madrugada) foi o ficar a assistir a um canal onde passavam os habituais anúncios à americana.
Tratava-se de uma pequena câmara digital, com software de edição incluído e uma pequena bolsa de cabedal(?).
Fiquei amarrado às explicações e aos argumentos.
No meio disto tudo, vem-me sempre à memória o argumento lapidar de um dos meus velhos amigos, economista de formação: "Se se anuncia um remédio para os piolhos, é porque vende. E se vende, é porque há quem tenha piolhos!"
Suponho assim que, se existem estes espaços publicitários, é porque vendem.
Embora eu me espante com este tipo de publicidade à americana. E pense que em Portugal não resulta. Mas só posso estar enganado.
Outra coisa que vem de ontem, é um certo painel de fotografias num restaurante.
Painéis de fotografias em restaurantes são coisas comuns. Uns têm mais caras conhecidas do que outros, mas é uma moda que pegou.
Não é um resultado agradável.
É até confrangedor. É o povo na sua expressão de olhar para o passarinho.
Mas depois levanta-se uma questão.
E quando o tempo fizer das suas?
Quando toda aquela quantidade de fotos a fugir para o vermelho se converter em documento histórico?
É certo que há diferenças entre as fotos de um olhar e de outro.
Há fotos com mais interesse do que outras.
Eu que tenho muitas dúvidas quanto ao que é arte e o que não é, às vezes fico a olhar para certas fotos de mão não profissional e vejo uma qualidade impressionante.
Não foi o caso naquele painel.
Mas é o caso, entre outros, de uma foto que possuo que retrata a praia da Zambujeira em 1932. Todo o povoado coube na película.
Ou de uma outra de um camião nas margens do Guadiana no final dos anos 50.
Ou aquela da L'Étoile nos alvores de 50, com os vestígios da guerra ainda visíveis.
E fico-me a pensar.
Nos dias de hoje, com tanta máquina de filmar e fotografar sempre presente, que legado deixaremos aos vindouros?
Será tudo mau? Ou o tempo encarregar-se-á de lhe dar alguma beleza?
Às vezes, fazemos coisas de que nos admiramos.
Ontem (hoje, de madrugada) foi o ficar a assistir a um canal onde passavam os habituais anúncios à americana.
Tratava-se de uma pequena câmara digital, com software de edição incluído e uma pequena bolsa de cabedal(?).
Fiquei amarrado às explicações e aos argumentos.
No meio disto tudo, vem-me sempre à memória o argumento lapidar de um dos meus velhos amigos, economista de formação: "Se se anuncia um remédio para os piolhos, é porque vende. E se vende, é porque há quem tenha piolhos!"
Suponho assim que, se existem estes espaços publicitários, é porque vendem.
Embora eu me espante com este tipo de publicidade à americana. E pense que em Portugal não resulta. Mas só posso estar enganado.
Outra coisa que vem de ontem, é um certo painel de fotografias num restaurante.
Painéis de fotografias em restaurantes são coisas comuns. Uns têm mais caras conhecidas do que outros, mas é uma moda que pegou.
Não é um resultado agradável.
É até confrangedor. É o povo na sua expressão de olhar para o passarinho.
Mas depois levanta-se uma questão.
E quando o tempo fizer das suas?
Quando toda aquela quantidade de fotos a fugir para o vermelho se converter em documento histórico?
É certo que há diferenças entre as fotos de um olhar e de outro.
Há fotos com mais interesse do que outras.
Eu que tenho muitas dúvidas quanto ao que é arte e o que não é, às vezes fico a olhar para certas fotos de mão não profissional e vejo uma qualidade impressionante.
Não foi o caso naquele painel.
Mas é o caso, entre outros, de uma foto que possuo que retrata a praia da Zambujeira em 1932. Todo o povoado coube na película.
Ou de uma outra de um camião nas margens do Guadiana no final dos anos 50.
Ou aquela da L'Étoile nos alvores de 50, com os vestígios da guerra ainda visíveis.
E fico-me a pensar.
Nos dias de hoje, com tanta máquina de filmar e fotografar sempre presente, que legado deixaremos aos vindouros?
Será tudo mau? Ou o tempo encarregar-se-á de lhe dar alguma beleza?
25/02/2004
24/02/2004
23/02/2004
Cartas
O Sr. HB9GJDT FGT S673GA DX SAU7222 esteve cá em casa a jantar.
Passou a noite a dizer que nunca compraria certo casaco que vira numa das lojas mais caras de Lisboa, só para jogar às cartas.
Completamente obcecado com a situação, sabe-se lá por quê, foi para casa e narrou a experiência no seu blogue. Foi de resto muito gentil com os anfitriões, como é seu apanágio.
Os comentários começaram a chover.
Diz um que "...só os porcos capitalistas compram casacos só para jogar poker com o dinheiro do proletariado..."
Diz outro que "...não percebi. Então o casaco é só para as cartas ou também serve para outras ocasiões? Quanto é que custa?..."
Outro ainda comenta "... que merda é esta? Que sítio é este? Isto é um blogue?..."
Um pouco abaixo, há quem diga que "...os casacos são como os colchões, eh eh. O uso é que é importante! Pois. ..."
E ainda quem sugira "... e se pagasses os impostos, pá? Cambada de mafiosos, que só cá andam a espezinhar o pessoal! Casacos, hem? Ainda há coisas destas? Sim, porque você é uma coisa qualquer vestida de..."
A tudo isto, o Sr. HB9GJDT FGT S673GA DX SAU7222 nada respondeu.
Deve, por certo, continuar a matutar no casaco. Que ao que me lembro, era verde com uma discreta quadrícula amarela.
imagem adaptada de
O Sr. HB9GJDT FGT S673GA DX SAU7222 esteve cá em casa a jantar.
Passou a noite a dizer que nunca compraria certo casaco que vira numa das lojas mais caras de Lisboa, só para jogar às cartas.
Completamente obcecado com a situação, sabe-se lá por quê, foi para casa e narrou a experiência no seu blogue. Foi de resto muito gentil com os anfitriões, como é seu apanágio.
Os comentários começaram a chover.
Diz um que "...só os porcos capitalistas compram casacos só para jogar poker com o dinheiro do proletariado..."
Diz outro que "...não percebi. Então o casaco é só para as cartas ou também serve para outras ocasiões? Quanto é que custa?..."
Outro ainda comenta "... que merda é esta? Que sítio é este? Isto é um blogue?..."
Um pouco abaixo, há quem diga que "...os casacos são como os colchões, eh eh. O uso é que é importante! Pois. ..."
E ainda quem sugira "... e se pagasses os impostos, pá? Cambada de mafiosos, que só cá andam a espezinhar o pessoal! Casacos, hem? Ainda há coisas destas? Sim, porque você é uma coisa qualquer vestida de..."
A tudo isto, o Sr. HB9GJDT FGT S673GA DX SAU7222 nada respondeu.
Deve, por certo, continuar a matutar no casaco. Que ao que me lembro, era verde com uma discreta quadrícula amarela.
imagem adaptada de
22/02/2004
A ignorância dos riscos
Já aqui falei sobre riscos, a sua ignorância e a sua prevenção.
Uma história tão velha como a da sobrevivência.
As novidades quase sempre acarretam novos riscos. Para muita gente desconhecidos.
Foi assim com o cavalo-de-ferro, com a energia eléctrica, com o automóvel.
Com tudo o resto.
Hoje, a evolução rápida no acesso a certas coisas fez com que muita gente lide com coisas que não domina por atavismo. Se é que filho de peixe sabe nadar.
A novidade não são as coisas novas. São as coisas a que nunca se teve acesso.
Das mais simples ou seguras às mais complicadas ou arriscadas.
A ignorância de regras há muito conhecidas de outros, faz com que se corram riscos desnecessários e ridículos.
Vem isto a propósito de correntes para a neve. Podia ser a propósito de outra coisa qualquer, como banhos na praia ou canalizações de gás.
Já aqui falei sobre riscos, a sua ignorância e a sua prevenção.
Uma história tão velha como a da sobrevivência.
As novidades quase sempre acarretam novos riscos. Para muita gente desconhecidos.
Foi assim com o cavalo-de-ferro, com a energia eléctrica, com o automóvel.
Com tudo o resto.
Hoje, a evolução rápida no acesso a certas coisas fez com que muita gente lide com coisas que não domina por atavismo. Se é que filho de peixe sabe nadar.
A novidade não são as coisas novas. São as coisas a que nunca se teve acesso.
Das mais simples ou seguras às mais complicadas ou arriscadas.
A ignorância de regras há muito conhecidas de outros, faz com que se corram riscos desnecessários e ridículos.
Vem isto a propósito de correntes para a neve. Podia ser a propósito de outra coisa qualquer, como banhos na praia ou canalizações de gás.
A casa dos meus sonhos
Não, não é uma casa apalaçada.
Nem um mimo daqueles construído à imagem de não se sabe o quê.
Nem um monte no Alentejo, por razões óbvias.
É outra coisa.
É uma certa casa que me aparece nos sonhos e da qual já conheço os mais ínfimos pormenores.
A garagem em rampa, ao nível do 2º piso. A escada em caracol das traseiras que dá acesso àquela porta de que ninguém se serviu durante anos, está tapada pelas heras e afinal é tão bonita.
O desvão do telhado compartimentado a meia altura.
A oficina-laboratório de janelas sombreadas a betão.
Tudo isso muito insistente e consistente.
Às vezes, chego a pensar que se trata da topologia distorcida habitual. A casa não é outra senão a que tão bem conheço.
Mas toda a envolvente o nega. A ribeira, as ruas em socalco, o pequeno hotel que funciona nas traseiras, tudo isso é ficção. Tal como a casa.
Não, não é uma casa apalaçada.
Nem um mimo daqueles construído à imagem de não se sabe o quê.
Nem um monte no Alentejo, por razões óbvias.
É outra coisa.
É uma certa casa que me aparece nos sonhos e da qual já conheço os mais ínfimos pormenores.
A garagem em rampa, ao nível do 2º piso. A escada em caracol das traseiras que dá acesso àquela porta de que ninguém se serviu durante anos, está tapada pelas heras e afinal é tão bonita.
O desvão do telhado compartimentado a meia altura.
A oficina-laboratório de janelas sombreadas a betão.
Tudo isso muito insistente e consistente.
Às vezes, chego a pensar que se trata da topologia distorcida habitual. A casa não é outra senão a que tão bem conheço.
Mas toda a envolvente o nega. A ribeira, as ruas em socalco, o pequeno hotel que funciona nas traseiras, tudo isso é ficção. Tal como a casa.
Os barcos da CP
Os barcos da CP valeram-me o único castigo em toda a escola primária.
Naquela parte em que se aprendiam os rios e as linhas de caminhos-de-ferro face ao tradicional mapa na parede, a minha insistência, já não sei porquê, em incluir os barcos da CP e uma linha imaginária a traço-ponto sobre as águas do Tejo, valeu-me a reprimenda e o mapa como panorama durante meia-hora.
Pior a emenTa que o soneto. Será que vem daí o meu fascínio por mapas? Acho que não, acho que vem mais de trás.
E a teimosia também.
Os barcos da CP valeram-me o único castigo em toda a escola primária.
Naquela parte em que se aprendiam os rios e as linhas de caminhos-de-ferro face ao tradicional mapa na parede, a minha insistência, já não sei porquê, em incluir os barcos da CP e uma linha imaginária a traço-ponto sobre as águas do Tejo, valeu-me a reprimenda e o mapa como panorama durante meia-hora.
Pior a emenTa que o soneto. Será que vem daí o meu fascínio por mapas? Acho que não, acho que vem mais de trás.
E a teimosia também.
21/02/2004
Defensores acérrimos
Este post era para ser sobre o Ötzi.
Também tinha a ver com defensores acérrimos.
A verdade é que já pouca coisa me espanta e pouca me faz virar a cabeça. Deve ser da velhice e da burrice.
Mas de cada vez que vem à baila um assunto mais polémico, a chusma de defensores acérrimos disto e daquilo sai à praça.
A moda (leia-se canção) é sempre a mesma, atacam com certezas absolutas que normalmente se verifica negarem-se a si próprias.
O wishful thinking em estado puro.
Não sei se existem argumentos vencedores. Provavelmente não.
O mistério é que os defensores acérrimos são necessários. Se não fossem, não existiam.
Fazem falta como contrabalanço. De um e de outro lado.
Também não sou daqueles que considera que no meio é que está a virtude. Ela simplesmente não está em lado nenhum.
Mas reparem que, a julgar pelo pouco que se sabe, as relações sociais dependem sempre da força. Mais do que da razão, que é ela própria também um mistério.
A força (outros diriam energia) é, tal como sancionou a velha mulher naquela taberna da serra, a que tudo pode. Apresenta-se de formas diversas, mas no fim ganha sempre.
E não será ela que gere os defensores acérrimos, os incréus, os crentes, os cépticos e os apáticos?
Este post era para ser sobre o Ötzi.
Também tinha a ver com defensores acérrimos.
A verdade é que já pouca coisa me espanta e pouca me faz virar a cabeça. Deve ser da velhice e da burrice.
Mas de cada vez que vem à baila um assunto mais polémico, a chusma de defensores acérrimos disto e daquilo sai à praça.
A moda (leia-se canção) é sempre a mesma, atacam com certezas absolutas que normalmente se verifica negarem-se a si próprias.
O wishful thinking em estado puro.
Não sei se existem argumentos vencedores. Provavelmente não.
O mistério é que os defensores acérrimos são necessários. Se não fossem, não existiam.
Fazem falta como contrabalanço. De um e de outro lado.
Também não sou daqueles que considera que no meio é que está a virtude. Ela simplesmente não está em lado nenhum.
Mas reparem que, a julgar pelo pouco que se sabe, as relações sociais dependem sempre da força. Mais do que da razão, que é ela própria também um mistério.
A força (outros diriam energia) é, tal como sancionou a velha mulher naquela taberna da serra, a que tudo pode. Apresenta-se de formas diversas, mas no fim ganha sempre.
E não será ela que gere os defensores acérrimos, os incréus, os crentes, os cépticos e os apáticos?
20/02/2004
Os mapas de outrora
O assunto era sério.
Eu e o Dr. M. debruçávamo-nos sobre os mapas e confrontávamo-los com descrições da época.
Pedíamos novos mapas e identificávamos as discordâncias entre uns e outros.
Havia um que tinha uma mancha que tornava ilegível a linha que estudávamos.
Outros, pequenos rasgões.
Mas aquele não. Era uma espécie de crosta.
Pedimos testes.
Queríamos saber se algum daqueles mapas fora corrigido em época posterior.
Quando o resultado dos testes chegou, a surpresa.
Em vez de nos dizerem se havia alterações posteriores ou não, apenas uma certeza:
A crosta era um resíduo de açorda.
Dias depois, encontrei o meu velho amigo e disse-lhe:
"Não imaginas o cabrão dum sonho que tive uma noite destas. Então não estava a meias com o teu pai a analisar uns mapas antigos e umas confrontações que queríamos confirmar! Um deles até tinha um bocado de açorda seca agarrado!"
Ele olhou para mim, arqueou uma sobrancelha e, depois de uma pausa longa, disparou:
"Uns mapas? Isso é muito curioso!"
"...?"
"É que eu e o meu pai temos justamente andado a ver umas cartas e uns cadastros antigos por causa de uma alteração de sesmo! Mas assim de açordas não falámos nada."
Como ele é um tira-partido nato, eu não sei se acredite.
Ao pai dele vejo-o pouco. Não tenho confiança suficiente para lhe perguntar pelas investigações.
extracto de mapa encontrado aqui
O assunto era sério.
Eu e o Dr. M. debruçávamo-nos sobre os mapas e confrontávamo-los com descrições da época.
Pedíamos novos mapas e identificávamos as discordâncias entre uns e outros.
Havia um que tinha uma mancha que tornava ilegível a linha que estudávamos.
Outros, pequenos rasgões.
Mas aquele não. Era uma espécie de crosta.
Pedimos testes.
Queríamos saber se algum daqueles mapas fora corrigido em época posterior.
Quando o resultado dos testes chegou, a surpresa.
Em vez de nos dizerem se havia alterações posteriores ou não, apenas uma certeza:
A crosta era um resíduo de açorda.
Dias depois, encontrei o meu velho amigo e disse-lhe:
"Não imaginas o cabrão dum sonho que tive uma noite destas. Então não estava a meias com o teu pai a analisar uns mapas antigos e umas confrontações que queríamos confirmar! Um deles até tinha um bocado de açorda seca agarrado!"
Ele olhou para mim, arqueou uma sobrancelha e, depois de uma pausa longa, disparou:
"Uns mapas? Isso é muito curioso!"
"...?"
"É que eu e o meu pai temos justamente andado a ver umas cartas e uns cadastros antigos por causa de uma alteração de sesmo! Mas assim de açordas não falámos nada."
Como ele é um tira-partido nato, eu não sei se acredite.
Ao pai dele vejo-o pouco. Não tenho confiança suficiente para lhe perguntar pelas investigações.
extracto de mapa encontrado aqui
19/02/2004
Os prémios pesquisa: O Murro de Berlinda
De vez em quando, é inevitável.
Tem que se voltar a premiar os que aqui caem inocentemente, à semelhança de outros colegas blogueiros.
Ora aqui vai uma lista de notáveis pesquisas à atenção dos leitores:
Os que interrogam:
Porque existe diferença de alqueires?
deep blue "o que é "
Quem foi Mercali
QUEM FOI MERCALI
Os que procuram manual de instruções:
curva de nivel como fazer
como fazer barba postiça
como meter anuncio para vender automovel
como prever totoloto
estruturas metalicas. como construir, calcular
Os intrigantes:
corrigir sotaque portugues
h de homem
filme Disney de inundação
rapaz de olhos azul en braganca
dia das bruxas poemas
taberna dos tempos fotos
funciona "são cipriano"
Não Bata a Cabeça à Toa
fotos roubadas mulher pelada
palavras finlandesas
calendarios tios
mapa de carreteras, olhos
tantonios
imagem entremeada
simpatias para te procurar
mount ver Pinhal
manobra intelectual
Os que sabem muito bem o que querem:
las meninas "a triangle" -similar -triangles
porta cartao couro brindes
mapas de albufeira com escalas
ilhas urbanas de calor em vila velha
comboio de ermidas para albufeira
acidentes rodoviários (alto Alentejo)
acidentes rodoviarios no alto alentejo
pintura de troncos de árvores urbanas
A geometria no presepio
Peugeot algarismos
ana fotos "viana do bolo "
nomes de restaurantes no cais de gaia
Imagens de sandes
foto de modelos vestidas entre 14 e 16 anos
papéis de parede com mulheres nuas em carros
simpatias* pagar as coisas que promete
setubalenses nuas
Papéis de parede com paisagens de Portugal
fotos do gipsy kings hoje
animais em via de extinção o burro
Retrato da adega cooperativa de Chaves
"base para copo"
imagens de acidentes bizarros
vestuario arabe.com
compro citroen 2 cavalos
turbante cabeça evolução
esquemas electronicos de sirenes
E o mais melhor bom de todos:
murro de Berlinda
(deve ser o nome de uma peça de teatro ou de um livro, sei lá)
(ou então é teste, para ver se é original...)
De vez em quando, é inevitável.
Tem que se voltar a premiar os que aqui caem inocentemente, à semelhança de outros colegas blogueiros.
Ora aqui vai uma lista de notáveis pesquisas à atenção dos leitores:
Os que interrogam:
Porque existe diferença de alqueires?
deep blue "o que é "
Quem foi Mercali
QUEM FOI MERCALI
Os que procuram manual de instruções:
curva de nivel como fazer
como fazer barba postiça
como meter anuncio para vender automovel
como prever totoloto
estruturas metalicas. como construir, calcular
Os intrigantes:
corrigir sotaque portugues
h de homem
filme Disney de inundação
rapaz de olhos azul en braganca
dia das bruxas poemas
taberna dos tempos fotos
funciona "são cipriano"
Não Bata a Cabeça à Toa
fotos roubadas mulher pelada
palavras finlandesas
calendarios tios
mapa de carreteras, olhos
tantonios
imagem entremeada
simpatias para te procurar
mount ver Pinhal
manobra intelectual
Os que sabem muito bem o que querem:
las meninas "a triangle" -similar -triangles
porta cartao couro brindes
mapas de albufeira com escalas
ilhas urbanas de calor em vila velha
comboio de ermidas para albufeira
acidentes rodoviários (alto Alentejo)
acidentes rodoviarios no alto alentejo
pintura de troncos de árvores urbanas
A geometria no presepio
Peugeot algarismos
ana fotos "viana do bolo "
nomes de restaurantes no cais de gaia
Imagens de sandes
foto de modelos vestidas entre 14 e 16 anos
papéis de parede com mulheres nuas em carros
simpatias* pagar as coisas que promete
setubalenses nuas
Papéis de parede com paisagens de Portugal
fotos do gipsy kings hoje
animais em via de extinção o burro
Retrato da adega cooperativa de Chaves
"base para copo"
imagens de acidentes bizarros
vestuario arabe.com
compro citroen 2 cavalos
turbante cabeça evolução
esquemas electronicos de sirenes
E o mais melhor bom de todos:
murro de Berlinda
(deve ser o nome de uma peça de teatro ou de um livro, sei lá)
(ou então é teste, para ver se é original...)
Não resisto ao bolo folhado
Quantas vezes será necessário ouvir uma frase a um dos nossos antepassados para que ela nos fique na memória?
A resposta é evidentemente imprecisa. A cada qual a sua.
Mas serve esta frase, tantas vezes ouvida a um dos meus avós, quer na primeira pessoa quando se ria de si próprio, quer na terceira quando falava em geral das fraquezas do espírito e do corpo, para acentuar a minha impotência face à vontade de comentar isto e aquilo.
E o que me apetece comentar hoje é a nossa (a minha evidentemente e a dos outros) absurda necessidade de racionalizar a política.
Parece ser próprio do homem usar o que designou de razão para desenvolver técnicas primeiro e ciência depois.
Já se sabe que da ciência pode nascer mais técnica ou não.
Mas pelo que se sabe também, ou parece saber-se, primeiro apuraram-se técnicas e depois fez-se ciência. Pode sempre argumentar-se que na base da técnica há sempre ciência. Ciência tout court. Galinha e ovo.
Voltemos.
Uma das necessidades da vida de hoje é a de opinar sobre os factos, sobre as decisões, sobre a qualidade delas e de quem as toma.
E inevitavelmente, racionalizamos as coisas.
Sucede que a política nada tem de racional. E quando tem, quando aspira a ter, mostra a história que os resultados são catastróficos.
Algumas correntes de pensamento falam hoje de uma substituição do racionalismo positivista por uma escola do consenso.
O racionalismo seja onde fôr que lhe encontremos as bases, serviu e servirá, assim o julgo, para que desenvolvamos as ciências e as técnicas.
Já é pouco provável que se aplique na política. Onde é que está hoje o pensamento político estruturado e dito científico? Não se tratou de mais um equívoco histórico?
Uma das frases que mais me aborrece ouvir é esta: "Já não se pensa assim!"
Então pensa-se como? O pensamento terá modas? Confundimos o pensamento com as teorias demonstradamente erradas?
Será porque "já não se pensa assim", que os grandes da antiguidade se tornaram menos certeiros? Mesmo que, aqui ou ali, tenham engalinhado com certas questões e à volta delas opinado erradamente?
Alguns verão quantos erros cometemos na apreciação das coisas na nossa época.
A questão não é, nem nunca pode ser, a de pensar.
É e continuará a ser as ferramentas que se utilizam e os erros que se cometem.
Se já ninguém usa um ZX Spectrum para programar em Basic, isso não significa que se tenha deixado de programar.
E se uma máquina falha a chegada a Marte, isso também não faz com que a exploração não avance.
Desculpem-me o desabafo, mas tal como o meu avô, não resisto ao bolo folhado.
Quantas vezes será necessário ouvir uma frase a um dos nossos antepassados para que ela nos fique na memória?
A resposta é evidentemente imprecisa. A cada qual a sua.
Mas serve esta frase, tantas vezes ouvida a um dos meus avós, quer na primeira pessoa quando se ria de si próprio, quer na terceira quando falava em geral das fraquezas do espírito e do corpo, para acentuar a minha impotência face à vontade de comentar isto e aquilo.
E o que me apetece comentar hoje é a nossa (a minha evidentemente e a dos outros) absurda necessidade de racionalizar a política.
Parece ser próprio do homem usar o que designou de razão para desenvolver técnicas primeiro e ciência depois.
Já se sabe que da ciência pode nascer mais técnica ou não.
Mas pelo que se sabe também, ou parece saber-se, primeiro apuraram-se técnicas e depois fez-se ciência. Pode sempre argumentar-se que na base da técnica há sempre ciência. Ciência tout court. Galinha e ovo.
Voltemos.
Uma das necessidades da vida de hoje é a de opinar sobre os factos, sobre as decisões, sobre a qualidade delas e de quem as toma.
E inevitavelmente, racionalizamos as coisas.
Sucede que a política nada tem de racional. E quando tem, quando aspira a ter, mostra a história que os resultados são catastróficos.
Algumas correntes de pensamento falam hoje de uma substituição do racionalismo positivista por uma escola do consenso.
O racionalismo seja onde fôr que lhe encontremos as bases, serviu e servirá, assim o julgo, para que desenvolvamos as ciências e as técnicas.
Já é pouco provável que se aplique na política. Onde é que está hoje o pensamento político estruturado e dito científico? Não se tratou de mais um equívoco histórico?
Uma das frases que mais me aborrece ouvir é esta: "Já não se pensa assim!"
Então pensa-se como? O pensamento terá modas? Confundimos o pensamento com as teorias demonstradamente erradas?
Será porque "já não se pensa assim", que os grandes da antiguidade se tornaram menos certeiros? Mesmo que, aqui ou ali, tenham engalinhado com certas questões e à volta delas opinado erradamente?
Alguns verão quantos erros cometemos na apreciação das coisas na nossa época.
A questão não é, nem nunca pode ser, a de pensar.
É e continuará a ser as ferramentas que se utilizam e os erros que se cometem.
Se já ninguém usa um ZX Spectrum para programar em Basic, isso não significa que se tenha deixado de programar.
E se uma máquina falha a chegada a Marte, isso também não faz com que a exploração não avance.
Desculpem-me o desabafo, mas tal como o meu avô, não resisto ao bolo folhado.
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